Por Jessé Souza
Em 18/05/2017

A face da enxurrada

Por longos dois anos, Roraima viveu um clima atípico de pouca chuva e, portanto, sem os antigos transtornos ocasionados pelo inverno. Significa que os governantes ficaram durante todo esse tempo sem ser testados, tanto em Boa Vista quanto nos municípios do interior. Bastou cair o primeiro pé-d’água para que a Capital e o interior revelassem a face oculta da falta de infraestrutura básica.

As principais avenidas da cidade se tornaram verdadeiros rios com enxurradas e as vicinais do interior do Estado isoladas pelos alagamentos e atoleiros. Na Capital, além da drenagem precária nas áreas centrais, nos bairros os alagamentos mostraram o quanto as propagandas que passam na TV estão longe da realidade das praças reformadas e flores dos canteiros centrais.

Nos municípios do interior, este atual governo já está chegando ao fim e não solucionou a maioria dos problemas das principais vicinais responsáveis pelo escoamento dos produtos agrícolas. As estradas se tornaram atoleiros e os pequenos agricultores estão largados à própria sorte, isso tanto na zona rural de Boa Vista quanto nos municípios mais distantes do Estado.

As chuvas terminaram por mostrar aquilo que os institucionais dos governos não exibem no horário nobre, pagos a peso de ouro com o dinheiro do contribuinte. E o que os governantes fizeram nesses dois últimos anos sem chuva? Por que não se anteciparam para evitar que os problemas antigos se repetissem ou ao menos se amenizassem?

No interior, as pontes de madeiras estão caindo aos pedaços e as estradas estão intrafegáveis, seja pelas crateras abertas por causa das chuvas ou da lama que se torna atoleiro intransponível para pequenos e grandes veículos. É a falta de prioridade com os agricultores que põem os alimentos na mesa das famílias roraimenses.

Na Capital, as praças com Wi-Fi e bem iluminadas, os canteiros floridos e a belezura das ciclovias contrastam com ruas sem asfalto, vias tomadas pela buraqueira ou no bom estilo “roupa velha remendada com pedaço de pano novo”, além de moradores isolados por imensas lagoas que se formam nas ruas sem drenagem.

No País da corrupção, os administradores públicos continuam não investindo o dinheiro do contribuinte nas prioridades e ações mais urgentes. Eles ficam enganando o cidadão com propagandas e não cuidam de trabalhar para evitar prejuízos e transtornos causados pelas chuvas a cada inverno. Como a memória do povo é curta, certamente ele vai esquecer-se de tudo isso quando for às urnas.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
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