Por Opinião
Em 23/05/2017

Olhando para trás - Walber Aguiar*

De repente, a gente vê que perdeu
ou está perdendo alguma coisa
morna e ingênua que vai ficando no caminho
                                                        Cazuza

Era noite. O quarto escuro denunciava qualquer coisa assim inusitada. Vontade de fugir, de ir comprar cigarro na esquina e desaparecer no meio da multidão. De atiçar lembranças e revirar memórias. De esvaziar o baú de quinquilharias existenciais e arrumar tudo que valia a pena colecionar.

Ali, na geografia do silêncio forçado e da solidão quase patológica, mergulhamos na estrada, percebemos o vácuo, entendemos a ausência de nós mesmos.

A noite, regida pelos ponteiros da angústia, revelou tudo que se passava entre muros, paredes, janelas, corredores e avenidas. Diante dos olhos perdidos a mutilação psicológica. Os pedaços significativos que fomos perdendo durante a caminhada.

As estrelas viraram lágrimas, ainda que companheiras da insônia. O vento trouxe os detalhes que estavam armazenados no coração. O medo, amigo de todas as horas, trouxe flores amarelas e medrosas.

A inocência era palpável na escuridão, ainda que estivesse distante. Pensamos no tempo de criança, na ingenuidade perdida, no coração humano e solidário. Entretanto, já não havia espaço para oferecer flores ao desconhecido, para ajuntar os “samaritanos” vitimados pelo trágico. Não podíamos “falar com os estranhos”, pois a estrutura social maligna nos prendia numa bolha individual e utilitarista.

Debruçados na janela da inquietação, tentamos ajuntar os pedaços, os cacos coloridos que ficaram para trás. Perdemos a mãe, a ternura, a capacidade de indignar-se diante da injustiça e de todas as formas de perversidade. Ao perder o sono, achamos a dor da incompletude, do despedaçamento psicológico. Para trás ficou a água limpa da honestidade, a pureza do ético, o fogo da compaixão, o senso de coletividade.

Ali, entre o céu da virtude, a movediça realidade e o “pântano enganoso das bocas”, sentimos falta da amizade incondicional, do amor desinteressado, dos mais quentes afetos. Entretanto, ainda podíamos resistir a nós mesmos e àquilo que na vida nos vence. Tentar recuperar os fragmentos, a coisa morna e ingênua que ficou no caminho.

Era noite. Uma longa noite. Tempo de lançar fora todos os “rebotalhos” e trapos de auto-respeito e ajuntar o que sobrou da vida.

*Advogado, poeta, professor de filosofia, historiador e membro da Academia Roraimense de Letras.  wd.aguiar@gmail.com


Crise espiritual, moral, institucional e política - Marlene de Andrade*
 
“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição” (Mateus 7:13)

As sociedades em geral esqueceram os princípios de Deus e nas civilizações modernas vêm imperando o egoísmo, o qual tem se manifestado de forma crescente num turbilhão de atrocidades e barbáries. A cultura é opressora e deu abertura à corrida armamentista fomentando guerras assustadoras. Tanto isso é verdade, que basta nos lembrarmos do que aconteceu em  Hiroshima e Nagasaki. E o pior é que os motivos são sempre os mesmos: torpes e calcados no egoísmo humano.

Infelizmente, uma grande parte das pessoas está ficando cada vez mais perversa e insensata. Quando o bandido, seja ele colarinho branco PHD ou analfabeto, quer praticar o mal, pratica na maior tranquilidade e sem  dó e nem piedade. Aqui no Brasil não é diferente, tanto que há uma crise política muito grave em nosso país.

Nessa esteira de corrupção até o nosso presidente prevaricou vergonhosamente e ainda quer que nós, o povo brasileiro, acreditemos que ele está sendo caluniado. E tem mais, não bastasse suas peripécias, formou um staff onde a maioria merece prisão perpétua e mesmo assim ele ainda tem a coragem publicamente de tentar convencer o povo que ele é o “cara”, mesmo estando, conforme a mídia, enrolado nesse poço da corrupção.

