Por Jessé Souza
Em 09/08/2017

A ameaça vem de dentro

Embora tenham fortalecido as paranoias de que existiria uma ameaça externa rondando o país, como se tem pregado por aí, como o comunismo e até mesmo a chegada do islamismo, na verdade isso nada mais é do que um movimento para desacreditar a democracia e confundir o povo, este cada vez mais exposto a esse bombardeio barulhento.

A grande ameaça do Brasil parte de dentro mesmo, desse grande esquema de corrupção institucionalizada que vem sendo montado desde a reabertura democrática e que desembocou no que estamos vivendo, com esfacelamento das instituições compradas ou manipuladas pelas propinas de grandes corporações que fizeram dos políticos os seus capatazes.

O atentado à democracia não parte mais dos quarteis dos militares, mas de dentro do Congresso, do Palácio do Planalto e até mesmo da mais alta Corte judicial do País, o Supremo Tribunal Federal (STF). Basta constatar que tiraram uma presidente eleita democraticamente pelo voto, sem ter cometido nenhum crime, para colocar um presidente que está sendo mantido no cargo mesmo tendo sido pego com a mão na alça da mala cheia de dinheiro.

Para se manter, esse presidente fez um dos piores atentos à democracia brasileira, distribuindo cargos, liberando emendas parlamentares, concedendo vantagens e perdoando dívidas previdenciárias (enquanto quer ferrar a aposentadoria do povo alegando rombo na Previdência). Ou seja, foi a maior compra de parlamentares jamais vista, um atentado à democracia.

Essa realidade não é só brasileira. A ameaça à democracia está sendo vista na América Latina, a exemplo da nossa vizinha Venezuela, e lá na América do Norte, onde um presidente autoritário e fanfarrão assumiu os botões da guerra nuclear nos Estados Unidos.

A Europa também tem presenciado os atentados à democracia que partem dos palácios presidenciais, e não mais dos quarteis dos generais (até rimou, mas não foi intenção fazer rima pobre com um assunto tão sério!). E tudo isso com apoio do povo, por meio do voto. Então, torna-se urgente que as instituições democráticas estejam atentas a esse movimento às claras, que avança enquanto muitos ficam fazendo discurso sobre “a volta dos militares”.

Esse autoritarismo vindo dos palácios tem o aval do povo, graças a uma cegueira de achar que a solução sempre está em alguém, de preferência autoritário (não se trata apenas de Bolsonaro), nos militares, no grupo que promete estabilidade, num ídolo ou nos deuses. E assim as pessoas não querem assumir sua responsabilidade com cidadãs e eleitoras. Estamos só cavando mais o buraco nesse fundo do poço.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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