Por Opinião
Em 15/05/2017

Antonio Candido: um grande humanista - Benedito Antunes*

A morte do Professor Antonio Candido, em 12 de maio deste ano, deve ser lamentada, mas pode também ser tomada como ocasião para recordar sua bela figura e principalmente para refletir sobre sua obra. Ele foi, como poucos, um humanista convicto, que aplicou seus princípios em tudo o que fez, e não fez pouco ao longo de sua vida. Foi professor, pensador e militante político, tendo em todas essas atividades uma atuação notável, que quase não encontra paralelo.

Como professor, foi carismático pela inteligência, humor e clareza na exposição da matéria. Suas aulas sempre atraíram inúmeros alunos e mesmo colegas, que não perdiam a oportunidade de sorver os conhecimentos generosamente ali distribuídos e, de quebra, aprender um pouco com ele a ser professor. Como pensador, deixou uma obra incomum, da qual talvez a Formação da Literatura Brasileira (1959) seja o título mais expressivo, pela originalidade, densidade e atualidade. Costuma ser citado como um dos estudos fundamentais para se entender o Brasil.

Mas há também o clássico Os parceiros do Rio Bonito (1964), sua tese de Sociologia, e Literatura e Sociedade (1965), em que expõe seu original método de análise da obra literária. Como militante político, lutou incansavelmente pela igualdade social em várias frentes, tanto escrevendo textos “de ocasião” como atuando partidariamente. Além de militante do antigo Partido Socialista Brasileiro, foi um dos fundadores do PT, por acreditar que esse partido poderia contribuir para a diminuição da injustiça social no País.

Antonio Candido ingressou na carreira acadêmica em 1942, como professor de Sociologia, mas em 1958 passou a ensinar Literatura Brasileira na recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, que ajudou a criar. Costumava repetir a amigos que era grato a essa Faculdade por lhe ter dado a oportunidade de dedicar-se à sua maior vocação: os estudos literários. A esse propósito, declarou em 2012 que foi no Segundo Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, realizado em Assis, em 1961, que expôs os princípios de seu conhecido método crítico, num “primeiro esforço para mostrar como é que o externo se transforma em interno, como é que o social e o psíquico deixam de ser social e psíquico para se tornarem realidade estética”.

Com a mesma clareza dispensada às aulas, Antonio Candido dedicou-se aos ensaios, muitos dos quais se tornaram referência obrigatória para o estudo de autores e temas e mesmo para a constituição de um método de análise literária. Nesse sentido, “Uma dialética da malandragem” (1970), dedicado a Memórias de um sargento de milícias, mudou a história desse romance e colocou em prática de forma consistente e sugestiva a metodologia de leitura da obra em sua relação com a história e a sociedade, que ele vinha elaborando desde a década anterior.

Antonio Candido formou muitos professores e intelectuais brasileiros. Deixou, na verdade, uma tradição da crítica dialética no Brasil. Muitos de seus textos tornaram-se populares, não apenas porque são lidos nas salas de aula, mas porque emprestam argumentos e métodos a muitos leitores que buscam neles esclarecimentos sobre literatura, cultura brasileira, política, humanismo.
Suas ideias sobre a literatura como um direito humano são pioneiras e de larga aceitação no âmbito das ciências humanas. Nos ensaios em que trata do assunto, consegue uma das façanhas só possíveis a um grande intelectual que nunca perdeu o chão da história e das contradições de seu tempo: expor a um público heterogêneo as questões mais urgentes do ponto de vista social e artístico sem perder o rigor e o equilíbrio que elas exigem.

Por tudo isso, pode-se dizer que a figura de Antonio Candido não encontrará um substituto tão cedo. Não é nenhum exagero afirmar que foi único na interpretação do Brasil por meio da literatura e da cultura. Seu estilo claro, elegante, envolvente, cultivado conscientemente como parte de sua missão de professor, serviu para enfrentar as principais contradições de seu tempo com extremo respeito ao próximo, discutindo ideias e fenômenos, e não pessoas, tornando-se, por isso, uma verdadeira unanimidade entre os que o conheceram como aluno, amigo ou leitor.

Mesmo depois de afastado de suas atividades profissionais, Antonio Candido continuava ativo, recebendo pesquisadores, colegas e amigos. Conversar com ele continuou sendo uma atividade cativante e prazerosa.

Sua prodigiosa memória lhe permitia evocar fatos, personalidades artísticas e históricas com rara lucidez. Ultimamente, segundo costumava dizer, mais relia do que lia. Machado de Assis era seu preferido nessa atividade. E a esse respeito afirmou certa vez que o escritor era bom em qualquer língua, independentemente da tradução. Sempre muito agudo em suas observações, Antonio Candido nunca perdeu o humor e a visão otimista que alimentava do homem. Para ele, apesar de tudo, havia progresso em sua história, uma espécie de triunfo do socialismo, perspectiva que resumia seu ideal de humanização.

*Professor de Literatura Brasileira da UNESP de Assis


À Mãe... - Tom Zé Albuquerque*

Ontem foi um dia dedicado às Mães, comemorado sempre no segundo domingo do mês de maio, todos os anos. É um dia de reunião familiar, troca de carinhos, afetos entre os familiares voltados à genitora. Embora ferrenhas críticas por parte de muitos pela data, em razão do aquecimento comercial que antecede o sublime momento, mas nada disso atenua o objetivo alcançado.

