Por Opinião
Em 14/07/2017

Para onde caminha a humanidade? - Sebastião Pereira do Nascimento*

Desde os primórdios da humanidade, a vida em sociedade é marcada por contradições e conflitos. Na contemporaneidade, este fato está cada vez mais visível, na medida em que assistimos atônitos, ao alto grau de conflitos e desacertos sociais por parte da humanidade. Como diz o filósofo Delmo Mattos, a todo instante, somos conduzidos a crer que a coisa bruta sempre fez parte da condição humana.

Portanto, a boa vida apregoada por Aristóteles não nos cabe mais? No nosso cotidiano também não nos cabe mais pensarmos na solidariedade? Hoje vivemos numa época de transformações em todos os níveis. Não obstante, estas transformações refletem inexoravelmente na nossa própria capacidade de lidarmos com os semelhantes.

Onde o outro é cada vez mais estranho para nós e está mais distante de nossa própria capacidade de ver como ser humano. Há quem tema que isso possa ser uma tendência geral e que essa atitude hostil seja incorporada de forma ainda mais acentuada, com menos compromisso social e sem julgamento nenhum.

Atualmente o que percebemos é que os esforços das pessoas, que antes eram usados para as coisas satisfatórias, agora são voltados para as coisas nocivas. Essa potencialidade humana que deveria ser o objetivo em comum agora é aliada à avidez e ao desejo imoderado pensado de forma unilateral e desprovido do sentido humano.

Diante dessas mazelas gerais, um fato que contribuiu muito para o fracasso da humanidade, foi a partir do momento em que se pensou dividir a sociedade em categorias ou classes sociais, contrariando a natureza singular da própria humanidade. Sim, começamos a sucumbir no momento em que esse processo de heterogeneização social sobrepôs o estado de igualdade promovendo o estado de segregação.

Sendo a mais forte estratificação social a estirpe humana que se convencionou tratar como classe média (que apesar de ser um contingente menor do que as classes desassistidas é a casta de maior potencial de ação e coerção), onde insatisfeita com o estado das coisas que só lhe convém e com a ordem estabelecida pelo paradigma neoliberal, hostiliza as populações pobres e bajula os super-ricos, ou seja, é a principal força motriz que impulsiona a concentração de renda e promove a pobreza extrema. Essa classe social quando exaltada deseja tão veemente ampliar suas oportunidades de receber benefícios muitas vezes impróprios, utilizando todos os meios possíveis de se apossar de seus interesses existencialmente corrompidos.

A classe média é uma categoria humana que sofre de profunda oligofrenia – déficit de inteligência composta pela tríade: debilidade, imbecilidade e idiotia. Portanto, um conjunto de sujeitos débeis, imbecis e idiotas que forma a força destrutiva da massa. Como diz a filósofa Marilena Chauí “a classe média é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante e arrogante. Ela é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética porque ela é violenta, e uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante”.

Não o bastante, quando as diferentes categorias de classe média se unem em prol de interesses mais universais, diluem-se numa massa humana e passam a agir, sentir e pensar contra os próprios interesses essenciais, perdendo todo o poder de reação humana, e como categorias que vivem em constantes conflitos passam ser facilmente doutrináveis.

Em muitos casos essa massa amorfa permanece num estado de dependência do poder instituído, não sendo capaz de adquirir seu estatuto político social. Pois ela é socialmente desmobilizada e desprovida de uma axiologia pujante que lhe permita transformar a ordem estabelecida num plausível progresso social.

De acordo com o filósofo Renato Bittencourt, a massa social, quando é manipulada pelas classes dominantes, torna-se fragilizada emocionalmente e coletivamente utilizada como massa de manobra. Isso porque ela atua acima de tudo por meio de um sentimento confuso, devido à sua incapacidade de expandir a sua potência intrínseca através de uma valoração efetiva e transformadora das reais condições humanas.

Assim a humanidade esfacelada em diversos seguimentos torna-se difícil alcançar um equilíbrio social sólido. Por outro lado, é importante entender que o ser humano é um ser social, e como qualquer ser social ele necessita viver numa sociedade que ofereça condições de igualdade entre todas as estratificações humanas sem distinções.

Com isso, acerca dessas acepções, urge a necessidade de uma reflexão sobre a própria animalidade humana. Afinal, o objetivo de uma reflexão sobre a essência da natureza humana identifica aquilo que é próprio dela. E faz com que de repente venha uma resposta trazendo uma ideia que possa restituir o sentido da humanidade, que na atual conjuntura caminha sem direção.

*Filósofo
sepenascimento@gmail.com


Liberte-se - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Todo povo é uma besta que se deixa levar pelo cabresto.” (Henrique IV)

Do século XVI para cá, o que mudou na maneira dos grandes políticos e poderosos verem e considerarem o povo? Na fossa em que está afundando nossa política, dá pra ver que nada mudou. A política continua sendo o maior meio de enriquecimento. Chegou a um nível tão desesperador que até me tira do sério. Está me fazendo dizer coisas de que nunca imaginei ser capaz. Na verdade, não estou decepcionado. Tive a felicidade de conviver com grandes políticos nacionais, desde minha infância. E sinto um orgulho incomensurável por me sentir livre das armaduras em que ela, a política, não conseguiu me prender. Sinto-me um cidadão, embora a política não permita que eu o seja legalmente. Deu pra sacar o pensamento?

Por favor, preste mais atenção aos acontecimentos atuais. Porque só você pode se livrar do lamaçal nauseabundo. Nada de revolta nem protesto, apenas reconhecimento do seu dever de cidadão. Veja as coisas como elas são e deveriam ser. Os bandidos estão indo para as cadeias. Nada mais justo nem fora de tempo. O importante é que aprendamos com os acontecimentos e não voltemos a nos comportar como bestas encabrestadas. E devemos partir do princípio de que somos todos culpados pelos desmandos, uma vez que não fizemos nem fazemos nada para evitá-los. A justiça está tentando fazer sua parte. Cabe a cada um de nós ajudá-la.

Faça sua parte no aprimoramento do pensamento desaprimorado dos políticos e administradores despreparados e desonestos. Porque eles estão nos tornando desonestos, uma vez que os elegemos ou simplesmente os apoiamos. Afinal somos todos responsáveis pelos desmandos que estão acontecendo. Os servidores do Rei Henrique não tinham o poder que nós temos hoje. Não era à toa que eles eram considerados bestas encabrestadas. Mas nós temos a liberdade de nos libertar de mentes doentias como a do Rei. Mas temos que nos valorizar. E não nos valorizaremos enquanto continuarmos elegendo larápios, bandidos e histriões para nos representar na política nacional.

Vamos nos valorizar para que não continuem nos vendo e tendo como bestas de cabresto. E não estou sendo grosseiro. Apenas estou tentando acordar você, se você ainda é dos que vão para as ruas levantar bandeiras para a quadrilha que está roubando seu dinheiro e espezinhando sua dignidade, e cidadania. Esqueça essa bandidagem e seja mais você nas próximas eleições. Veja quem e o que você vai levar para o poder público para nos representar com dignidade. Primeiro veja se seu candidato está preocupado com a nossa Educação. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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jesse@folhabv.com.br
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