Por Jessé Souza
Em 14/05/2018

O alerta foi dado

Os especialistas já dão como certa a volta do El Niño para os próximos meses, o que significa um alerta especial para Roraima, um Estado que já pagou um preço muito alto devido aos estragos provocados por esse fenômeno climático, que resultou em um incêndio histórico e de repercussão internacional, no meio da década passada. O fogo destruiu parte de nossa biodiversidade, com sérios riscos a todos. 

A situação sempre fica crítica quando chega o período seco, que é o verão roraimense, devido aos pequenos produtores ainda usarem a técnica rudimentar de atear fogo para limpar o terreno destinado à agricultura. Largados pelo governo, sem apoio técnico ou qualquer outro tipo de ajuda, os agricultores em situações rudimentares têm o fogo como instrumento de sobrevivência, com prejuízo para todos e um desastre ambiental incalculável.

E o abandono governamental dos pequenos produtores acaba se tornando um dos combustíveis para os grandes incêndios registrados em Roraima. A grande tragédia da década de 1990 permitiu ao Estado ser ajudado, quando foi possível instalar um serviço de monitoramento eficiente para detectar focos de incêndio. Mas a vontade política conta muito para que novas tragédias não ocorram.

A preocupação é que estamos em ano eleitoral, quando as autoridades ficam mais preocupadas com suas campanhas do que com as demandas essenciais, a exemplo das queimadas. E esse governo vem mostrando seguidas vezes que não consegue se organizar para atender às necessidades fora de pleitos eleitorais. E o meio ambiente é um dos setores relegados ao esquecimento quando se fala em eleições.

O que a sociedade organizada espera é que esse governo e os organismos que atuam com a questão ambiental estejam atentos à volta do El Niño. Roraima novamente estará em alerta para o perigo dos incêndios. E as autoridades devem começar a agir antecipadamente para que não haja desculpa depois, como se fosse culpa da natureza e que não houvesse nada a ser feito pelos governantes.

A questão dos grandes incêndios tem o dedo de responsabilidade do governo, que sempre manteve as famílias agriculturas na rédea do atraso. É por isso que ele, o Governo do Estado, tem a responsabilidade maior de agir preventivamente para que o El Niño não deixe estragos maiores do que já tivemos em tempos não muitos distantes. Os especialistas já emitiram o alerta e não há como ter desculpa de que ninguém foi avisado.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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