Por Jessé Souza
Em 25/11/2017

Troféus da balbúrdia na Polar

Há muito tempo eu não ia ao balneário da Polar, que fica em um dos afluentes do Rio Branco, no bairro Paraviana, na zona Norte da Capital. Por ficar na área urbana, é bastante frequentado por pessoas que querem uma diversão sem se distanciar muito da cidade. Só para ilustrar, o nome do local é originário de uma cerveja venezuelana que era muito apreciada na década de 1990, nos tempos em que era o roraimense que fazia a “festa” na Venezuela nos tempos de vacas gordas do petróleo.

Anos depois, no feriado estadual de segunda-feira passada, Dia da Consciência Negra, em memória de Zumbi dos Palmares, estive por lá com um grupo de amigos para um dia de lazer. Apesar das crescentes agressões da ação humana, a praia ainda mantém um cenário agradável, com uma praia em boas condições.

Porém, ao passar do meio-dia, o cenário de tranquilidade, com famílias se divertindo no balneário público, começou a se transformar com a chegada de carros de grande porte, as picapes, cujos condutores não se contentaram em deixar seus veículos no lugar correto, no estacionamento, fora da praia.

Enquanto uns postavam-se à beira do rio, como se fossem troféus, outros circulavam pela margem do rio, como se fossem os donos do pedaço, em acintoso desrespeito às pessoas e às normas de trânsito. Como não havia qualquer tipo de fiscalização, quem estivesse incomodado que se retirasse.

Para piorar o que já era ruim, o dono de uma dessas picapes ligou o som a um nível insuportável, a ponto de as músicas serem ouvidas no local mais distante da praia. Não eram necessariamente músicas, mas aquela mistura de nada com coisa nenhuma. Tudo bem que gosto não se discute, mas isso não quer dizer que todos sejam obrigados a ouvir o mau gosto de quem quer chamar a atenção de alguma forma.

Quem buscava tranquilidade de um feriado teve que ir embora diante daquela balbúrdia: transgressão ao trânsito das mais infames, poluição sonora no mais alto nível e da falta de respeito com a coletividade. E tudo isso sem qualquer tipo de fiscalização, ainda que aquela praia pública fique a poucos metros de uma área nobre da cidade.

Enfim, é impressionante a personalidade de quem quer impor ou ser notado aos olhos dos outros de alguma forma, como se sentissem necessidade de exibir seus troféus, como o reluzente carro e o estridente som, além de externar o caráter de quem passou pela adolescência e não amadureceu.

*Jornalista
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Jessé Souza
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