Por Jessé Souza
Em 15/07/2017

Números da vergonha

O Brasil não irá se livrar da corrupção achando que somente um partido ou apenas quem está no comando da política e d os governos são responsáveis pelos desmandos com o bem público. A situação é muito ampla e requer um trabalho com base na educação e na tomada de consciência de toda a sociedade.

Também não se trata apenas de um debate de esquerda ou de direita, nem achar que a política é quem corrompe que entra nela. A Operação Lava Jato é somente uma parte do processo de desratização. Será necessário um trabalho que ultrapassará por toda uma geração. Senão, vejamos.

Conforme dados do Grupo de Ação Financeira contra Lavagem de Dinheiro, o Brasil tem quase 190 mil envolvidos em corrupção. O nome desse grupo é AML Consulting, maior bureau reputacional e líder nacional no mercado de soluções e serviços de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

O levantamento é um Raio-X do que somos. O  número de pessoas físicas e empresas envolvidas em corrupção no país chega a 187.041, conforme esse levantamento. Os formadores de quadrilha somam 140.458 perfis no Risk Money, plataforma da AML Consulting. Em seguida, aparecem 93.985 fraudadores. A plataforma contempla mais de 730 mil perfis e reúne informações sobre pessoas físicas e jurídicas que requerem especial atenção.

Incluem-se aí os associados a crimes financeiros ou infrações penais que antecedem à lavagem de dinheiro, bem como Pessoas Expostas Politicamente (PEPs) e seus relacionados, pessoas ligadas ao terrorismo e ainda informações abonadoras e desabonadoras relativas às questões socioambientais.

Conforme esses dados, as PEPs são indivíduos que ocupam ou já ocuparam cargos, empregos ou funções públicas de relevância, além de seus familiares e outras pessoas do seu círculo de relacionamento. Elas podem ser eleitas, como governadores e prefeitos, ou nomeadas, como reitores de universidades e ministros.

Nesses dados não constam os cidadãos comuns, aqueles dos “jeitinhos”, das trapaças nos negócios, dos que desviam material de expediente no trabalho, do que engana no troco, dos que não respeitam os direitos mais básicos dos demais cidadãos, enfim, dos que agem de forma corrupta em suas relações pessoais, profissionais e sociais.

Os políticos lá em cima, enlameados com a corrupção, são reflexos dos que votam aqui embaixo também pensando em levar vantagens ou que fariam o mesmo se estivessem no poder. A corrupção é o grande mal social a ser combatido com educação e construção de caráter desde pequeno. Ela não será vencida apenas prendendo políticos safados. É necessária  uma tomada de consciência por parte de todos. E tem que ser agora.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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