Por Francisco Cândido
Em 05/07/2017

EM RORAIMA, A FAMÍLIA COELHO.

A origem da Família Coelho sabe-se que remonta à antiga Roma, a Marcus Coelho Rufo, discípulo do estadista, orador e filósofo romano Marcos Túlio Cícero (13/01/106 a.C – 07/12/43 a.C). Os Coelhos, cujas divisas em Roma, eram "Nós procedemos do sangue dos Reis e os Reis provem de nosso sangue”, passaram da Itália para a Espanha, onde o nome "Coelius” mudou para “Cello”, e daí para Portugal, sendo Soeiro Veigas (no século XIV), o primeiro a adotar o apelido (Coelho) difundido depois em Évora, Barcelos, Viseu, Arantes, e em outras terras da outrora Lusitânia. Também a família de Egas Moniz - fidalgo medieval (século XII) - perpetuou o nome castelhano "Coello” em vários de seus descendentes, depois aportuguesando-o para "Coelho”. Desde então, os Coelhos se firmaram no Reino de Portugal, com seus Brasões e foros de fidalguia.

E, de Portugal para o Brasil. Primeiro para Recife, em Pernambuco, depois Belém do Pará, depois para Manaus e, por fim, para as terras do vale do rio Branco (hoje Roraima).

A Família Coelho, em seus diversos ramos familiares aqui em Boa Vista, faz parte da nossa História desde quando o Município de Boa Vista foi criado no dia 09 de Julho de 1890.

Assim é que no dia 25 de Julho de 1890, quando foi instalado oficialmente o Município de Boa Vista do Rio Branco, um dos intendentes (vereadores) era o José Francisco Coelho (o outro intendente era o Joaquim de Souza Junior e o Superintendente o João Capistrano da Silva Mota – o “Coronel Mota”).

O José Francisco Coelho era casado com a senhora Adélia Brasil. E um dos seus filhos, o Bento Brasil (conhecido como “Velho Bento”) era dono da Fazenda Cauarane, na região do Amajari. Este era casado com a senhora Telina Teles Coelho e, desta união, nasceram os filhos: Alcida, Zilda, Adélia, Clotilde, Maria do Carmo, Telina; Maria Luiza, Cléo e Bento Brasil Coelho Filho (o “Bentinho”, que em 1939 casou-se com a senhora Delta do Carmo Gouvêa Coêlho). E, deste casal descendem vários filhos, filhas, netos e bisnetos que dão continuidade à esta história.

Outro ramo da Família Coelho em Boa Vista é a do senhor LUIZ RODRIGUES COELHO. Este nasceu em Pernambuco no dia 20 de janeiro de 1864, e ainda jovem veio para a Região amazônica e fixou morada no Município de Itacoatiara no Amazonas. Foi vaqueiro, carreiro de bois e por vários anos, trabalhou em seringais. Casou-se por duas vezes – no primeiro casamento com uma jovem por nome de EVA que lhe deu 02 (dois) filhos, Inácio e Antônio: Antônio, com espírito de aventureiro, deixou a família e saiu atrás de trabalho para nunca mais voltar, e Inácio ficou sempre ao lado do pai. No segundo casamento, com a senhora Maria Rodrigues dos Santos, teve 11 filhos: Inácio, Maria, Cândida, Pedro, Laudelírio, Madalena, Sebastião, Luiz, José, Tereza e Raimundo Rodrigues Coelho.

O Luiz Rodrigues Coelho serviu ao Exército e, por ter um porte bem alto, mas era magro, pescoço comprido e pernas finas, os seus colegas de farda na vila militar, o apelidaram de: o “MAÇARICO” (pois lembrava a ave Maçarico com estas características). Em 1922, após deixar o Exército, o Luiz veio com a família para Boa Vista e aqui passou a trabalhar na Fazenda São Pedro (situada à margem esquerda do rio Branco) do fazendeiro Bento Brasil. Depois trabalhou na Fazenda Warteloo (do senhor Ampolino, na região da Serra da Lua).

Após muitos anos de trabalho em fazendas, o Luiz e seus filhos Raimundo e Pedro, passaram a trabalhar com vendas de água nas casas. O transporte era feito em carro-de-boi. No dia 25/01/1938, o Luiz faleceu. Mas, o apelido “Maçarico” passou para a família.

De tal forma que o seu filho Raimundo Rodrigues Coelho, ficou conhecido como “Raimundo Maçarico”. Ele nasceu no dia 14/10/1915, na cidade de Itacoatiara, no Estado do Amazonas, e veio para Boa Vista, acompanhando a família em 1922. A viagem pelo rio Branco foi no barco/Lancha “Ajuricaba”, de propriedade do fazendeiro Bento Marques Brasil.

Depois de trabalhar vários anos junto ao seu pai, o Raimundo adquiriu a sua própria parelha de bois com carroça e, com ela, transportava pessoas e mercadorias do Porto da Intendência (onde hoje está a Orla Taumanan) até o centro da cidade. Depois do falecimento do seu pai, o Raimundo passou a ser o arrimo da família. Com o seu trabalho, sustentava a mãe e os seus 10 (dez) irmãos pequenos.

As autoridades da época, vendo em Raimundo as qualidades necessárias para ser um guardião de nossa cidade, o convidaram para integrar a Guarda Territorial (a precursora da Polícia Militar de Roraima). A Guarda Territorial foi criada pelo Governador do Território Federal do Rio Branco, o capitão Ene Garcez dos Reis, em julho de 1944.

O Raimundo Rodrigues Coelho, o Guarda Territorial “Maçarico”, exerceu com dignidade a sua profissão e foi diversas vezes elogiado pelo seu desempenho e honradez. Trabalhou por mais de 30 anos na Guarda Territorial, onde se aposentou. E, em 1987, foi convocado para trabalhar na antiga Secretaria da Segurança Pública, como Agente de Polícia.

Raimundo casou-se com a senhora Lucinda dos Santos Coelho e tiveram 12 filhos: Raimundinho, Zequinha, Júlio César (estes três já são falecidos), Nelci, Carlos Alberto, Pedro Rodrigues, Maria Lídia, Maria das Graças, Mário Roberto, Paulo Gilvan, Marilene dos Santos e Raimundo Nonato Rodrigues Coelho (atual Eminente Grão-Mestre da Maçonaria do Grande Oriente Estadual de Roraima).

A Câmara Municipal de Boa Vista, através do à época, vereador Ivo Rodrigues Cantanhede, aprovou a Lei nº 655, de 20/12/2002, promulgada pelo Prefeito Iradilson Sampaio de Souza, e publicada no Diário Oficial do Município, nº 897, de 26/12/2002, redenominando a antiga Avenida N-17, no Bairro Doutor Silvio Botelho, com novo nome: Avenida Raimundo Rodrigues Coelho (onde aos domingos é realizada uma feira livre).

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Francisco Cândido
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