Por Francisco Cândido
Em 18/04/2018

LUIZ CANUTO CHAVES
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Luiz Canuto Chaves, cearense de fibra, ainda jovem, solteiro, saiu do interior, juntamente com o seu amigo Manoel Caiana e os dois foram em um caminhão pau-de-arara (caminhão com carroceria de madeira, bancos e coberto com lona) até a capital Fortaleza. Soube que os americanos estavam contratando gente para trabalhar na Amazônia, na extração do látex para fazer borracha. A maior parte dessa borracha seria para a confecção de pneus de avião e de carros. Era 1942 – plena 2ª Guerra Mundial.

Partindo de Fortaleza, Luiz Canuto e Manoel Caiana foram para Teresina no Piauí, depois São Luís, no Maranhão e, por fim, embarcados em navio chegaram a Belém do Pará e de lá até Manaus, no Amazonas, onde foram contratados como “Soldados da Borracha”. O Luiz Canuto foi trabalhar em Eirunepé, e depois em Manicoré, cidades localizadas no baixo rio Amazonas.

A atividade era muito penosa. Tinha-se que sair na madrugada, com uma lamparina (chamada “poronga”) acesa sobre a cabeça, para iluminar o caminho e por vezes enfrentando as feras na selva noturna. Depois de andar horas e horas pelo meio da floresta, o soldado da borracha, tinha que extrair o látex, conduzir o material esponjoso e pesado, depois defumar e, por fim fazer as bolas de borracha para ser exportadas para os grandes centros comerciais, à época, Manaus e Belém do Pará. Não era fácil a vida dos bravos soldados da borracha. O Luiz Canuto passou por essa experiência. E ficaria por muito tempo se não tivesse sido acometido de malária.

Voltou a Manaus e resolveu vir para Boa Vista. A ideia era trabalhar no garimpo, já que em Manaus corria a notícia da descoberta de diamante e ouro na região do Tepequém. Chegando a Boa Vista, em 1953, Luíz Canuto aventurou-se nas matas de Roraima em direção à região de garimpo. Trabalhou poucos meses, pois novamente contraiu malária e voltou para Boa Vista.

Em seu retorno, reencontrou, depois de 15 anos, o amigo Manoel Caiana, que estava morando em Boa Vista (na Avenida Glaycon de Paiva, em frente ao prédio Latiffe Salomão).

Conversando, ouviu a sugestão do amigo para deixar a vida de garimpo e fosse trabalhar em outra atividade. Seguindo este conselho, Luiz Canuto, em sociedade com o senhor Jackson de Barros Vila, que possuía um carro com carroceria de madeira, passou a transportar pessoas e mercadorias no trecho Boa Vista-Mucajaí.

A viagem durava em média duas horas e meia, numa época em que não havia asfalto e tampouco ponte. Era um lamaçal só. Muitas vezes o carro atolava e ficava horas e até dias enterrado na lama, até que alguém viesse para ajudar a puxar o veículo. E foi assim, com muito esforço, com muito sacrifício, que Luiz Canuto conseguiu sustentar sua família.

Depois ele investiu numa pequena fábrica de Bloquetes, usados para pavimentar ruas e calçadas. O senhor Luiz Canuto foi um homem de personalidade forte, empreendedor e que, com sua fábrica de bloquete, deu emprego a inúmeros pais de família. Ajudou muita gente.

Luiz Canuto Chaves casou-se em Boa Vista com a senhora Maria Necy dos Santos Chaves. O casal teve 17 filhos: Francisco, Noélia, Franco (+), Fernando, Frankimar, Fábio, Canuto Cândido, Carlos, Maria Cecília, Hermes, Nivaldo, Luizalda, Luiz Canuto Chaves Neto, Suzete, Noelina, Emerson e Flávio dos Santos Chaves (o Flávio foi Presidente da Câmara Municipal de Boa Vista e o primeiro Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, na primeira legislatura, em 1991).

O patriarca Luís Canuto Chaves nasceu no dia 26/01/1923 e faleceu no dia 07/06/1988. E, a esposa Maria Necy dos Santos Chaves nasceu em 09/12/1930 e faleceu em 09/12/1995.

A Câmara Municipal de Boa Vista aprovou um projeto de lei, redenominando a antiga Avenida T-7, no Bairro Paraviana, com o nome de: Avenida Luiz Canuto Chaves. Esta avenida passa diante do prédio da Faculdade Cathedral. O projeto foi sancionado como Lei municipal de n° 631, de 04/11/2002 e publicada no Diário Oficial do Município de nº 863, de 06/11/2002.

A Prefeitura Municipal de Boa Vista denominou o atual Terminal de Ônibus (na Avenida Ene Garcez dos Reis, próximo ao Centro Cívico) com o nome de: “Terminal Luiz Canuto Chaves”, reinaugurado no dia 02/03/2018, com a presença da família do homenageado.

 

 

 

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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