Por Opinião
Em 09/09/2017

SAIA DO ARMÁRIO - Vera Sábio*

Para as famílias tradicionais, moralmente religiosas, fundamentadas no conceito pai e mãe, ou seja, o casal heterossexual, é inadmissível isto de sair do armário.

No entanto quero lhes dizer que sair do armário não é se transformar ou querer ser do sexo oposto, fazer desfiles ridículos e imorais, destruir qualquer tipo de reputação, mas simplesmente ser aquilo que se quer, com respeito à forma que o outro também é.

A tal famosa frase: “o meu direito acaba onde começa o direito do outro” vale para todos os gêneros sexuais, maneiras culturais, morais e sociais. Afinal, vivemos a democracia em sociedade, onde a boa convivência e a paz dependem de cada um.

Estou pensando a respeito deste assunto tão delicado, ao observar o número aumentativo de pessoas aparentemente heteros, totalmente discretos, de bom caráter, bons profissionais, bons cidadãos e, por terem respeito e vergonha da família que possuem, não assumem sua sexualidade. Acabando por se envolverem com marginais, rebeldes, adolescentes e viciados, gente da pior espécie, comprovado normalmente ao matarem com requintes de crueldade a mão que os alimenta.

A máscara uma hora cai; já que ninguém consegue viver de aparência o tempo todo e por isso é importante esta conscientização de respeito, aceitação e solidariedade com cada um, independente de sua classe social, sua cultura, sua raça e também sua opção sexual. Todos somos únicos e diferentes e estamos em busca da felicidade e realização pessoal. Portanto esta conscientização é extremamente necessária para que cada um assuma o que é. Não de forma escandalosa, impositiva e imoral, mas de uma maneira respeitosa e discreta.

Somente desse modo, cada ser humano terá condições de viver uma vida honesta e íntegra da melhor maneira possível. Evitando assim tantos acontecimentos desnecessários e envolvimentos indevidos, que diversas vezes o leva à morte.

Digas com quem tu andas que direis quem tu és.

Independente do desejo, costumes e gostos de cada um, é preciso ter uma vontade incessante de sermos bons e convivermos com pessoas boas, não deixando com que os vícios, a imoralidade e a perversidade nos façam companhia e nos coloquem em caminhos sem volta. Fins cruéis de muitos que não têm este cuidado.

Está mais do que na hora de cada um sair do armário e ser como quer, procurando pessoas boas que o aceitem como é e os ajudem na caminhada. Afinal sempre existe a outra parte da laranja; mas se não houver, procure um limão, coloque alguns ingredientes que o deixe mais saboroso e faça a festa.

*Psicóloga, palestrante, servidora pública, esposa, mãe e cega
CRP: 20/04509
vera.sabio@tjrr.jus.br


A reforma trabalhista e a legalização da fadiga - Cirlene Luiza Zimmermann*    

A reforma trabalhista trouxe uma previsão que desmente séculos de pesquisas médicas. Segundo os legisladores, “regras sobre duração do trabalho e intervalos não são consideradas como normas de saúde, higiene e segurança do trabalho”, motivo pelo qual admitem livre negociação entre empresas e sindicatos ou entre empregadores e empregados.

A Constituição garantiu aos trabalhadores urbanos e rurais o direito à redução dos riscos no ambiente de trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança, pois somente com essa redução, quando impossível a neutralização, pode ser assegurado o direito à saúde e à integridade física e psíquica.

Ocorre que não é preciso ser médico para saber que a jornada de trabalho pode levar ao esgotamento físico e mental.

Não por outro motivo, o tempo de trabalho consta na Convenção 155 da Organização Internacional do Trabalho como elemento indispensável a ser considerado na definição das políticas de saúde e segurança no trabalho.

O legislador sabia que não havia margem de negociação em normas de saúde, higiene e segurança do trabalho, tanto que explicitouque a supressão ou a redução de direitos relativos a tais matérias constituíam objeto ilícito de instrumento coletivo de trabalho. Contudo, como num passe de mágica, excluiu asregras sobre duração do trabalho e intervalos dessa vedação.

A vontade do legislador ficou clara, mas não será capaz de mudar a vida real, em que cortadores de cana remunerados por produção são submetidos a extenuantes jornadas de trabalho e morrem de fadiga ou em que altos executivos, submetidos a ilimitadas horas de trabalho para alcançar metas muitas vezes inatingíveis, morrem de exaustão ou se suicidam porque se sentem sufocados pelo trabalho e não visualizam mais possibilidade de retornar à normalidade da vida.

Entre esses dois extremos há milhões de trabalhadores que, uma vez liberada a livre negociação quanto aos limites da jornada e à modalidade de registro; à instituição do regime de trabalho de doze horas seguidas por trinta e seis de descanso, inclusive com possibilidade de indenização dos intervalos para repouso e alimentação; aos períodos de descanso; ao trabalho intermitente; à remuneração por produtividade e à prorrogação de jornada em ambientes insalubres sem licença prévia, não terão mais a proteção legal mínima para exigir seu direito ao não esgotamento.
Contudo, como dito, a lei não mudará a realidade.

Se algum trabalhador exposto a sucessivas condições de fadiga morrer, adoecer ou tiver comprometida sua integridade física porque o cansaço retirou a concentração necessária para garantir sua segurança, continuaremos diante de evento denominado acidente de trabalho e não será a malfadada previsão legal que isentará o empregador das consequências da inconsequente atitude legislativa de legalizar a fadiga.

