Por Francisco Cândido
Em 08/11/2017

A LENDA DO TEPEQUÉM e o SACRIFÍCIO DAS VIRGENS

A Serra do Tepequém teve seu nome originado das palavras indígenas "Tupã queem" que quer dizer "Deus do fogo". Conta uma lenda macuxi que um imenso vulcão que vivia sempre "zangado", jogava longe as suas lavas queimando e destruindo tudo a sua volta. Os índios daquela região já se encontravam desesperados, pois não havia mais o que caçar ou pescar. O fogo destruía as roças de macaxeira, banana, o buriti e o tucumã, os animais, fugiam assustados, os pássaros já não sobrevoavam mais a região.

Certo dia, um Pajé convocou a todos da tribo para se reunirem e em volta da fogueira, o Pajé recebeu uma mensagem: "Teriam que ser sacrificadas três virgens, só assim aplacaria a fúria do vulcão". As três mais bonitas Cunhantãs (moças) virgens se apresentaram para realizar o sacrifício em benefício do seu povo, e num ritual, num sublime gesto de renúncia, atiraram-se dentro do vulcão.

Aceito o sacrifício, viu-se aplacada a fúria do vulcão que parou de lançar suas lavas, em vez de fogo, começou a jorrar diamantes. A vida, na região, voltou ao normal, surgiram novas vegetações, os animais regressaram e muita riqueza surgiu no local.

O vulcão, hoje, é a grande Serra do Tepequém, que tem a sua frente três lindas serras que representam as virgens sacrificadas.

O Tepequém é um Vulcão extinto há alguns milhares de anos, com uma altitude de 1500 metros acima do nível do mar, tem o topo cortado por um vale que abriga duas lindas cachoeiras (do Paiva e do Sobral).

A serra do Tepequém é um acidente geográfico localizado no Município de Amajari, estado de Roraima. Situa-se a 210 km da capital, Boa Vista, e apresenta atrativos como o platô da serra do Tepequém, que chega a 1.022m de altitude. A economia baseia-se no turismo e no artesanato.

O Tepequém foi cenário principal do período econômico mais importante para o Estado de Roraima, caracterizado pela exploração de ouro e diamantes. O lugar ficou marcado pelos vários cursos de rios alterados pela lavra, mas também pela presença de uma população que mantém as referências dessa história, recomposta no olhar da memória daqueles que viveram ou frequentaram a Vila do Cabo Sobral, principal centro das relações sociais nos tempos onde os diamantes do Tepequém eram moeda corrente.

Uma das primeiras expedições para exploração do minério, datada de 1930, quando chegou ao Tepequém o geólogo guianense MezachBreunstz, conhecido como Bruston, natural da, na época, Guiana Holandesa, hoje Suriname, acompanhado de dois homens. Estes chamados a serra por uns dos fazendeiros da região, Antônio Piauí, financiador da expedição e que buscava afirmações a respeito da existência de diamantes na região. E, encontraram.

Após esses fatos iniciou-se, efetivamente, entre os anos de 1936 e 1937 o “boom” do garimpo de diamantes da serra do Tepequém, povoando o lugar com a esperança do “bamburro” (riqueza), vindo de toda parte do país.

Foram muitos os garimpeiros e diamantários (compradores e vendedores de Diamantes) que fazem parte da história do Tepequém, dentre eles: Adolpho Brasil, Antônio Bezerra Nunes, Aracati, João Araújo de Souza (Cuia), Zé Maria, Neuza, Passarão, Pedro (Pedro do Ônibus), Porvina, Mochão, Levino de Oliveira, Nego Pina, Velho Barrudada, Luiz Oliveira, Zé Ferreira, João de M. Rodrigues, Wando Preto, Zelio Mota, Lídio Sousa, Jonas Dias, Waldemar Pisa Miúdo, Mariano Vieira, Rubens Lima (pai), Zé da Russa, HonoratoLima, Vicente Araújo, Zé Queiroz, Paraíba Pilão, Zé Francisco, Crisnel Ramalho, Onésimo Cruz, e tantos outros.

Na área do topo da Serra do Tepequém, dentre muitas pousadas, há de se registrar a Estância Ecológica SescTepequém – , afora as Cachoeiras do Paiva, Sobral, Barata, Funil e outras. Acesso pela BR-174 até o km 100, depois seguindo pela RR 203 (asfaltada) até o trevo do Trairão. Depois dali, são 4 km serra acima. É recomendável que o carro tenha tração 4 x 4.

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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