Por Opinião
Em 14/11/2017

Crônica do pai amigo - Walber Aguiar*

Meu pai sentia o que eu sinto agora, depois que cresci...

Um dia tive um pai. Aliás, tenho até hoje. E amanhã de manhã ele acordará comigo, me chamará de colega e iremos juntos à feira. Na banca de dona Adalgisa comeremos uma panelada com mocotó, compraremos um frango assado no Big Star.

Depois do almoço ele sentará na cadeira de balanço e contará as velhas histórias repetidas com o entusiasmo de sempre. No melhor da conversa ele fechará os olhos e se entregará aos cochilos da tarde morna e ventilada. Aí passarei a mão em seus cabelos e sairei de fininho pra não acordá-lo.

Papai Genésio vai viver sempre aqui dentro. Vai viver naqueles passos lentos que plantavam milho e feijão verde no quintal, que me levava ao circo na "cacunda", que andava pela Coronel Mota segurando a sagrada caixa do trombone. Também na lembrança da tabuada de multiplicar perguntada a mim e a Cleres, nas lapadas de cinturão, nos bolos de palmatória, nas caminhadas ao Bradesco, na amizade com Carlinhos Freire, nas conversas com o tio Arigó, Zé Chico, seu Valdecir, dona Iolanda, seu Chico Cunha, Lauriston e com quem quer que encontrasse no caminho da Feira de São Francisco.

Enfim, eu tenho um pai, e sinto sua ausência-presença nos dias mais festivos, nas noites mais tristes, nas tardes mais tediosas. Um pai que olhava a criança Creyse no bercinho, que repartia a farofa de ovo comigo de manhã, à mesa. Carrego comigo a lembrança da banda "Furiosa", pois ali aprendi que avida podia ser tocada, festejada, celebrada.

Aprendi com ele a ser bom e a ser simples, embora a realidade nos empurre na direção de uma "felicidade" consumista, isolada e extremamente individual. Eu tenho um pai que sentiu a minha dor quando me perdi nos "labirintos" confusos e herméticos de Manaus. Um pai que me abraçou durante meia hora, tamanha era a saudade, a carência e o medo que enxergava em meu olhar.

Um pai que me ensinou a orar, a rezar o Credo e a amar de modo intenso as mulheres, sem reservas e sem falso moralismo. Ensinou-me que a feira era o lugar do diálogo, que o lar era a geografia do aconchego e do encontro com os outros e consigo mesmo. Jairo, filho do seu Figueiredo, o chamava de maestro. Sim, pois ele aprendeu com o tempo a reger a grande orquestra da vida. Professor que era, ensinou que o simples é um caminho por onde passam os pés da felicidade, que o respeito e a dignidade são inegociáveis.

Eu tenho um pai que me fez ressuscitar dos vales mais profundos da depressão e de uma espiritualidade adoecida. Que caminhou comigo a segunda milha, que tocou profundamente a minha alma e me ensinou que a vida pode recomeçar sempre. Depois de tudo o que com ele vivi, com amigos e irmãos, mãe e outros, descobri que não tive apenas um pai, tive o maior amigo que a vida me deu.

Um dia tive um pai. E ele continuará comigo para sempre...

*Poeta, professor de filosofia, historiador, Conselheiro de cultura e membro da Academia Roraimense de Letras
wd.aguiar@gmail.com


Chega de enganação - Marlene de Andrade*

“... vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios... não vos torneis insensatos...” (Efésios 5.15)

Quando o Brasil sediou a última Copa do Mundo, o Lula vibrou muito, não só ele, como todos que estavam envolvidos com a construção de inúmeros estádios de futebol. E aí, no que deu essas construções? Infelizmente, viraram “elefantes brancos”! Entre tantos, construíram um estádio, a Arena Pantanal em Cuiabá com capacidade para 41 mil pessoas, o qual se tornou uma escola para 300 alunos. Portanto, essa construção fugiu ao seu propósito. A manutenção desse prédio tem custo altíssimo para o Estado, o que não passa de um verdadeiro absurdo. É muito dinheiro indo parar nas mãos dos corruptos, sem que a população possa fazer absolutamente nada. E o pior é que tudo isso sai do bolso do contribuinte, o qual não tem direitos, e sim só deveres.