*Procuradora do Trabalho (MPT-AM/RR)


A ESCOLA É UM MUNDO - Prof. Dr. Pedro Augusto Hercks Menin*

Quando olhamos para uma escola, pensamos imediatamente em crianças e jovens estudando em um lugar que existe para que as pessoas aprendam. Mas, o que é escola? Essa pergunta foi feita pelo professor José Pacheco, um dos criadores da famosa Escola da Ponte, a um grupo formado por professores da Escola Caranã e docentes e alunos da Universidade Federal, todos envolvidos em um pretencioso projeto que tem por objetivo criar uma escola que seja o lugar em que as pessoas possam, ao mesmo tempo, estudar e serem felizes. Mas não sei se sabíamos uma boa resposta para “o que é uma escola?”.

Todos temos uma escola ideal na cabeça, mas a escola real, longe dessa escola ideal, é um lugar que tem muitos alunos sofridos vindos de famílias sofridas, pois pais que não cuidam bem de si mesmos não cuidarão bem de seus próprios filhos ou de quem quer que seja. Há também tantos professores sofridos, que também não cuidam bem de si mesmos e que se sentem culpados por não fazerem mais pelo próximo, sem perceber que também não fazem mais por si mesmos. Há também muita crítica: a escola critica a família e a família critica a escola, professor critica aluno e aluno critica professor, tudo isso criando divisão onde deveria haver união.

Já disse o poeta Caetano Veloso que gente nasceu para brilhar, e isso vale para todo mundo. Aquele aluno que faz bagunça e atrapalha a aula está a dizer “Se você não me ama, me odeie, mas olhe para mim, não me ignore!” O contrário do amor, não é o ódio como a maioria pensa, mas a indiferença. Muitos vão para a marginalidade porque preferem ser odiados a serem ignorados. E, puxa, é tão fácil tirar nossos alunos da marginalidade! Basta não ignorá-los, fazer com que eles sejam notados pelas coisas boas que trazem e não pelas coisas ruins que fizeram ou fazem para chamar a atenção. “Se não me ama, me odeia, mas olhe para mim” – lembra?

O professor José Pacheco, conhecedor da educação amorosa que nos ensinou o saudoso educador Paulo Freire, nos fala da “pedagogia do abraço”. A gente abraça aquela criança, aquele jovem que fez algo errado, e diz a ele que as ações que fez não são dignas dele, porque ele não é um bandido, um perdido, mas ele é nosso amigo e queremos sempre o bem para nossas pessoas queridas. E esse aluno se salva. Simples assim! Esse aluno aprende a tratar a si mesmo imitando como seus cuidadores o tratam (isso aprendemos com Vygotsky!), e esse cuidador aqui é o professor fazendo o que a família muitas vezes não consegue.

E é preciso que esse educador também seja abraçado, junto com esse aluno, com a família, a comunidade, em uma escola que seja um lugar de gente feliz! É o que queremos fazer.

*Professor UFRR


O poder das Amazonas - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“O homem que não perdoa a mulher pelos seus pequenos deslizes, nunca vai desfrutar das suas grandes virtudes.” (Gibran Khalil Gibran)

Você costuma implicar com sua mulher pelos pequenos erros que ela comete no dia a dia dela? Se você é desses, cuidado porque você está mostrando o quanto despreparado você é para viver com ela. Corta essa cara. Preste mais atenção à competência que sua mulher tem pra mostrar que ela é muito mais competente do que você. E o melhor é que ela sabe que se você ficar na sua só vai ganhar. Não é à toa que elas são originárias das Amazonas. Lutam pra dedéu e vencem sempre.

Preste mais atenção na sua convivência com sua mulher, no dia a dia, mas sem essa de se mostrar superior, porque aí a jiripoca pia. Quando ela começar a chamar sua atenção para o que você está fazendo e ela acha que não está certo, acorde. Ela está sempre certa. Então obedeça, mesmo sem mostrar obediência. Não discuta, cara. Você sai sempre perdendo, pensando que está ganhando.

Ontem ela passou o dia todo me repreendendo pelo barulho que eu fazia num trabalho bobo que eu fazia. Ela tem a mania de brigar com os cachorros pelo barulho que eles fazem. Até com as moscas ela implica falando:

- Sai daí coisa ruim. Cai fora, vai, vai...

Eu caí na besteira de implicar com ela:

- Para de ficar falando com os animais. Eles não entendem o que você diz, nem vão obedecê-la, claro.

Ela nem pestanejou e falou:

- Pois é... Não são só as moscas. Desde cedo que estou falando pra você parar de barulho e você continua falando.

Fingi não entender a direta e saí de mansinho. Não sei se você se lembra, mas dia desses, eu lhe falei do dia em que ela estava sozinha em casa e quando ela está assim e vai fazer limpeza, sai de baixo. O mau humor chega logo. Eu estava pela rua. Quando cheguei, ela estava arrumando o quarto de dormir. Entrei pela sala e quando fui chegando ao quarto ela gritou, lá de dentro:

- Não vem pra cá agora não. Eu estou juntando tudo quanto é porcaria velha pra jogar no lixo!

Cara, eu dei um pulo pra trás, saí quase correndo e fui rir lá no portão. Sei lá o que ela estava considerando porcaria velha? Afinal de contas eu já tenho trinta e oito anos, vistos pelo retrovisor. É tempo pra dedéu e isso pode influenciar no que as pessoas veem na gente. E por isso preste e dê mais atenção à sua mulher. Se você for inteligente vai ver que ela está sempre com razão. Então seja inteligente. Senão ela vai rir e ratificar sua burrice. E o prejuízo vai ser seu, seja ele qual for. Te manca cara. O mundo é das guerreiras Amazonas. Você é só seu assistente. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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