Por Francisco Cândido
Em 26/04/2017

BANZAI - Os japoneses em Roraima.


O primeiro japonês que chegou ao Território Federal do Rio Branco (Roraima) foi o senhor Katsukus Dói. Ele veio para o Tepequém em 1951 e passou a trabalhar com garimpo de ouro e diamante. Depois foi para Normandia e retornou para Boa Vista onde trabalhou como piloto E mecânico de avião. Anos depois foi para Bonfim trabalhar com agricultura, sendo um dos fundadores daquele município. Katsukus Dói nasceu no dia 23/04/1915 e faleceu em 2013, com quase 98 anos. Teve 5 filhos, dos quais 3 ainda moram em Bonfim.

As primeiras famílias japonesas que vieram para Roraima, o fizeram em dois grupos. Um grupo em 1955 e outro em 1961. No total eram 13 famílias. Onze foram para a Colônia Agrícola Coronel Mota (na região do Taiano, no Alto Alegre), e duas permaneceram em Boa Vista: a Família TSUKUDA (o casal  Zenzaburo Tsukuda e Chizuko Tsukuda); e a Família EDA (o casal Kuranosuke Eda e Sui Eda).

A família Eda se instalou no Mirandinha, no Bairro Aparecida, passando a trabalhar com horticultura, e hoje atua na área da construção civil, reformas prediais, jardinagem e comércio de veículos multimarcas. Um de seus descendentes, Masamy Eda, foi vereador na Câmara Municipal de Boa Vista, no período de 2007 a 2014, e nesta última eleição foi eleito deputado estadual. Há de se registrar também o senhor Hiroshi Eda, filho de Kuranosuke e Sui Eda. Nas décadas de 1980 e 90, sua residência era ponto de apoio para hospedagem de japoneses que visitavam Roraima, inclusive no acompanhamento às visitas consulares.

Já a família Tsukuda também se instalou no Mirandinha, onde produzia verduras e legumes durante mais de 10 anos. Tempos depois passou a comercializar gêneros alimentícios até, finalmente, abrir uma loja comercial (a “Loja do Japonês”) na Rua Sebastião Diniz, no Centro de Boa Vista, com vendas de variados produtos, desde instrumentos musicais e peças de reposição, até acessórios para eletrodomésticos. A matriarca da família Tsukuda, a senhora Chizuko Tsukuda, faleceu recentemente, no dia 15/02/2017, aos 99 anos de idade.

A “Loja do Japonês” (razão social: Estivas Roraima Ltda) é administrada pelas filhas: Lúcia (Chigusa Tsukuda), Iracema (Haruyo Tsukuda), pelo filho Paulo (Sadaya Tsukuda), e conta ainda com o filho do Paulo, o jovem Sadaya e sua irmã Sandra Léia Tsukuda.

Quanto às famílias que foram para a região do Taiano, no Alto Alegre, nem todas permaneceram muito tempo no local. Na época, a viagem para o Taiano levava praticamente um dia devido à precariedade da estrada e outras dificuldades de comunicação, o que fez com que algumas famílias japonesas não se adaptassem ao lugar, e foram para outros Estados, particularmente para o Amazonas e Rondônia.

No entanto, mesmo com as dificuldades da época, permaneceram no Taiano as famílias: Hiroji e Sumi Eda (o Hiroji era irmão de Kuranosuke Eda); Kazuma e Masako Nakazaki, família Dohara Nabeshima (Sadako Dohara e Tadashi Nabeshima) e Família Nakazaki (Tateru Nakazaki).

Em 1961 chegou a Boa Vista mais um contingente de imigrantes japoneses, composto por 9 famílias, totalizando 53 pessoas. Estas também foram para a Colônia Agrícola Coronel Mota (no Taiano). Dentre estas, a Família DOI (Kenzaburo Dói e Moyo Dói). A senhora Moyo Dói, mesmo aos 82 anos de idade, ainda hoje toma decisões sobre os negócios da família (as Lojas de materiais de construção: Comaco, Caçulão e Castelão).

Esta família “Doi” não tem parentesco com o senhor Katsukus Dói que morava em Bonfim. Outras famílias que também foram para o Taiano: Hideshima (Sumiko Hideshima, hoje residente em Boa Vista). E, Nakamura (família de Atsunori Nakamura), com 12 filhos, morando no Alto Alegre onde produzem hortaliça.

