Por Opinião
Em 10/01/2018

Você tem Síndrome do Olho Seco? - Alexandre K. Misawa*

Quando vivemos em grandes centros urbanos, muitas vezes, não nos damos conta dos danos que fatores como a poluição e a baixa umidade do ar podem causar. No entanto, esses aspectos podem contribuir diretamente para o surgimento de doenças sérias. Se você já sentiu incômodo como ardor ocular, vermelhidão, sensação de corpo estranho nos olhos, coceira e fotofobia, é melhor ficar atento, pois esses são alguns dos sintomas da chamada “Síndrome do Olho Seco”.

Geralmente, essa secura aparece com sinais progressivos ao longo do dia. A doença consiste na deficiência do filme lacrimal ou da lágrima e pode ser agravada principalmente pela baixa umidade do ar. Usuários de lente de contato, operados de cirurgia refrativa a laser e mulheres da terceira idade estão mais propensos aos desconfortos dessa disfunção, que atinge cerca de 15% a 20% dos pacientes que procuram um consultório oftalmológico. De acordo com a Associação de Pessoas com Síndrome do Olho Seco, calcula-se que 18 milhões de brasileiros sofram com esse mal.

Há dois casos principais para a decorrência do problema: a diminuição da produção e a evaporação da lágrima. Essa última causa pode ser prevenida com mudanças de hábitos do dia a dia, sendo que geralmente está associada ao uso intenso do computador, tablets, eletrônicos em geral e leitura prolongada. Além disso, é recomendada a realização de um check-up dos olhos uma vez ao ano.

O que se deve fazer para evitar a doença é dedicar-se a pausas regulares durante o uso do computador, diminuir o brilho do monitor, ingerir muito líquido e deixar os olhos fechados em intervalos regulares. Se mesmo assim, a sensação persistir, outra dica é piscar até sentir maior hidratação. Dentro de ambientes fechados, o ideal é evitar muita proximidade ou ficar com o rosto direcionado aos ventiladores. Em alguns casos, também é indicado utilizar lubrificantes artificiais.

Nos casos em que a síndrome ocorre por diminuição da produção da lágrima, o importante é investigar as causas e tratar a doença de base. Isso porque, além dos fatores ambientais, podem existir doenças oculares ou sistêmicas que contribuam para o olho seco, como alterações hormonais e algumas doenças imunes.

Nessas situações, devem ser usadas lágrimas artificiais no início e, em quadros mais avançados, é indicado o uso de pomadas que possuem poder de lubrificação maior. Em algumas situações, ainda, é necessária cirurgia para preservar parte da lágrima do olho. De qualquer forma, ao aparecimento dos primeiros sintomas, as pessoas devem procurar um médico oftalmologista para o diagnóstico e o tratamento adequados.

*Médico oftalmologista e coordenador de Oftalmologia do Hospital San Paolo, centro médico de médio porte da zona norte de São Paulo (SP).


2018: um ano e duas hipóteses - Ronaldo Mota*

Certas efemérides ganham algum sentido quando estimulam reflexões, conectando o passado recente com o futuro próximo, à luz do que enxergamos no presente. Garantia de acerto ninguém pode dar quando fazemos prognósticos, mas estes melhoram muito quando as percepções são mais acuradas. Ainda que as hipóteses sejam múltiplas, tão variadas como aqueles que as formulam, é tentador pensar em bifurcações simplificadoras. Portanto, o número dois aqui é representativo dos ramos principais e alguns elementos essenciais, sem pretender ser completo ou contemplar os infinitos galhos e variantes deles decorrentes.

Do ponto de vista da economia, temos especiais oportunidades para aumentar de forma significativa nosso padrão de produtividade, caminhando em direção a um desenvolvimento econômico que seja sustentável do ponto de vista social e ambiental. Vivemos um acelerado processo de globalização, onde as transações internacionais são, em parte, resultantes do parâmetro produtividade média dos trabalhadores de cada país. Indicadores de produtividade mantêm estreitos vínculos com a capacidade de inovação e a qualidade da educação da população, entre outras variáveis. O Brasil no comércio global responde por somente insuficientes 1,2% das transações, ou seja, menos da metade de nossa participação percentual de população no planeta, evidenciando nossas fragilidades competitivas ao lado do efetivo potencial de crescimento. No ano passado, houve alta de 18% nas exportações, indicando que podemos escalar posições no ranking global, especialmente se ampliarmos acordos com espaços como União Europeia e Índia.

Aumentar produtividade é, principalmente, melhorar o nível educacional. Os resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), envolvendo jovens de 15 anos de mais de 70 países, demonstram de forma inequívoca nosso passivo extremado. Classificado em 6 níveis, o nível 4 em matemática é o mínimo indicado para as carreiras tecnológicas, fortemente associadas à capacidade de inovar. No Brasil, somente 4% atingem o nível quatro, em comparação com 38% na Austrália, 43% no Canadá e 52% na Coreia.

