Por Jessé Souza
Em 08/09/2017

O civismo está ferido

Esse foi o Dia da Independência mais morno e trise da História do Brasil. Não pelo enfraquecimento dos desfiles cada vez mais sem graça, sem aquele ânimo de tempos passado em que até os estudantes e soldados desmaiavam sob o sol a pino no meio do desfile, porque sabiam que era pela Pátria.

Mas pela realidade brasileira nocauteada pelas imagens reais da TV que mostram montanhas de dinheiro da corrupção caindo da cueca, do bolso do paletó, das malas, das caixas de papelão e dos oleodutos da Petrobrás. A sujeira saiu debaixo do tapete e está por todos os lados, com transmissão ao vivo pelas TVs.

O civismo brasileiro está ferido, não de morte, mas profundamente machucado pela corrupção endêmica de Norte a Sul, de Leste a Oeste. E não se pode culpar o político como principal vilão, porque as gravações cada vez mais repugnantes das delações mostram que até a mais alta Corte da Justiça brasileira está com suas mãos meladas com a lama fétida.

O povo também tem sua culpa, pois esse civismo de verde-amarelo não tem sido usado de forma correta, a não ser quando a mídia manipula as mentes para que muitos vistam a camisa da Seleção brasileira e saiam por aí batendo panela quando é conveniente para este ou aquele grupo.
O repique dos tambores das bandas marciais, no 7 de Setembro, perderam o encanto diante da desesperança que se abate sobre uma Pátria atônita em que, quando se fala em corrupção, não existe mais divisão entre esquerda e direita, embora muitos ainda se dão ao trabalho de ir para as redes sociais para defender este ou aquele político.

O Hino Nacional perdeu o tom também. Do povo heroico não se ouve mais o brado retumbante. O Brasil, aquele do sonho intenso e do um raio vívido, cheio de amor e de esperança não consegue reagir diante de tanta bandalheira que surge a cada novo desdobramento da Operação Lava Jato, surgindo “dinheiro pra dedéu”, quer diz, “dinheiro pra Gedell”, como estão dizendo nas redes sociais.

Tornou-se complicado acreditar em uma saída a curto prazo, mesmo sabendo que em 2018 haverá eleições gerais, pois o sistema anda tão corrompido e o povo tão oprimido quanto acuado, que não se pode esperar muito. E haveremos de acreditar que a compra de voto não funcionará?

Mas ainda resta apelar para mais um estrofe do Hino, esperando que se erga da justiça a clava forte, para vermos que um filho não foge à luta. E que possamos, um dia, dizer que não vamos temer e que adoramos esse País nem que seja o custo a morte. Lutemos por nossa independência, porque o Brasil clama por esse grito.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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