Por Jessé Souza
Em 06/01/2017

Contextualizando

Roraima já circulou nas manchetes dos jornais do Brasil e do mundo pelo massacre de dez presos, no ano passado, quando o país começou a descobrir que retroagimos ao tempo da barbárie, em que presos se confrontam e os mais fortes queimam e esquartejam corpos, além de exibirem a cabeça dos executados como se fosse um troféu, a exemplo do que ocorria em séculos passados nos tempos obscuros da barbárie.

Mas Manaus (AM) conseguiu superar com as cenas de horror ampliadas em uma carnificina já anunciada, uma vez que a realidade roraimense já seria suficiente para que, por lá, se tomassem providências, sabendo que existe um “intercâmbio” entre facções criminosas entre os dois estados. Mas não foi o que aconteceu por alguns motivos.

Um desses motivos é que, no Amazonas, o sistema prisional foi privatizado, ou seja, preso encarcerado lá é lucro, e lucro nesse tipo de comércio significa também menos investimento possível para aumentar a margem.

Afinal, a lógica desse negócio é manter presos o maior tempo trancafiados com menos gasto possível.

Era esse sistema prisional privatizado que o governo anterior queria trazer para Roraima, com o Estado lavando as mãos, porém pagando valores milionários para uma empresa que, também na lógica, com certeza iria ser doadora de recursos na campanha eleitoral.

Exemplo de empresa privada fazendo serviços para o governo já temos por aqui há muito tempo. As terceirizadas contratam mão de obra minimamente qualificada (ou nada qualificada), recebendo pouco e promovendo alta rotatividade, o que facilita a corrupção (no caso dos presídios) e também a descontinuidade de qualquer serviço de qualidade. E foi isso o que aconteceu no Amazonas.

O que precisa ser feito é o Estado retomar os presídios que estão nas mãos do crime organizado, chamar para si a responsabilidade junto com os demais poderes constituídos, incluindo aí o Judiciário, e órgãos, como o Ministério Público. E parece que é isso o que estão tentando fazer a partir da barbárie no Amazonas.

Mas não deve ser só isso. Estão atacando os problemas, mas não as causas. Se não construírem mais escolas e investirem na educação, não haverá presídio que baste para encarcerar cada vez mais presos e com idade cada vez mais baixa. Acima de tudo, é preciso combater a pobreza, investir nas crianças e adolescentes. Porém, disso ninguém fala.

Pelo contrário, esse governo que aí está, com apoio do Congresso, ambos tomados por corruptos, acabaram de congelar por 20 anos os investimentos em todos os setores essenciais. E ainda tentam retirar direitos essenciais conquistados pela sociedade a duras penas. Desta forma, estão fabricando mais marginais, que logo estarão engrossando os presídios.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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