Por Jessé Souza
Em 14/04/2018

Dos golpes ao abandono


A Serra dó Tepequém é o ponto turístico mais conhecido e visitado de Roraima, principalmente por turistas amazonenses que, ao primeiro feriado, vêm para cá a fim de aproveitar as belezas naturais do local e o clima serrano característico daquela região. Porém, é um local esquecido pelo poder público que não consegue adotar uma política efetiva para fomentar o turismo, nem mesmo garantindo estrutura para que os empreendedores da localidade respirarem um pouco.
A buraqueira na estrada de acesso, a RR-203, é apenas uma face desse descaso, que acaba largando ao abandono toda uma população que vem sendo alvo de seguidos golpes institucionais ao longo dos tempos pós-garimpo de diamante. Só para refrescar a memória, já houve a promessa da pedra-sabão, a enganação da criação de peixe, o golpe do morango (quem terá ficado com a grana?!) e, mais recentemente, a falácia do projeto de construção de obras estruturantes.
De verdade mesmo, foi construída uma ponte de madeira no acesso à Cachoeira do Paiva, cuja placa de inauguração para enaltecer o governo deve ter custado mais caro que a estrutura da ponte. Ah! E a instalação de placas nos pontos turísticos que não resistem à força do vento no Platô, um dos pontos mais visitados pelos amantes do turismo radical.
Para golpear ainda mais aquela população e os empreendedores que comem o pão que o diabo amassou, chegou o órgão Serviços da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que "congelou" tudo por lá, proibindo moradores e donos de pousadas a fazerem qualquer obra, nem que seja uma simples reforma do que já está construído e estabelecido. É um duro golpe em quem investe ali, como se todos por lá passassem à condição de invasores ou intrusos querendo dilapidar bens que a União sequer um dia ligou para investir em favor da comunidade largada a Deus-dará.
Além do abandono histórico e o desleixo governamental, agora as pessoas que ali moram ou têm seus negócios vivem aterrorizadas por quem deveria ajudá-los, encontrando consensos, e não passando a fita do congelamento, enquanto se discute a quem pertencem aquelas terras, se ao Estado ou à União, não bastasse o tempo que parou quando se fala em investimento do poder público para estruturar e organizar o turismo.
Em Roraima, é assim: há muitos donos para se declarar autoridade, mas ninguém para levar políticas públicas e apoio. Enquanto isso, o turista que gera emprego e renda sofre até para chegar por meio das vias esburacadas, enquanto a população e os pequenos empreendedores ficam sitiados dentro de suas propriedades. O Tepequém precisa de ajuda, e não de imposições governamentais autoritárias.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com,br

Jessé Souza
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