Por Parabólica
Em 23/05/2017

Bom dia!

E o Brasil que já vinha cambaleante, parou de vez, desde que o presidente da República recebeu quase na calada da noite, no Palácio do Jaburu, hoje residência presidencial, um empresário já investigado pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal sob suspeita de práticas criminosas envolvendo desvios de recursos públicos. O empresário em questão, todos já sabem, é o empresário goiano Joesley Batista, um dos donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo, que gravou a conversa mantida com o presidente da República naquele encontro, meio clandestino realizado no palácio residencial presidencial.

Desde então, o mercado acionário do Brasil entrou em parafuso - baixas tão elevadas que levaram a suspensão da compra e venda de ações-, e alta expressiva da cotação do Dólar em relação ao Real. E a reação não parou por aí, o Congresso Nacional - Senado Federal e Câmara dos Deputados - suspenderam as sessões plenárias e foram paralisados os trabalhos, inclusive, nas comissões que tratam da reforma trabalhista e previdenciária, tidas pelo próprio governo como fundamentais para a superação da crise econômica. De igual modo, a presunção é que o chamado mercado também entrou em compasso de espera, na medida é que o mundo empresarial adia suas decisões até que a crise política seja contornada.

Como resposta às acusações de crime de responsabilidade - o Supremo Tribunal Federal (STF) já instaurou processo criminal de investigação contra o presidente da República -, Michel Temer já fez dois pronunciamentos oficiais dizendo que não vai renunciar, e tenta se manter no cargo alegando que as medidas que vem tomando no campo econômico já estão dando resultado e cita especialmente a queda da inflação, a redução de juros e a criação de 60 mil empregos em abril último. São argumentos, que ninguém com a mínima isenção aceita como verdadeiros, pois entre outras coisas, são números que podem não se sustentar num futuro próximo.

Quando os assessores e sua base política mais próxima perceberam que esses argumentos não seriam capazes de segurar Michel Temer no Palácio do Planalto, seus advogados, escolhidos entre os melhores criminalistas tupiniquins, decidiram questionar a validade legal das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista. Enquanto tentam atrasar o processo de apuração dos eventuais crimes atribuídos ao presidente, os políticos a ele ligados umbilicalmente tentam fazer voltar o funcionamento do Congresso Nacional, para tentar convencer a opinião pública nacional que o Brasil está funcionando normalmente, apesar de ter um presidente que recebe, na calada da noite, um bandido travestido de empresário, já investigado pelos órgãos públicos de investigação.

ERA ESPERADO
E depois de ficar uma semana sem fazer qualquer pronunciamento a respeito da convulsão que tomou conta do país - a expressão foi utilizada pelo advogado do presidente Michel Temer - depois da divulgação das conversas gravadas por Joesley Batista da conversa noturna entre ele e o presidente da República, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), decidiu falar. E falou para dizer, com todas as letras, que não irá acatar nenhum dos 14 pedidos de abertura de impeachment contra o presidente Michel Temer. Assim, sem qualquer análise mais acurada, ele jogará na lata do lixo todos esses pedidos, inclusive, o que virá da Ordem dos Advogados do Brasil.

SUMIDOS
E muitos brasileiros já perceberam que dois dos maiores citados em vários processos investigatórios sobre a roubalheira revelada pela Lava Jato, os senadores peemedebistas Renan Calheiros e Romero Jucá sumiram do noticiário. As revelações de Joesley Batista jogaram na ribalta da bandalheira nacional apenas Michel Temer, Aécio Neves e aquele deputado federal paranaense. Sobre esse aspecto, esses escândalo mais recente caiu como uma luva para os campões de citação em envolvimento no recebimento de propina. E pelo menos um deles, Romero Jucá, não sai do Palácio do Planalto, assessorando o presidente a sair da enrascada onde foi metido. E parece que essa gente é competente nesse mister.

LAMA
E esses políticos que restaram considerados canalhas pelos indícios de recebimentos de propina, já montaram a estratégia para a disputa eleitoral em 2018. Sabedores que disputarão as eleições como expressão maior do que de pior temos em matéria de política, esses políticos tentarão puxar para a lama fétida de corrupção o maior número de possíveis adversários na eleição do próximo ano. E qual o objetivo? Ora, se os eleitores e as eleitoras ficaram convencidos de que todos são ladrões, o voto será decidido em favor de quem pode pagar por ele, na base do convicto cínico de que é melhor votar em que “rouba, mas faz”. E o pior é que tem muita gente entrando nessa onda.

SEM
A Parabólica recebeu cópia da planilha de contribuições financeiras - com registro na Justiça Eleitoral - à campanha da senadora Ângela Portela (PTB) para o Governo do Estado em 2014. Na planilha, não consta qualquer contribuição de empresas, locais ou nacionais, àquela campanha. Fazemos o registro por dever de consciência, especialmente, depois que um diretor da JBS disse em depoimento gravado que a empresa teria “pagado propina” à campanha da senadora “para o Senado” em 2014. Além da imprecisão dos fatos, é preciso diferenciar claramente financiamento de campanha, de pagamento de propina, esta ocorre em retribuição à prestação de um serviço sujo, como por exemplo, a venda de Medidas Provisórias.

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