Por Opinião
Em 13/04/2018

Quando usar a vírgula para separar aposto?

Antonio de Souza Matos*

A pontuação é uma tentativa de reproduzir na escrita a comunicação oral, porém não podemos cair na armadilha de pensar que a vírgula, por exemplo, deve ser empregada apenas para indicar uma pausa. Ela, na verdade, serve para separar elementos que exercem determinadas funções sintáticas, garantindo a clareza da informação. Neste artigo, gostaria de falar sobre o emprego da vírgula no aposto (termo da oração que explica ou especifica outro termo).

Existem dois tipos de aposto: o restritivo e o explicativo. O primeiro delimita ou restringe o sentido do termo a que se refere e não vem separado por vírgula. O segundo traz uma explicação sobre o termo ao qual faz referência e deve vir isolado por vírgulas.

Na oração “Pedro e seu filho José foram ao shopping”, o termo “José” é aposto restritivo de “filho”. A frase está informando que Pedro tem mais de um filho e que foi ao shopping comum deles: o José. Se usarmos a vírgula separando o aposto, o sentido muda: “Pedro e seu filho, José, foram ao shopping”. Agora, a oração está informando que Pedro tem apenas um filho, o José, e que foi com este ao shopping.

Vamos a outro exemplo. Na oração “O ex-presidente Lula pode ser preso”, o termo “Lula” é aposto restritivo – especifica o substantivo “ex-presidente” (faz com que o leitor saiba de qual dos ex-presidentes se está falando, já que há muitos). Se o colocarmos entre vírgulas, a informação se altera: “O ex-presidente, Lula, pode ser preso”. A nova frase, com o aposto explicativo no lugar do restritivo, está dizendo que só existe um ex-presidente [o que não é verdade], cujo nome é Lula, e que ele pode ser preso.

Para lançar mais luz sobre o assunto, convém esclarecer que o aposto explicativo é dispensável. Analisemos esta oração: “João da Silva, engenheiro florestal, reside em Boa Vista há dois anos”. Se excluirmos “engenheiro florestal” (aposto explicativo), não comprometeremos o sentido da frase (em geral, o leitor não precisa saber se João é engenheiro). Já o aposto restritivo é essencial para a precisão da informaçãoque desejamos transmitir. Se escrevermos “O ex-presidente pode ser preso”, o leitor, dependendo do contexto, se perguntará: “Qual deles?”.

Dadas as explicações, talvez algum leitor objete: “Isso tudo é bobagem. Vou continuar usando a vírgula toda vez que aparecer um aposto. Não vou ficar me perguntando se ele é restritivo ou explicativo. Não tenho tempo para isso”. Deixe-me dizer mais uma coisa a título de convencimento: às vezes, a falta de vírgulas isolando o aposto explicativo pode suscitar difamações e constrangimentos. Digamos que, na coluna social de um jornal, alguém escreva a seguinte notícia sobre determinada autoridade:

“João da Silva e sua esposa Gardênia estavam passeando na Praça das Águas” (os nomes, obviamente, são fictícios). Alguém, ao ler a informação, pode ser levado a concluir: “João tem mais de uma esposa”. Nem é preciso dizer o estrago que isso pode provocar.
A vírgula, assim como os outros sinais de pontuação, não é para ser usada de forma aleatória, mas segundo critérios sintáticos. Como vimos, para empregá-la corretamente no aposto, temos de diferenciar o restritivo do explicativo.

*Professor e revisor de textos
E-mail: matoseluiza@yahoo.com.br

 

Sobre Tapumes, aparelhos auditivos, disciplina e canetas sem tinta

Luiz Maito Jr*

Colocaram ante nossos olhos míopes, óculos riscados. Agora sim enxergamos, dá pra ver que por detrás dos tapumes, há uma obra sendo refeita, quem sabe uma obra de grande valor, esperemos então, pois se há tapumes há esperança do que o que era antes deixe de ser, quem sabe deixando de ser, se torne algo novo, nossos olhos míopes não enxergavam, mas os tapumes e os óculos riscados, agora nos dão esperança.

