Por Francisco Cândido
Em 30/08/2017

 BRASIL   &   VENEZUELA 

O Brasil tem demonstrado interesse em ajudar a Venezuela, para evitar que a disputa política degenere em ainda maior colapso da economia, desordem e violência, prejudicando não só o país, como criando problemas para as nações fronteiriças, principalmente para o vizinho Estado de Roraima.

Inicialmente, nos vem à pergunta: “O que há de interesse mútuo entre estes dois países”? A começar pelo o encontro de “La Guzmania”, em 4 de março de 1994, onde os presidentes dos dois países à época, Itamar Franco e Rafael Caldeira assinaram os acordos para a criação do MPC (Mecanismo Político de Consulta) e da Coban (Comissão Binacional de Alto Nível), presididas pelos chanceleres e integradas por diversos ministros de Estado.

Sucedendo a Rafael Caldera em 1999, Hugo Chávez, num primeiro momento, deu seguimento ao acordado em La Guzmania, e passou a mudar os rumos da política externa do país, investindo mais nas relações com a América do Sul, em especial com o Brasil, que o havia apoiado nas crises institucionais pelas quais passou seu governo inicialmente.

Mas, Hugo Chavez faleceu no dia 5 de março de 2013. E, assumiu o seu vice-presidente Nicolás Maduro que tem feito de tudo para se manter no poder, chegando a usar a polícia para prender os opositores ao seu governo.

A economia venezuelana está caindo cada vez mais (mesmo sendo um grande produtor de petróleo).  É comum andar pelas ruas das cidades venezuelanas e se deparar com filas imensas diante dos supermercados.

O governo bolivariano não deu atenção ao seu parque industrial e, como resultado, mais de 70% dos produtos consumidos pelos venezuelanos são importados. A economia do pais depende do seu principal produto: o petróleo. Mas, com a queda do preço do barril – que hoje está em US$ 47 e só deve voltar a US$ 80 em 2020-, a Venezuela praticamente quebrou.

A situação política da Venezuela está cada vez pior, haja vista os confrontos entre o presidente e o parlamento venezuelano. Situação esta que se reflete nos combates nas ruas da capital Caracas e noutras cidades do país, entre a polícia e os milhares de manifestantes contra Nicolás Maduro.

No dia 25 deste mês de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, proibiu o sistema financeiro norte-americano de comprar títulos da dívida do Governo da Venezuela e da petrolífera estatal PDVSA. As sanções, destinadas a criar um forte bloqueio econômico ao governo de Maduro, representam uma mudança em relação a medidas anteriores, que eram direcionadas contra representantes do regime e não contra a máquina pública. Donald Trump chegou a ameaçar intervir militarmente na Venezuela para tirar o presidente Nicolás Maduro do poder, por classifica-lo como ditador socialista.

Em resposta à esta ameaça de intervenção militar, o presidente Maduro determinou que nos dias 26 e 27 deste mês de agosto, as Forças Armadas venezuelanas realizassem exercícios militares em todo o território nacional, numa operação batizada de Soberania Bolivariana 2017. E, este foi o cenário que se viu nestes dias em todas as áreas de fronteiras do país, com centenas de barreiras militares controlando o tráfego de pessoas e de veículos nas estradas e rodovias da Venezuela.

Nicolás Maduro reiterou seu pedido de conversar por telefone com o presidente americano Donaldo Trump, que, segundo ele, “está sendo enganado”. Em resposta a este pedido, o governo americano informou que o presidente não atenderia os telefonemas do Nicolás Maduro “até que a democracia seja restabelecida na Venezuela”.

E, o Brasil, diante deste quadro caótico da Venezuela, o que faz? Assiste passivamente. Pelo menos não se vê nenhum pronunciamento do presidente Michel Temer em relação ao governo de Nicolás Maduro. Talvez porque o presidente venezuelano não reconheça oficialmente o governo de Michel Temer e o acusa de “golpista”.

E, quanto a Roraima, estado fronteiriço à Venezuela? Dependemos do país para o abastecimento de energia elétrica, produzida no complexo de Macágua, no Estado de Bolívar, na Venezuela., e que vem para Roraima através do Linhão de Guri. Sem a energia venezuelana, Roraima voltaria a consumir energia de geração termelétrica a óleo combustível, produzida na Usina do bairro Jardim Floresta. E, diante do alto consumo diário, não supriria por muito tempo a energia necessária para abastecer todo o estado. Para que se tenha ideia do gasto, só a capital Boa Vista consome 32 GWh/mês, oito vezes mais que o restante do Estado.

A Eletronorte disse que Roraima vai continuar usando a energia venezuelana, até que se tenha a energia vinda de Tucuruí, no Pará. “Temos um contrato de relacionamento que será cumprido. A Venezuela tem reserva técnica, e não houve nenhuma conversa no sentido de existir algum desligamento", disse o gerente regional da Eletronorte, Cláudio Alípio Santos.

Quanto ao número cada vez mais crescente de venezuelanos em Roraima, fugindo da situação político-econômica daquele país, a Prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, acenou com a promessa de instituir, no âmbito do município, o “Aluguel Solidário”, que será pago à famílias venezuelanas que moram e trabalham na capital. Os valores irão variar de R$ 700 a R$ 1,2 mil e serão pagos por até seis meses.

Mas, diante dos protestos que surgiram logo após o anúncio destes benefícios aos venezuelanos, a Prefeita Teresa Surita, esclareceu: “Quando se fala em aluguel solidário, é importante dizer que esse recurso não é dinheiro da Prefeitura. Já existe no âmbito do Governo Federal para este tipo de situação e que já atende famílias venezuelanas em Manaus”.

Como se vê, Brasil e Venezuela têm muito a aprender um com o outro.  

Francisco Cândido
franciscocandido@ibest.com.br
carlos alberto oliveira dias disse: Em 30/08/2017 às 08:41:32

"Quando foi que esta prefeita pagou aluguel para as famílias do Beiral e Olaria na época das enchentes? Quando foi que esta prefeita pagou aluguel para todas pessoas moradoras de rua em nossa cidade? Demagogia barata! Simplesmente Politicagem para angariar votos."

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