Por Jessé Souza
Em 24/05/2017

Maluf, o símbolo desse país
 
Como já escrevi aqui, outras vezes, o autor da frase “Rouba, mas faz”, o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), se tornou o símbolo da impunidade no Brasil e a comprovação da benevolência da Justiça com os corruptos com influência política. Como tudo por aqui vira piada, Maluf acabou se tornando até personagem de programa humorístico e que, em vez de odiado e punido exemplarmente, foi cultuado como uma personalidade caricata.

Então, com décadas de atraso, a mais alta corte da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu ontem cassá-lo do cargo de deputado federal por São Paulo e condená-lo à prisão por 7,9 anos em regime fechado. O processo se arrasta desde a década de 90 e só isso é suficiente para comprovar como corrupto é tratado no país da corrupção.

De tão seguro da impunidade e incorporando sua caricatura a que estava habituado como personagem de humor, Maluf chegou a ironizar comemorando nas redes sociais por não estar na lista das delações premiadas da Lava Jato. Era muita certeza de que nada aconteceria com ele no país da bandalheira.

Não custa lembrar que Maluf  usou contas no exterior para lavar dinheiro desviado da Prefeitura de São Paulo. É o mesmo crime praticado por muitos outros políticos envolvidos na Lava Jato. Para se ter uma ideia, um levantamento feito pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça, aponta que R$1,2 bilhão foi enviado ao exterior por criminosos nos últimos dez anos.

Desse valor que saiu dos cofres públicos, apenas R$ 45 milhões retornaram ao país, o que significa um pouco mais de 3% do que foi desviado pelos corruptos da política brasileira em conluio com as grandes empresas que enriqueceram se locupletando dos recursos públicos.

Talvez, se Maluf não fosse ironizar nas redes sociais, o STF não tivesse dado uma resposta imediata, uma vez que aquela Corte já está acostumada a encontrar brechas judiciais para livrar da prisão os criminosos de gravata. Afinal, as últimas gravações da “delação Friboi” mostram que existia a compra de magistrados e de até um membro do Ministério Público Federal.

Que ninguém se engane com a condenação de Maluf. Caso ele seja realmente preso, não demorará a ganhar liberdade. Se duvidar, toda essa avalanche política logo passará e o sistema encontrará uma forma de livrar a maioria da prisão. Não podemos esquecer que o Brasil é, antes de um país de políticos corruptos, um país da impunidade.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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