Não bastasse a construção desse estádio, construíram outros mais em Natal, Brasília, Manaus, Pernambuco e mais um em Mato Grosso. Esses estádios foram construídos para nada e tal fato é inadmissível. O estádio, por exemplo, de Manaus, foi considerado um dos mais belos entre todos os construídos para a Copa, mas ele não dá lucro e sim só prejuízo. Outro absurdo é o estádio Mané Garrincha em Brasília, o qual já deu até processo para alguns políticos do Distrito Federal. Quanto a Arena Pernambuco construído a 20 km de Recife está entregue às “baratas”. Sabe quem construiu esse estádio? O “talentoso” Odebrecht. Já aqui em Boa Vista o Estádio Canarinhos também entrou no rol dos outros já citados acima e o lamentável de tudo isso, é que esses estádios não conseguem lotar suas arquibancadas e nesse ritmo fica difícil manter esses “elefantes”. Aí vem o governo federal afirmar que a economia está melhorando, mas onde? Só se for a da Suíça!

Será que essas pessoas não sentem remorsos por tantas roubalheiras? É muita insensatez! E por falar na construção de “Elefantes Brancos”, me lembrei do teatro daqui de Boa Vista. Será que essa obra vai terminar ou também vai virar “Elefante Branco”? Tomara que não, mas as perspectivas não são nada otimistas. Não podemos nos esquecer do Totozão. Ele está servindo para alguma coisa? Levantar prédios para virar ninhos de ratos, morcegos e entre outros, baratas, clama a Justiça de Deus.

Não levamos nada deste mundo e neste viés Romanos 14:1 nos exorta asseverando que cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Outro versículo muito oportuno para essa reflexão vem de salmos, vejamos: “Ensina-nos Senhor a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Salmo 90.12).

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT


Chute o balde - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“O bom humor é contagiante; espalhe-o. Fale de coisas boas, de saúde, de sonhos, com quem você encontrar. Não se lamente, ajude as outras pessoas a perceber o que há de bom dentro de si”. (Aristóteles Onassis)

O pensamento do Onassis implica certeza de que toda a felicidade de que necessitamos para viver bem, está dentro de nós mesmos. Quando estiver se sentindo infeliz não adianta sair por aí procurando a felicidade. Você a encontrará no momento exato em que deixar de se preocupar, ou aborrecer-se com o que está aborrecendo-o. Simples pra dedéu. O bom humor é o remédio. E não há quem possa viver feliz, mal-humorado. E se estiver nessa, acorde. Procure ver se o que está provocando o mau humor vale a pena.

Está ficando repetitivo dizer pra você, que todo o poder de que você necessita para ser feliz está em você. Quando você se sabe superior não há lobo que o devore, porque você não é a vovó. Nada é mais simples do que viver a vida com felicidade. Porque só na simplicidade é que encontramos o valor das coisas. Não perca seu tempo falando de coisas desagradáveis. As notícias negativas que você ouve todos os dias pela mídia, devem ser descartadas. São apenas notícias.

Respeite sempre as pessoas que você considera sem valor, por elas não estarem no seu nível social. Cumprimente-as. Veja-as como elemento componente da sociedade em que você vive. Elas estão apenas em um nível socialmente considerado inferior. Mas que o nível social em que você vive não se manteria, sem a presença dela no nível dela. O que faz você fazer a reflexão que você e ela são iguais nas diferenças. O que vai fazer com que você respeite as diferenças. E isso, com certeza fará você sorrir. E é no seu sorriso que você vai encontrar a felicidade que buscava lá fora.

Seja e se sinta feliz, fazendo com que as outras pessoas se sintam felizes com sua presença. E você não vai conseguir transmitir a felicidade se não for realmente feliz. E sem felicidade você nunca irá se sentir bem. Então, cure-se. Você tem esse poder. Aliás, só você tem o poder de fazer isso por você. E se não se conscientizar disso nunca irá ser feliz. A escolha é sua. O poder está com você. E comece por não levar esse papo para o campo da filosofia, religião ou coisas assim. É apenas um papo amigo de quem não se deixa levar pela marola da infelicidade. Porque esta não é mais do que uma minúscula onda de águas turvas, que encortina a mente dos despreparados. Ser feliz é saber viver a vida como ela deve ser vivida, sem interferências de quem quer que seja. Seja feliz, como dono de você mesmo, na racionalidade. Pense nisso.

*Articulista
Afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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