Colocaram em nossos ouvidos surdos, um aparelho com bateria fraca. Ahhhh agora sim ouvimos. Ouvimos as buzinas, os xingamentos, o povo passando apressado nos sinais de Boa Vista, antes quando estávamos surdos ouvíamos palavras estranhas, pedindo ajuda em uma língua hermana, agora que nos deram aparelhos auditivos só mesmo o cotidiano normal de alguns anos atrás, buzinas, xingamentos e freadas repentinas.

Colocaram militares em nossas escolas, antes podíamos dialogar com todos, falar e ouvir. Éramos democráticos, agora sim, apenas ordem e disciplina são importantes, o combate à violência nunca se fez do portão pra fora, mas é mais fácil dizer que os jovens são os criminosos, e que não deve haver “partidos” na escola, colocaram militares na escola e o “Selva” substitui o livro e o conhecimento libertador.

Colocaram canetas sem tinta em nossas mãos, se antes escrever era difícil, agora sim podemos nos expressar, já que a partir da terceira palavra, nada será lido, afinal textos muito grandes cansam. Que povo chato esse que escreve tanto, bastam três palavras para não dizer nada, para esquecer os tapumes, os aparelhos auditivos, a disciplina e a caneta sem tinta.

*Licenciado em História pela UERR

 

É questão de sentimentos

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Desde que um sentimento de inferioridade se enraíza na personalidade, seja qual for sua causa, a batalha está travada”.

Mantenha a porteira sempre fechada. Não permita a entrada de sentimentos negativos. E com certeza, os sentimentos vêm morcegados nos pensamentos. E o melhor que podemos fazer para evitar a invasão é evitar os pensamentos negativos. Eles estão aí. À nossa disposição o tempo todo. Mas os positivos também. O resultado vai depender do que escolhermos. E na maioria das vezes não somos capazes para escolher. Pegamos sempre o que está mais próximo. Quase sempre o negativo. Por que, não sei. Mas que é isso, é.

Por volta do meio-dia de certo dia, eu conversava com um velho amigo jornalista, numa repartição pública. De repente, na sala contígua, ligaram o televisor e o que ouvimos foi uma verdadeira enxurrada de sensacionalismo barato e nauseante. O assunto era a morte de uma garota que fora jogada do sexto andar de um edifício. A maneira como a notícia estava inundando as nossas casas era realmente nauseante. O amigo jornalista olhou pra mim, viu minha cara de nojo e comentou sério:
- A imprensa brasileira tá parecendo mais um amontoado de urubus sobre um monte de carniça.

Ainda bem que não havia alguém na sala, além de nós dois. Senão teria havido protesto. A maioria das pessoas não tem noção do mal que tais programas trazem à saúde da população. Fale isso com seu médico e, certamente, ele vai lhe dizer que estou com a razão. O número de pessoas acometidas por doenças induzidas pela mente não está no gibi. E que é que colocamos em nossas mentes quando ficamos boquiabertos, durante a vida inteira, diante da televisão ouvindo coisas que só nos trazem tristeza, revolta e aborrecimento?

O que queremos da vida se só buscamos dela o que ela tem de pior? Quer um conselho de amigo? Cuide de você cuidando de sua saúde. E cuide de sua saúde cuidando de você. Não perca seu tempo nem sua saúde com notícias negativas e doentias. Mude o canal de seu televisor quando ele não lhe oferecer algo que valha a pena ser assistido. Pense em você. Seja positivo dedicando seu tempo a coisas e assuntos positivos.

Quando um sentimento de inferioridade toma conta de nós, tornamo-nos inferiores. Como animais de origem racional, somos influenciáveis. E como somos apenas de origem, somos mais vulneráveis ao negativo. Ele é uma exigência na lapidação racional. Mas a lapidação reside exatamente na rejeição ao negativo. Ou rejeitamos o negativo ou vamos continuar por aqui, choramingando a desgraça alheia por mais, sabe-se quantas eternidades. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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