Em 1969, chegou a Boa Vista a família de Maria de Jesus Nakai, e depois a senhora Violeta Nakai com o seu marido.

Em 1974, chegou a Boa Vista o Senhor Tadashi Nakayama e passou a trabalhar com horticultura. Atualmente mora no Município de Iracema. O seu filho: Raryson Pedrosa Nakayama foi prefeito daquele município.

No início de 1980 veio para Boa Vista o agrônomo Nelson Itikawa (casou-se com a roraimense Izabel Cristina Ferreira Itikawa). O casal é dono do complexo agroindustrial Itikawa, sendo o Arroz Itikawa reconhecido de excelente qualidade e produto de exportação.

Em 1982, veio Terezinha Nakashima (casada com o médico José Pereira de Melo). Também em 1982 veio Kazuo Tsuji e Iku Tsuji (investiu em granjas de ovos e produtos hortifrutigranjeiros na região do Monte Cristo). Atualmente a granja está sendo administrada por sua filha Clarice, que é casada com Sérgio Mizuno.

Em 1983 veio Fernando Luiz Eiji Lucena Imagawa.

Em 1984, veio Toru Jin (faleceu em 2010).

Em 1985, veio Ademar Takemiti Sato, Edna Mitsuko Hara – casada com José Francisco Rocha (estes são empresários na área de comércio de utensílios de pesca).

Em 1988, veio Shiro Seki (casada com Natsuyo Seki Dói, filha de Moyo Doi). A empresária Natsuyo Seki veio com a família para Roraima na segunda leva da imigração para a região do Taiano e hoje a família está em Boa Vista onde tem vários negócios empresariais.

Em 1991chegou o casal Shoichi Kato e sua esposa, acompanhada do seu irmão Yukio. A família Katô é uma referência na produção de frutas e verduras na região do Passarão. O senhor Yukio Kato (Katô) faleceu em 2011 e a esposa Shoichi Kato em 2015.

Em Pacaraima há a família do senhor Masahiro Sotodate. Ele trabalha com a produção de verduras e frutas no sistema de plantação orgânica, isto é, sem uso de agrotóxico no solo.

Também merecem registro: o professor Munehiro Shimpo – ele teve um papel importante na criação do Curso de Agronomia da Universidade Federal de Roraima- UFRR-, e o empresário Motoyoshi Okada, que veio para Boa Vista em 2012 e faleceu no dia 29/03/2017.

Em Boa Vista, no dia 16 de junho de 2008, foi criada a “Associação Nipo-brasileira de Roraima” – ANIR-. E, em 2009, foi criado o “Instituto Roraimense de Cultura Japonesa”, para ministrar curso do idioma japonês e disseminar a cultura japonesa.

Em Roraima, são mais de 100 famílias de origem japonesa que atuam no comércio, no agronegócio (arroz, soja, hortaliças e frutas), como também no serviço público (o jovem Shiromir Eda é Analista do Tribunal de Justiça de Roraima. Ele é filho de Hiroshi Eda).

Há de se registrar, também, o empreendimento de dois jovens paranaenses (mas, filhos de japoneses) que construíram o maior hotel de Boa Vista, o “Eco-Hotel”, na Avenida Glaycon de Paiva, no Bairro Mecejana.

Hoje, Boa Vista concentra vários restaurantes com culinária japonesa e há dezenas de empresas sediadas no Distrito Industrial que tem como empresários os filhos e netos de japoneses que aqui chegaram na década de 1950 e estão até hoje trabalhando e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e cultural do Estado de Roraima.

Há uma expressão que os japoneses costumam gritar: “Banzai” !, que significa: “10 mil anos de vida”, como desejar a alguém que tenha uma longa vida e prosperidade. Então, eu digo: “Banzai” a todos os japoneses e a seus descendentes, pois eles ajudaram a construir Roraima e continuam participando do seu desenvolvimento econômico.

Arigatô (Arigatou Gozaimasu) = Muito obrigado.

Pauo (Sadaya Tsukuda), Lúcia (Chigusa Tsukuda), Iracema (Haruyo Tsukuda)

Chizuko e Zenzaburo Tsukuda

Kato

Isabel e Nelson Itikawa

Ayame Eda e Shiromir Eda

Família Eda

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
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