Do ponto de vista social, temos elementos mais do que suficientes para nos convencermos de que o abismo social entre os mais ricos e os mais pobres inviabiliza o desenvolvimento sustentável. Temos, ao longo do tempo, obtido alguns sucessos em aumentar a escolaridade média, na erradicação da miséria e na redução dos índices de mortalidade infantil. Por outro lado, falhamos, e muito, em diminuir a violência, parte dela resultante das citadas disparidades sociais, e, principalmente, em ampliar a qualidade do ensino, com destaque negativo para o ensino médio. As discussões e as aprovações em curso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representam passos positivos em direção a, pelo menos, sairmos da simples constatação do desastre. Mesmo assim são, claramente, medidas insuficientes para encaminharmos o complexo tema da qualidade da educação.

Quanto à política, teremos as eleições nacionais. A questão passa a ser menos quem as vencerá e mais quão legitimados estarão o novo presidente e seus parlamentares parceiros para implementar aquilo que prometeram na campanha. A melhor perspectiva é um debate equilibrado e racional e, fruto deste, as conseqüentes escolhas conscientes pela maioria. Entre os temas principais, o papel e o tamanho do Estado. Seja um Estado eficiente e menos intervencionista ou, alternativamente, um Estado amplo, promotor central do desenvolvimento, ainda que em regimes de parcerias com os diversos atores da sociedade. A pior perspectiva seria um debate extremado e irracional, em que, por certo, eventuais vencedores terão opositores ferozes e enormes dificuldades em implementar as propostas que apresentaram nas eleições. As discussões terão sido suficientes unicamente para estimular a militância radicalizada e para convencer uma maioria eleitoral frágil. Porém, incapazes de agregar, pós-período eleitoral, uma predominância legitimada e substantiva que consiga levar adiante os temas mais relevantes para o país.

Longe de ter o peso dos temas acima, mas é também ano de Copa do Mundo. De um lado podemos ser surpreendidos por Suíça, Costa Rica e Sérvia, ficando a exemplo de 1966, fora das oitavas. Por outro, podemos, como temos o legítimo direito de esperar, uma belíssima final com Alemanha, na qual possamos nos redimir de vez de um passado nem tão distante. Assim como nos assuntos anteriores, não precisamos revidar os 7 a 1 de imediato, mas necessitamos urgentemente sentir que, ao menos, estamos na direção correta, tanto no tempo como no espaço.

*Chanceler da Estácio


Prepare-se para o amanhã - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“O segredo não é correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até você.” (Mário Quintana)

O jardim das nossas vidas está dentro de nós. Cabe a cada um cuidar dele, para que as borboletas da felicidade cheguem. E nunca conseguiremos isso sem o amor. E é muito importante saber amar. Nunca confundir o amor. Ele pode ser externado nos seus atos mais simples. A felicidade só chega quando estamos preparados pra ela. Então vamos nos preparar. É simples pra dedéu. Plante e cuide do seu jardim no seu dia a dia, para que as borboletas da felicidade venham até você.

Desmanche essa carranca. Sua beleza está em você e não no salão de beleza. Sorrir, cantar e dançar é ser feliz. O importante é que você não misture os segredos da felicidade. Ela não deve ser ínfima. E cabe a você saber onde encontrá-la. E se ficar perdendo tempo procurando-a fora de você mesmo, nunca vai ser realmente feliz. E você pode muito bem estar perdendo tempo franzindo a boca, achando que esse papo é furado.

Cheguei ao supermercado, pela manhã. Cheguei ao caixa e a moça me cumprimentou, perguntando se eu tinha passado um bom final de ano. Falei que sim, e ela falou que tinha sido muito feliz. Sorri e ela continuou:

- Tenho certeza de que esse ano vai ser muito bom pra mim. Mesmo porque, estou encarando-o com muita motivação. Estou muito otimista.

Sorri franco pra ela e falei que também estava otimista para o ano novo. E se isso lhe parecer papo de supermercado, corta essa. Aquela mulher me mostrou quanto ainda somos representantes reais do nosso mundo racional. E, com certeza, você se depara, vez por outra, com pessoas otimistas que sabem levar a vida como ela realmente é: “Uma peça de teatro que não permite ensaio”. Temos que desempenhar nosso papel no palco, a cada momento. Porque é assim que crescemos, evoluímos e nos racionalizamos.

Não se sinta menor, prestando atenção às coisas menores à sua volta. Elas fazem parte da evolução humana, mesmo quando não são humanas. Alguma vez você prestou atenção àquela florzinha silvestre no meio de onde seria uma calçada? Garanto que você está mais preocupado com a falta da calçada. Deixou de se sentir feliz em, pelo menos, alguns minutos na sua caminhada. Nunca desista de buscar a felicidade onde você está. Há sempre algo à sua volta, que pode fazer de você uma pessoa feliz, independentemente dos trancos que você possa ter vivido recentemente.

Se você se esqueceu de dar bom dia ao seu dia, hoje, faça-o agora. Ele está só esperando, e querendo, que você seja feliz. Não o decepcione. Depende de você. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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