Por Opinião
Em 10/11/2017

Além do ofício - Joelma Fernandes de Oliveira*

Quando se escolhe ou apenas se chega à determinada função para exercer algumas atividades, compreende-se que há – e se aprende – um conjunto de habilidades para realizar da melhor forma possível o trabalho que uma pessoa se dispõe a efetivar. O dicionário Aurélio até nos oferece o significado de ofício como sendo: “qualquer atividade de trabalho que requer técnica e habilidade específicas”. E isso nos parece bem real e verdadeiro em qualquer campo de trabalho, seja ele no âmbito da Educação ou não. Para exercer funções profissionais, então, é preciso, na maioria das vezes, dominar todos ou ao menos a maioria do que se requer de conhecimento relacionado com o campo de atuação em que se está inserido.

No entanto, dentro do serviço público – falo deste porque é nele em que estou arraigada – às vezes nos vemos diante de situações a serem realizadas que vão além de nossos deveres assinados quando da posse do cargo público. Essa questão das tarefas que temos de fazer em determinada função gera polêmica sem fim, cada qual sustenta uma opinião. Falarei por mim. Ao pensar nisso, observo o quão pequeno é entender que não se devem realizar determinadas atividades porque não se recebe vencimento para tal. A julgar, por exemplo, por meu campo de atuação, é bem difícil estabelecer a linha demarcatória das funções que o professor deve ou não deve fazer.

Pelo tempo de experiência profissional que tenho, sinto que quando se trata de um trabalho com pessoas, com educação, com instrução, como o é a escola, temos um caso de meio que envolve sentimentos, autoestima, conhecimento científico, mas saberes também de mundo, de vida. Assim, há necessidade de cuidado, de um trabalho realizado não apenas em busca de cumprimento dos ofícios que nos cabem, é preciso mais. Não estou dizendo que devemos ir contra a lei ou até nos desviar de nossas funções, realizando atividades alheias em detrimento das nossas, que, na educação, trata-se de desenvolver o processo de ensino e aprendizagem. Falo da missão que nós, enquanto humanos e enquanto professores, temos de fazer muita diferença na vida das pessoas. Sublinho: uma diferença positiva, para o bem!

A vida e a caminhada profissional na escola nos possibilitam conhecer pessoas, conviver com elas e, nesse ato, muitas vezes vivenciar seus dramas, seus medos, seus êxitos, suas descobertas. Acompanhamos seu crescimento. Ali estamos para ensinar conteúdos, mas também para dar uma palavra de carinho, um abraço acalentador, um “vamos lá, não desista!”.

Nessa linha de pensamento, recordo-me das lindas palavras do professor espanhol Jorge Larossa quando ele menciona que “É experiência aquilo que “nos passa”, ou que nos toca, ou que nos acontece, e ao nos passar nos forma e nos transforma; somente o sujeito da experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação”. Essa visão de mundo me inspira. Sigo, pois, reconhecendo a grandiosidade do processo de mudança que se dá a partir da experiência com o processo educacional.

Pensando nisso, só me resta agradecer por tudo o que tenho vivido e pensar em como é bom trabalhar em uma escola MULTICULTURAL, que busca diariamente se centrar e realizar práticas em uma perspectiva inclusiva. Uma instituição que visa ao acolhimento. Uma escola que se compromete – e como! – com os cidadãos e os profissionais que estão sendo formados nela e por ela para viver e trabalhar em prol da sociedade roraimense, da sociedade como um todo.

*Professora do Instituto Federal de Roraima - Campus Amajari


A xenofobia e os venezuelanos - Celson Figueiredo Cruz*

Há duas semanas, fui ao supermercado e, enquanto arrumava as compras na moto, uma senhora e possivelmente sua filha de uns 7 ou 8 anos chegaram ao local. A senhora desceu da bicicleta e disse, então, à menina:
-Vê se tranca direito esse cadeado senão algum venezuelano vai tentar roubar a nossa bicicleta.

Após, ela virou-se na minha direção e disse em alta voz:

-Diabos desses venezuelanos estão roubando, invadindo a nossa cidade e as autoridades não fazem nada. Alguém tem que fazer alguma coisa e esse alguém tem que ser a gente!

Na hora não falei nada, fiquei só ouvindo. Então, a senhora entrou no supermercado e eu fui para minha casa. Depois comecei a pensar no que tinha ocorrido e, então, me perguntei: Será que não existia ladrão aqui em Boa Vista antes dos venezuelanos migrarem para cá? O modo de pensar dessa senhora é um caso isolado ou reflete o sentimento de muitos roraimenses? Será que de alguma forma não estamos sendo preconceituosos? Será que este sentimento pode aumentar e se espalhar na nossa cidade? O que podemos fazer para evitar que isto ocorra?

Bem, na verdade, muitas outras perguntas começaram a surgir mais tentei então encontrar as respostas a estas que já estavam postas. Sabemos que a criminalidade em Boa Vista não começou com a chegada dos venezuelanos, ela já existe há décadas. Percebi também que o preconceito não é um fato isolado, ele tem aumentado em relação aos venezuelanos, e o modo de agir e de falar de muitos deixa isto claro.

