Por Opinião
Em 17/08/2017

Valorizar o professor, eis a questão! - Flamarion Portela *

Começo com o exemplo que o Japão dá ao mundo: qualquer pessoa que passar em frente ao Imperador é obrigado a reverenciá-lo, exceto o professor. O Primeiro-Ministro faz esse cumprimento, ministros de tribunais superiores, médicos, jornalistas e todos da sociedade. Só o professor está isento de tal cumprimento.

Além dessa enorme distinção, o professor está entre os profissionais com maior remuneração, desfruta de plenas condições de trabalho e de enorme respeito da sociedade.

A Educação é a ferramenta transformadora da vida das pessoas e de toda uma nação. Esse poder transformador passa, necessária e indispensavelmente, pela figura do professor. Valorizá-lo, respeitá-lo, é dever de todos. Dos pais, da sociedade como um todo, do poder público e, principalmente, dos alunos.

Um país gigantesco como o Brasil, com 14 milhões de analfabetos, não prioriza a educação, não valoriza o ensino, a escola e o professor. Uma vergonha! O governo do presidente Michel Temer (PMDB) está desmontando todas, absolutamente todas as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), evidenciando que não há uma política de Estado e sim de Governo, ou seja, uma discute, elabora e faz (com a aprovação do Congresso) e o sucessor desfaz. Uma vergonha para o Brasil, que assiste a tudo isso passivamente.

Países que incluem a Educação como política de Estado alcançaram avanços sociais e econômicos extraordinários. Um grande exemplo é a Coréia do Sul, que hoje é uma das nações mais bem sucedidas no cenário mundial. Lá, o professor desfruta de condições de trabalho e está entre os profissionais mais bem remunerados. A sociedade sul-coreana venera o professor e enxerga a escola como caminho indispensável para consolidar o sucesso.

Eu sou fruto da escola pública do início à universidade, e tenho consciência absoluta de quanto a Educação transformou minha vida e, consequentemente, de minha família. Portanto, não aceito o que estão fazendo com as nossas instituições de ensino superior. Cortaram, praticamente, 50% de todos os recursos destinados a elas. Uma vergonha!

Apesar de toda essa lástima, convido as famílias a acreditarem na educação, na escola e a valorizar e respeitar o professor. A participar mais da vida educacional dos seus filhos, frequentando a escola e acompanhando o desenvolvimento pedagógico deles. Metade do dia, nossos filhos estão na escola e, acompanhar a evolução do processo ensino/aprendizagem deles é obrigação de todos os familiares.

Não há escola sem professor. Não há Educação sem professor. Sem o professor não há transformação nas nossas vidas, portanto, vamos abraçar e valorizar nossos mestres.

Viva o professor!

*Deputado estadual e ex-governador de Roraima


A escola é um mundo - Pedro Augusto Hercks Menin*

Quando olhamos para uma escola, pensamos imediatamente em crianças e jovens estudando em um lugar que existe para que as pessoas aprendam. Mas, o que é escola? Essa pergunta foi feita pelo professor José Pacheco, um dos criadores da famosa Escola da Ponte, a um grupo formado por professores da Escola Caranã e docentes e alunos da Universidade Federal, todos envolvidos em um pretencioso projeto que tem por objetivo criar uma escola que seja o lugar em que as pessoas possam, ao mesmo tempo, estudar e serem felizes. Mas não sei se sabíamos uma boa resposta para “o que é uma escola?”

Todos temos uma escola ideal na cabeça, mas a escola real, longe dessa escola ideal, é um lugar que tem muitos alunos sofridos vindos de famílias sofridas, pois pais que não cuidam bem de si mesmos, não cuidarão bem de seus próprios filhos ou de quem quer que seja. Há também tantos professores sofridos, que também não cuidam bem de si mesmos e que se sentem culpados por não fazerem mais pelo próximo, sem perceber que também não fazem mais por si mesmos. Há também muita crítica: a escola critica a família e a família critica a escola, professor critica aluno e aluno critica professor, tudo isso criando divisão onde deveria haver união.

