Por Parabólica
Em 24/01/2017

Bom dia!

O que há de errado com a administração pública brasileira? De Norte a Sul, de Leste a Oeste, o que se vê neste país tupiniquim é um descalabro quase total. Com raras e honrosas exceções, estados e municípios prestam serviços educacionais do pior nível em suas respectivas áreas de competência. Escolas caindo aos pedaços, material didático da pior qualidade e até falta de merenda são o que os estudantes vão encontrar no retorno das férias na maior parte dos educandários. Para não falar na insatisfação de professores, que reclamam constantemente dos salários e das sofríveis condições de trabalho.

Na área da Saúde Pública, o quadro se apresenta igualmente desolador. Na esfera municipal, o que mais se vê, país afora, são postos de saúde também caindo aos pedaços, médicos inexistentes ou insuficientes, falta de remédios e de exames laboratoriais dos mais simples aos mais sofisticados. No âmbito dos estados, hospitais e clínicas ambulatoriais, que também apresentam os mesmos problemas dos postos municipais, inclusive, com reclamações constantes sobre a falta de realização de cirurgias, algumas vezes de urgência.

O que é mais absurdo é que o Brasil criou, já faz décadas, dois sistemas para definir as competências de cada esfera de governo, bem como na definição de fontes de financiamento para esses dois setores que deveriam ser prioridades dos governos, porque são direitos constitucionais dos cidadãos. No caso da Educação, existe o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que teoricamente financiaria estados e municípios, a partir do custo efetivo anual de alunos matriculados na rede municipal e na rede estadual.

Já para a Saúde Pública, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), com definição das competências para cada nível de governo (federal, estadual e municipal), bem como com valor per capita para cada serviço prestado à população. Também aqui a choradeira, verdadeira ou mentirosa, é geral no sentido da reclamação sobre a falta crônica de recursos. Falta, inclusive, a vontade política dos administradores estaduais e municipais decidirem realmente trabalhar em regime de cooperação. Ao contrário, em saúde pública eles preferem competir.

CENÁRIO 1
Um experiente observador da cena política local disse ontem, à Parabólica, que até agora existem quatro pré-candidatos ao governo estadual já em aberto com vistas às eleições de 2018. São eles: Airton Cascavel (PPS), José de Anchieta Júnior (PSDB), Luciano Castro (PR) e a governadora Suely Campos (PP), candidatíssima à reeleição. Como estamos ainda a quase um ano e meio das convenções, é possível que surjam novos nomes até lá. O mesmo observador, garante, entretanto, que não vislumbra nomes mais fortes do que estes para a corrida rumo ao Palácio Hélio Campos a partir de janeiro de 2019.

CENÁRIO 2
É claro, cada candidato ao governo terá um, ou mais de um, companheiro de chapa. Neste caso, para disputar as duas vagas para o Senado Federal, que serão renovadas na eleição de 2018. No caso da governadora Suely Campos, tudo indica que uma de suas companheiras de palanque será a senadora Ângela Portela (ainda no PT). O companheiro de chapa de Luciano Castro será muito provavelmente o senador Romero Jucá (PMDB), caso este consiga estancar a sangria da Lava Jato, mesmo após mais de uma dezena de citações nas delações premiadas. Cascavel e Anchieta ainda estão tentando costuras políticas para definir os respectivos parceiros de palanque em 2018.

EMPRESÁRIOS
Alguém poderia acrescentar, neste cenário de prováveis candidatos ao Governo do Estado, um nome saído do empresariado local, afinal, as recentes vitórias de Donald Trump (nos EUA) e de João Dória Júnior (em São Paulo) têm alimentado as ambições de muita gente que sonha tomar o poder político estadual das mãos dos políticos profissionais. Nosso observador político não acredita muito nessa hipótese, afinal, o setor privado roraimense é disperso, não tem peso significativo na formação do Produto Interno Bruto do Estado, e ainda carece de lideranças mais significativas, capazes de unir a classe, para a formatação de um plano de desenvolvimento para tirar Roraima do atoleiro, que é a economia do contracheque chapa branca.

DUROU POUCO
Já está virando rotina, no Brasil, essa história de juízes de Primeira Instância emitirem decisões que logo depois são revogadas pela Segunda Instância, seja em decisão monocrática ou de colegiado. Mais uma vez, um juiz federal de Brasília decidiu que a reeleição do deputado carioca Rodrigo Maia (DEM) era inconstitucional, por determinação clara da Constituição Federal. Pois bem, menos de uma semana após, um desembargador federal, também de Brasília, cassou a decisão de Primeira Instância, e Maia, por enquanto, pode disputar a reeleição. Eita, Brasil do jeitinho!

PERDA
A Parabólica faz questão de prestar uma homenagem singela, registrando a morte da senhora Alice Aragão, ocorrida no domingo, 22, aos 91 anos, aqui em Boa Vista. D. Alice, uma doce senhora, era viúva de Dico Aragão, um amazonense que viveu a maior parte da vida em Roraima, tendo exercido um papel fundamental para a disseminação da cultura e da informação entre os roraimenses nas décadas de 60 a 80, do século passado. Era ele quem trazia para Boa Vista jornais e revistas nacionais, numa época em que sequer havia jornais locais e televisão. Gente humilde e quase anônima da nossa história.

Comentários
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!