Por Jessé Souza
Em 07/08/2017

Ética e cantada de pedreiro
 
Não há mais desculpa para o eleitor que vai às urnas em 2018. A votação na Câmara, na semana passada, que enterrou o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para processar o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção, mostrou, um a um, quem são os deputados federais que nos representam em Brasília. Todos desfilaram ao vivo na TV para quem quisesse ver.

A patifaria foi tão grande que um dos deputados nem se incomodou que a sessão estava sendo transmitida ao vivo para todo o Brasil e chamou a deputada Shéridan (PSDB) de “gostosa”, mesmo ela não tendo comparecido à Câmara para cumprir o que prometeu, contribuindo desta forma para o “sim” a favor de Temer. Esse parlamentar transformou os “chavecos” de pedreiro em algo banal.

Com todo esse cenário, é possível afirmar que um dos grandes males desse país não é tão somente a crise financeira e política. O Brasil sofre de uma grave crise moral, em que o cidadão pode até sentir vergonha de dizer em público que apoiaria este ou aquele parlamentar, mas não se incomoda de ter um presidente denunciado por corrupção com amplas provas materiais, com trânsito de maleta filmado e com falas gravadas.

É o tal do “jeitinho brasileiro” que foi elevado à máxima potência, comprovando que o povo tem o governo e os políticos que merece. E vamos caminhar para uma eleição, no ano que vem, cheios de incógnita e incertezas. Ao não ir às ruas para protestar e pedir o “Fora Temer”, o eleitor brasileiro deu o recado de que acredita que ruim com Temer poderia ser pior sem ele, ou seja, sem saber quem conduziria a nação, deixou para fazer a mudança em 2018.

Porém, diante desta crise moral e ética, o brasileiro saberá escolher seus novos representantes? Ou irá ser apenas mais do mesmo, reconduzindo os propineiros, os negociadores de mamatas, os sem-pudor que não deixam nada a desejar a uma cantada de pedreiro?

Com a oficialização da corrupção no país, será muito difícil acreditar que o brasileiro saberá mesmo fazer a faxina que o Brasil precisa para tirá-lo do buraco. Afinal, Temer é o representante máximo desse país da esculhambação, em que praticar negociatas para se manter no governo e movimentar maletas de dinheiro de propinas são a representação ao nível máximo do jeitinho que os brasileiros dão para levar vantagem em tudo.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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