Não dá para entender como uma pessoa de bem recebe em sua residência a visita de um empresário alvo de algumas operações da Policia Federal. Não dá mesmo para engolir goela abaixo tal descalabro. Por que esse encontro não foi de dia e às claras e sim às 23h? E por que tinha que ser no Palácio Jaburu e não no Palácio do Planalto?

O empresário canastrão informou ao Temer que tivessem nas mãos dois juízes e um procurador. Que declaração imoral! Nessa hora Temer, honrando a lei e o povo brasileiro, deveria ter chamando a polícia para prender em flagrante esse empresário corrupto, porém e ao contrário protegeu esse homem. Por que será, hein?

A verdade mesmo é que estamos vivendo numa sociedade totalmente desorganizada onde os políticos se apropriam de milhões em propinas sem nenhum escrúpulo, enquanto a maior parte da população se almoça não janta. E o pior é que o petrolão parece que não para de avançar.

Estamos num beco, mas temos que acreditar que nele há uma saída e para isso temos que nos conscientizar que nosso presidente perdeu as condições morais e políticas para continuar sendo o nosso representante no Palácio do Planalto e como solução, só há uma saída: prender todos os corruptos e eleições diretas já!

*Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT


Amazonas poderosa - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“O passado somente serve para se evitar cometer os mesmos erros”. (Waldo Vieira)

Não sei se você se lembra. Há cerca de vinte anos escrevi uma matéria contando o causo do professor de português que, em férias, tentou corrigir uma placa numa alfaiataria. Ele falou com o dono da alfaiataria e sugeriu que o homem corrigisse a palavra. A palavra águia estava sem o acento agudo. O alfaiate olhou e comentou:

- Onde é que você tá vendo a águia aí, moço. O que está escrito aí é AGUIA de ouro e não águia de ouro.

Fiz duas tentativas, para a publicação, mas alguém “corrigia”, colocando o acento agudo na palavra caipira, águia.

Por incrível que pareça hoje está acontecendo a mesma coisa. Mandei uma matéria falando que “Talvez a Amazonas tenham mostrado isso”. E não sei por que, “corrigiram” para: “Talvez a Amazonas tenha mostrado isso”. Tomara que meu grande amigo Plínio Vicente tenha lido esse despropósito, hoje. Quem “corrigiu” não percebeu que eu estava me referindo às grandes guerreiras da mitologia grega, as Amazonas, e não ao Estado do Amazonas ou à Amazônia. Mas fica aqui uma solicitação: por favor, não mexam mais no meu trabalho. Sempre me responsabilizo pelos meus erros. E erro como todo ser humano normal. Deixem sempre como está. Agradeço.

E como o assunto de ontem foi mulheres, vamos continuar falando. Por que você tenta tanto, mostrar que é igual? Todos nós, pessoas normais, sabemos que você é superior. Cabe a você mostrar que estamos certos, mostrando apenas o que você é e não o que você quer que pensem e digam que você é. Há um zilhão de falhas na sua estratégia de luta. Procure vê-las na literatura que se refere ao movimento feminista dos anos de mil novecentos de doze. É uma história fantástica para o engrandecimento do valor feminino. Mas não lute por igualdade ou por superioridade. Porque quando somos superiores sabemos respeitar as diferenças. E estas estão nas diferenças de ações e atuações, referentes aos dois sexos. Cada um na sua, mas sem deixar de agir mostrando superioridade na racionalidade. Vá em frente.

Charles Chaplin nos dá uma sugestão grandiosa para nos atentarmos: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaio. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peças termine sem aplausos”. Não há um bom ator sem uma boa apresentação. E todos nós, independentemente do nosso sexo, somos atores no palco da vida. E não nos esqueçamos que a simplicidade é um dos maiores papéis que desempenhamos. E é na simplicidade que mostramos quem realmente somos. Melhore sempre. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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