Por Opinião
Em 08/09/2017

A crise migratória da Venezuela e as políticas públicas - Giuliana Nicolino de Castro Lima*

 Roraima convive com uma crise sem precedentes de migrantes fugindo da fome, miséria e violência da Venezuela, país vizinho. Todos os dias centenas de pessoas entram pelas nossas fronteiras em busca de refúgio. São pessoas que precisam desesperadamente de ajuda.
 
Diante da realidade que se apresenta, precisamos tomar providências junto à fronteira e buscar apoio internacional para ajudar a Venezuela a voltar a ser o país maravilhoso que já foi. Precisamos também prestar ajuda humanitária aos venezuelanos que estão chegando à Roraima.

Principalmente, acredito que a ajuda deve vir da Organização das Nações Unidas - ONU, através da ACNUR, e em seguida pelo Governo Federal, que deve promover ações integradas entre o Governo do Estado e Prefeituras dos municípios. A sociedade civil também deve colaborar, como já está fazendo. Acima de tudo são pessoas, crianças, bebês, idosos, seres humanos que precisam de um mínimo de dignidade.

As ações precisam ser integradas, não tem como atender às demandas sem que haja forte parceria e articulação entre os poderes públicos. A Prefeitura de Boa Vista, ao tentar se apresentar como a panaceia que resolveria todos os problemas -sozinha-, errou e mostrou o quanto é preciso que as ações sejam integradas, e o quanto precisa agir em conjunto com o Governo do Estado (que já vem prestando o auxílio), Prefeituras (principalmente dos municípios que fazem fronteira), Governo Federal, e que a população precisa participar desse processo.

Essa polêmica em torno do aluguel solidário, que primeiro foi anunciado de uma maneira, e conforme a reação da população foi mudando de versão, foi a prova disso. Não tem como a Prefeita de Boa Vista se apresentar como a única capaz de salvar os venezuelanos porque a situação é muito mais complexa. É preciso ter humildade para reconhecer que errou e passar a contribuir e dialogar com quem já está nessa política de auxílio aos imigrantes há mais tempo.

Essa migração desordenada não traz reflexos apenas na vida dos imigrantes, traz reflexos na saúde pública, na segurança pública, e em todas as políticas públicas. Precisamos agir em conjunto, para o bem de todos, brasileiros e venezuelanos.

O Plano de Ação deve ser apresentado à população através das instâncias de participação popular e controle social, através do Conselho Municipal de Assistência Social e da Câmara de Vereadores, para que tenha legalidade e efetividade. Assim não haverá nenhum mal entendido, com transparência e clareza. Sendo verba do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) destinada diretamente ao Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS), devem ser aprovados pelo Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) tanto o Plano de Ação quanto o Plano de Aplicação. Após análise, o CMAS publica a resolução aprovando ou não. Isso é regra, e não tem como aplicar os recursos sem essa transparência. Foi assim com a verba que o Governo do Estado conseguiu junto ao MDS, tudo feito com clareza e respeitada a competência do Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS) para deliberar sobre o destino desse recurso.

A situação piora a cada dia, e precisamos agir rapidamente! O debate pela sociedade é salutar. É preciso trabalhar de maneira integrada, para o bem de todos, e para que a comunidade internacional saiba da dimensão do problema do país vizinho e seus reflexos no nosso Estado, e possa intervir em nosso auxílio, em auxílio aos nossos irmãos venezuelanos, e em auxílio ao próprio país Venezuela.

Pra quem defende o Presidente Maduro e o atual regime da Venezuela, sinto muito, venha ver você mesmo o terror da fronteira, apenas pare com esse discurso ideológico demagogo. Pense nas milhares de pessoas obrigadas a fugir e buscar refúgio no nosso país.

Aliás, falando em ajuda, você já prestou ajuda a algum morador de rua hoje? Vamos cobrar políticas públicas mas também vamos ajudar a quem pudermos. As vezes um olhar para quem está invisível já vale muito. Um abraço, uma oração, faz muita diferença. Sua ajuda vale muito para quem não tem nada!
 
Somos parte de um Estado acolhedor que se formou com migrantes de vários locais, e continuaremos a ser solidários com as pessoas, mas precisamos de ajuda e que seja integrada, caso contrário a situação vai se agravar.

*Delegada de Polícia Classe Especial da Polícia Civil de Roraima, Especialista em Violência Doméstica e Sexual Contra Crianças e Adolescentes, e atual membro do Conselho Estadual de Assistência Social - CEAS.


É um triunfo, sim - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“A vida é um triunfo sem precedentes, por ser constituída de dúvidas e redúvidas, em todos os pontos de vista sobre a vida.”
    
Se se prestar bem atenção se descobrirá que estamos triunfando, em todos os dias. Cada dia que passa é uma vitória com ensinamentos que devemos usar para viver o dia atual. E é por isso que nosso futuro começa nos primeiros minutos do dia que nasce. Então procure viver seu dia, hoje, com entusiasmo. Tudo que se passou para você no dia de ontem vale como experiência para sua vida hoje. Aproveite cada minuto do dia de hoje para acumular experiências para amanhã. A vida por ser um triunfo deve ser vivida intensamente.

Estive refletindo, ontem, sobre um assunto aparentemente banal, mas que é super importante. O Gibran Khalil Gibran escreveu o livro “O Profeta”, no início do século vinte. E foi aí que ele disse uma coisa que ainda hoje rimos quando a ouvimos, como se ela fosse um lance de bom humor; quando na verdade ela exige muita reflexão. Foi quando ele completou vinte e seis anos de idade e falou: “Hoje acabei de completar a vigésima sexta volta, em volta do Sol.” Você, alguma vez prestou atenção a isso?

Você, garotão, pegue seu quadro negro, que hoje já não é mais negro nem usa mais giz, e desenhe o Sol, e ao lado desenhe a Terra. Marque nela sua data de aniversário. Agora observe que a Terra continua circulando em volta do Sol. Quando ela chegar novamente à data do seu aniversário, você terá completado uma volta inteirinha em volta do Sol. Simples pra dedéu. Quando você completar cinquenta anos de idade terá dado cinquenta voltas em volta do Sol. E se isso não for importante pra você, será porque você não soube viver seus cinquenta anos. Reflita sobre isso e comece a viver os dias dos anos que você ainda viverá se souber viver.

Somos todos de origem racional. O problema é que nem todos, ou mais precisamente a maioria, se atentam para isso. Não imaginam que não vive quem perde tempo com coisas que não valham a vida. Então saia do círculo de elefante de circo. Não permita que ninguém dirija sua vida. Ela é sua e só sua. Cada um vive no seu grau de evolução. O que é certo pra você nem sempre o é para alguém mais. Assim como o que é certo para outros nem sempre o é para você. “O reino de Deus está dentro de nós.” Cabe a cada um, escolher que vereda tomar na encruzilhada do sapo.

O importante é que saibamos o que queremos no que somos. E só alcançaremos o ponto de chegada quando soubermos que nunca alcançaremos a perfeição, por mais perfeito se sejamos. E por isso devemos estar sempre na busca pela perfeição. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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