Por Jessé Souza
Em 22/07/2017

A vez dos patinhos amarelos
 
Lembram-se do patinho amarelo, símbolo criado pelos empresários paulistas para pressionar o impeachment de Dilma? Pois bem, o governo Temer cuspiu no prato que comeu e comprovou, mais uma vez, que quem vai pagar o pato é a sociedade brasileira, incluindo os próprios empresários, ao tomar uma medida que aumenta o preço dos combustíveis.

O roraimense caminhava animado com a queda no preço da gasolina para quem compra no dinheiro ou no débito. Alguns postos chegaram a baixar o preço do litro para R$3,30. Foi um grande avanço, levando em consideração que a gasolina quase chega a R$4,00, no início do ano. Mas...

Com o aumento dos impostos federais que incidem sobre o preço dos combustíveis, a gasolina e etanol devem ter o preço reajustado a qualquer momento. Tudo porque o governo precisa arrecadar de forma imediata, para cobrir  o rombo que os corruptos deixaram, e somos nós que vamos pagar por isso, mais uma vez.

Esse reajuste é resultado do enfraquecimento político do governo Temer no Congresso, onde suas lideranças não conseguiram apoio necessário para adotar outras medidas que não essa que mexe no bolso de todos os brasileiros, mesmo dos que não têm carro ou moto.

Acuado pelo pedido de abertura de processo feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção passiva, Temer transformou seu governo na maior feira-livre do toma-lá-dá-cá. Ele liberou R$ 1,8 bilhão em emendas parlamentares, em junho, para que os deputados votassem contra a abertura do processo.

O balcão de cargos públicos também foi aberto e, mais recentemente, até mesmo a bancada ruralista foi agraciada com uma medida que atenta contra os direitos indígenas. Enfim, o governo Temer usa e abusa da estrutura do governo e manda a conta na gasolina para o brasileiro pagar.

Agora não se trata apenas de manter o grupo no poder, pois Temer está acuado pela opinião pública e sendo rifado por aqueles que já visualizam uma eleição indireta de um presidente tampão até as eleições gerais em 2018.

Então, todo esse vale-tudo do toma-lá-dá-cá de Temer é pelo foro privilegiado, pois, se destituído do cargo de presidente, ele teria de responder por todas as acusações, que os procuradores fizeram e que ainda vão fazer. É por isso que ele quer resolver tudo na Câmara, aliciando deputados e agradando quem se mostra indeciso.

Essas manobras estão custando muito caras para o país, pois a fratura está exposta e não se sabe aonde tudo isso vai parar. Definitivamente, ficou escancarado o descaramento dos políticos para se livrarem da Justiça. E, no final, a conta fica para o povo.

*Jornalista
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Jessé Souza
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