Por Jessé Souza
Em 12/06/2018

Estamos em um beco sem saída

A cada início de semana, a imprensa estampa em suas manchetes a contabilidade da criminalidade no Estado, com número de mortos tanto na Capital quanto no interior do Estado, especialmente no Sul de Roraima. As execuções com desova dos corpos tornou-se rotina a qualquer dia, mas os fins de semana são os preferidos do crime organizado porque aos sábados e domingos a demanda das polícias aumenta, inversamente proporcional às ações da segurança pública.

E a sociedade não pode esquecer que este atual governo fez mudanças no comando da Polícia Militar, há algum tempo, com o anúncio de que haveria uma forte ação no combate ao crime organizado. Obviamente que isso ficou só na promessa, pois não há como enfrentar criminosos que estão organizados enquanto o Estado está longe de qualquer organização que possibilite fazer frente ao crime.

O sistema prisional aos frangalhos não permite que o governo consiga organizar suas ações, pois quantos mais detentos nos presídios, mais membros são cooptados pelas facções, que tomaram as rédeas da situação. E os presídios passaram a ser organizados por facções criminosas, com presos divididos de acordo com a facção às quais pertencem ou simpatizam.

Desta forma, estar encarcerado não significa garantia de que os bandidos continuarão cumpridos suas penas, segregados da sociedade, pois as fugas e tentativas de fugas são constantes, inclusive houve registro de mais uma tentativa de fuga em massa na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), um dos quarteis generais do crime organizado, de onde partem as ordens para execuções em acertos de conta, tráfico de drogas, reuniões e cobrança de mensalidades.

Nem contar os presos o Estado consegue mais, muito menos há um estudo sobre o sistema prisional e a atuação das facções dentro das unidades prisionais, o que dificulta uma ação minimamente organizada pelos setores da segurança pública. Além disso, os agentes do governo precisam se dirigir aos chefes de alas, que por sua vez geralmente fazem parte do crime organizado.

Enquanto isso, o governo não consegue concluir as reformas dos presídios e existem até setores que já passaram por reformas, na Pamc, mas foram destruídos nos constantes motins e tentativas de rebelião. Na Cadeia Pública, uma obra inacabada é o símbolo da vergonha. E a conclusão é óbvia: se não consegue ter o controle do sistema prisional, também não terá como enfrentar a crescente criminalidade. E assim o crime só avança, para o desespero da população. É um beco sem saída.

*Colaborador
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com/main

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
ARIMATÉIA disse: Em 12/06/2018 às 04:20:48

"A mais absoluta realidade. Enfatizo que não é tragédia apenas de Roraima e sim do Brasil. Fruto dessa vergonha chamada democracia que, de tão permissiva, deixa Corruptos dos três poderes da república fulminar os cofres públicos corriqueiramente."

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