Não somos um país caloroso e hospitaleiro? O que está acontecendo? Muitos justificam dizendo que, na época, muitos brasileiros iam à Venezuela eram maltratados. Mesmo que isto seja verdade, o Brasil não é um país predominantemente de cristãos? Ora, Jesus não nos ensinou a pagar o mau com o bem? E se todos estes problemas estivessem acontecendo no Brasil e tivéssemos de buscar sobrevivência na Venezuela, como gostaríamos de ser tratados?

Outros dizem que os venezuelanos estão “atrapalhando os trabalhadores locais”, pois exercem serviços pela metade dos preços que eram cobrados, e estão tirando os nossos empregos. É verdade que muitos estão sendo afetados devido à grande oferta de serviços, o que faz com que os preços caiam, no entanto, quem contrata esses trabalhadores, pagando às vezes a metade do preço, não somos nós (sociedade roraimense)? Então por que estamos reclamando?

Além disso, esse grande número de imigrantes venezuelanos tem um lado positivo para o Estado de Roraima. Você sabe quais os aspectos positivos desta que alguns chamam de “invasão Venezuelana”? Você sabia que boa parte do Brasil e do mundo está observando o modo como estamos agindo neste caso. Você já imaginou a grande oportunidade de intercâmbio cultural estamos tendo? Você pode aprender a falar um dos idiomas mais usados no mundo sem pagar nenhum real por isso! É só criar o hábito de conversar com os venezuelanos que estão aí por todos os lados.

A economia brasileira tem regredido ou em muitos lugares está estagnada. Em Roraima, a economia tem crescido acima da média nacional, por que será? Não serão os venezuelanos que aqui estão que colaboram com este crescimento? Vejo muitos deles comprando nos supermercados, nas feiras, lanchando nas praças, etc. Será que eles quando fazem isto não pagam impostos, será que não geram empregos também?

Acredito que a maioria dos venezuelanos não veio para cá em busca das “nossas riquezas”, vieram em busca de comida, de abrigo, de emprego e de dignidade. Portanto, será que temos o direito de negar isto a eles?

*Formado em licenciatura Plena em Geografia pela UERR e auxiliar administrativo do CEAF da Defensoria Pública do Estado de Roraima
Contato: celsonfcruz@gmail.com


Invista sempre - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“A primeira pessoa que deve investir em nós, somos nós próprios.” (Luiz Martins Filho)

Um dos maiores erros que cometemos, é o de ficar esperando que os outros façam por nós o que nós mesmos deveríamos fazer. E sempre somos capazes de fazer tudo por nós mesmos. É só acreditar nisso e ir em frente. Lembra-se da fala do Henry Ford? Ele disse: “Se você acha que pode você está certo. Se acha que não pode, está igualmente certo.” Tudo vai depender dos seus pensamentos e como você os usa. Você está preocupado com o burburinho em que o mundo está metido? Eu estou. Mas o que você está fazendo para viver racionalmente em tais vendavais?

Comece sua batalha sem luta. O equilíbrio que você dá aos seus pensamentos é a força maior que você tem para se equilibrar. Então caminhe pela corda-bamba sem receio de cair. Faça sua parte como ela deve ser feita. Mas, cuidado, o seu equilíbrio vai depender do equilíbrio na sua maneira de pensar. Nós somos o que pensamos. Nem mais, nem menos. E cuidado com a euforia dominadora, quando estiver fazendo o que deve fazer, como deve ser feito. O equilíbrio é que mantém você na corda-bamba, sem o perigo de cair.

Seja forte sem medos. O medo é inevitável. O que devemos evitar é o domínio que ele pode ter sobre nós. Não podemos ser feliz sem fazer os outros se sentirem felizes. Tarefa aparentemente difícil, mas muito simples. A dificuldade está em não conseguirmos ver as coisas com simplicidade. O ser humano tem a mania de complicar. Somos mais inclinados ao negativo. E é por aí que não devemos caminhar, em busca do sucesso. Sorria, cara. Não permita que os trancos do dia a dia façam de você um títere, ou trapo humano. Seu valor é você que lhe dá. E ele está em você mesmo. Ninguém é superior a você nem você a ninguém. Somos todos iguais quando sabemos o que somos.

Ame e você será amado. Mas, muito cuidado. Não caia na esparrela de manter o amor no balaio de caranguejos, no que a vulgaridade contribui. O amor é ago que só recebemos quando damos. E é por isso que ninguém tem o poder de nos fazer feliz, a não ser nós mesmos. E aqui vai uma sugestão já repetida: não caia na tolice de misturar amor com paixão, sexo e ciúme. São quatro coisas distintas que quando misturadas causam prejuízos, muitas vezes danosos. É o equilibro mental que conduz seus pensamentos ao seu subconsciente. E é no seu subconsciente que está todo o poder de que você necessita para ser feliz. Não permita que alguém dirija sua vida. Ame-se e você será amado, ou amada. Você pode realizar seus sonhos, se achar que pode. E sempre poderá. É só ir em frente. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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