Já disse o poeta Caetano Veloso que gente nasceu para brilhar, e isso vale para todo mundo. Aquele aluno que faz bagunça e atrapalha a aula está a dizer: “Se você não me ama, me odeie, mas olhe para mim, não me ignore!” O contrário do amor, não é o ódio como a maioria pensa, mas a indiferença. Muitos vão para a marginalidade porque preferem ser odiados a serem ignorados. E, puxa, é tão fácil tirar nossos alunos da marginalidade! Basta não ignorá-los, fazer com que eles sejam notados pelas coisas boas que trazem, e não pelas coisas ruins que fizeram ou fazem para chamar a atenção. “Se não me ama, me odeia, mas olhe para mim” – lembra?

O professor José Pacheco, conhecedor da educação amorosa que nos ensinou o saudoso educador Paulo Freire, nos fala da “pedagogia do abraço”. A gente abraça aquela criança, aquele jovem que fez algo errado, e diz a ele que as ações que fez não são dignas dele, porque ele não é um bandido, um perdido, mas ele é nosso amigo e queremos sempre o bem para nossas pessoas queridas. E esse aluno se salva. Simples assim! Esse aluno aprende a tratar a si mesmo imitando como seus cuidadores o tratam (isso aprendemos com Vygotsky!), e esse cuidador aqui é o professor fazendo o que a família muitas vezes não consegue.

E é preciso que esse educador também seja abraçado, junto com esse aluno, com a família, a comunidade, em uma escola que seja um lugar de gente feliz! É o que queremos fazer.

*Professor da UFRR


Somos o que somos - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual... Somos seres espirituais passando por uma experiência humana.” (Pierre F. Chardin)

E essa experiência já se arrasta por vinte e uma eternidades. O que indica que não temos progredido. Então está na hora de acordarmos e partirmos para o campo evolutivo. Que é onde devemos mostrar o que somos, e vivermos o que realmente somos; iguais nas diferenças, mas procurando ser o melhor a cada momento. E para isso devemos começar com a racionalidade que ainda está em fase de experiência. Porque só quando soubermos realmente o que somos seremos o que realmente somos. Simples pra dedéu.

O ser humano, por ser humano só evoluiu através da violência. Até mesmo quando esta nos parece ser parte da vida. Assistindo, casualmente, a uma balbúrdia, ocorrida num estádio de futebol, depois de um jogo, refleti: por que ainda queremos vencer através da violência? Ainda não aprendemos o que os sábios nos ensinam através dos tempos; que os competentes não competem. Eles fazem o que devem fazer como deve ser feito, e vencem. E por que os técnicos não aprendem isso para passar para seus atletas? E por que a Educação não tem, incluída em sua grade, esse ensinamento? Eu sei.

Nunca tente mostrar que é superior, apenas seja. Quando somos não precisamos dizer que somos. Tudo que você fizer na sua vida procure fazer da melhor maneira que puder fazer. E você sempre pode se superar. Você nunca vai atingir a perfeição. Os realmente competentes sabem disso. E é por isso que conseguem ser sempre o melhor. Os que sabem o que fazem, sabem que sempre podem fazer melhor, da próxima vez. E é isso que os mantém como simples. A simplicidade, de per si, já é uma grandeza.

É na sua presença que você mostra quem você realmente é. E não tem por que se preocupar com isso, porque quando você se preocupa está tentando mostrar o que você não é. Sua postura, seu sorriso, seu falar, sua maneira de se expressar, tudo isso está em você. É só você saber e acreditar nisso, sem a preocupação da demonstração. Se você quer mostrar o que você realmente é, seja o que é. E é só isso. Por que tentar se mostrar? Quando você se preocupa muito com sua beleza física é porque está tentando mostrar o que gostaria de ser.

Cuide-se se amando. Quando nos amamos, amamos a todos. Se se preocupar muito com a maneira de amar vai naufragar. O amor é único. Não há amor grande nem pequeno, nem feio nem bonito. Ele é único, verdadeiro e não deve se misturar com paixão nem ciúme. É ele que constrói a felicidade que você demonstra com sua presença. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

Opinião
jesse@folhabv.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!