A origem deste dia remonta à idade antiga a partir de rituais e festividades alçados por figuras mitológicas maternas concernentes a fenômenos de fertilidade. Do ponto de vista teológico, Eva e Maria reforçaram a relevância maternal. Porém, o dia oficial da maternidade foi cunhado somente no início do século XX através da história de Anna Jarvis, uma americana que perdeu a mãe precocemente e, diante de tanta dor, tomou a iniciativa, em 1914, de alojar um dia para homenagear a figura materna. No Brasil, a primeira comemoração nesse sentido ocorreu em 1918 na Associação Cristã em Porto Alegre/RS, embora somente no Governo Getúlio Vargas, em 1932, a data tenha sido formalmente fincada nos moldes americanos.

A imensurável e impreterível importância do ser materno ganhou contornos filosóficos através de grandes expoentes mundiais, tal qual teceu Charles Chaplin: “Sem minha Mãe, acho que jamais teria me saído bem na pantomima. Ela possuía a mímica mais notável que já vi. Às vezes, ficava durante horas à janela olhando para a rua e reproduzindo com as mãos, os olhos e a expressão de sua fisionomia tudo o que se passava lá em baixo. E foi observando-a assim que eu aprendi não somente a traduzir as emoções com as minhas mãos e meu rosto, mas, sobretudo a estudar o homem...”. A atitude pueril e profunda de uma Mãe foi retratada por Honoré de Balzac: “O coração das Mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre um perdão”.

Oscar Wilde, com seu sempre discernimento aguçado, instigativo e revestido de humor, apontou sobre a influência maternal na continuidade da vida de seus filhos: “Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria Mãe. Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria Mãe. Essa é a sua tragédia”. Guimarães Rosa distendeu a falta que faz a Mãe... “‘Mãe, o que é que é o mar, Mãe?’ Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d‘água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. ‘Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?’". E sobre isso, Guy Maupassant nos leva à reflexão: “Amamos as nossas Mães quase sem o saber e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no momento da derradeira separação”. Mas o medo maior de um ser materno também fora declarado por Florbela Espanca: “Eu tecerei uns sonhos irreais... Como essa Mãe que viu o filho partir; como esse filho que não voltou mais!”.

Nesse mister materno, enxergamos Mães que se contorcem na angústia mas entregam ao mundo sua prole em formato de caráter absoluto, com personalidade construída; tem-se Mães extremadas no amor que estragam filhos para o mundo, prejudicando; mas vimos também Mães que abandonam (que ser é este?) seus filhos... Assim como existem filhos (que ser é este?) que abandonam Mães.

Filhos são para suas Mães o sublime perfeito, dignos de constante recuperação e retomada, sempre belos e passíveis de renovação. “O amor de Mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece a lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho”, pregou Agatha Christie. Como disse Mário Quintana, “Mãe são três letrinhas, nada mais...”.

*Administrador


Estudar ou fazer sucesso? - Rubens Marchioni*

Eu me sentia orgulhoso no papel de professor universitário. Estava dando a minha contribuição para formar as novas gerações de profissionais. Ensinava Criação e Redação Publicitária, no curso de Propaganda de uma importante escola particular, em São Paulo.

Chegou o dia em que um jovem e bem sucedido global, dono de espaço exclusivo, na grade da emissora, falaria como um dos palestrantes na Semana de Comunicação. Eu fazia parte da mesa.

Relatando a sua trajetória, deteve-se no início da estrada que o levaria para a TV. Lembrou que depois de receber do pai uma boa quantia de dinheiro, também para cursar uma faculdade, talvez de Direito, pensou “Agora eu tenho de decidir: estudar ou fazer sucesso. Escolhi fazer sucesso.”

Os alunos vibraram. E voltaram para a sala de aula transformada pela declaração retumbante, Moisés apontando o rumo da Terra Prometida. O caminho para eles estava traçado. E decididamente não incluía nenhuma imersão nos estudos.

Talvez não tivessem se dado conta de que o emblemático Washington Olivetto – W/McCann – vive muito bem munido de conhecimentos de Psicologia, Sociologia, Antropologia, etc., segundo pude constatar, degustando algumas de suas apresentações, em eventos memoráveis sobre Propaganda feita com qualidade. A coleção de Leões de Ouro trazida de Cannes e outros festivais não foi obra do acaso. Lado a lado, Nizan Guanaes – África – antes de ser N.G., foi aluno de Administração de Empresas em nada menos que a Harvard Business School, de onde trouxe conhecimento de sobra para se transformar no presidente do poderoso Grupo ABC de Comunicação. Primeiro estudou. Depois, e só depois, fez sucesso. Afinal, nem tudo nesse mundo é Rede Globo quando o assunto é mercado de trabalho.

Existem histórias que, colocadas de cabeça pra baixo, começam a fazer sentido. Por que não?

*Palestrante, publicitário, jornalista e escritor. Autor de Criatividade e redação e A conquista.


A vida pela vida - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Tudo aquilo que eu sou ou espero ser eu devo ao anjo que foi minha mãe.” (Abraham Lincoln)

As comemorações já nos fazem sonhadores. Passamos os dias anteriores analisando o que iremos comprar para presentear ou conquistar. Mas há comemorações que são realmente especiais. Há nelas uma mistura sadia de amor, amizade e paixão sadia. E a comemoração ao dia das mães é realmente algo que nos enriquece racionalmente. A existência humana é repleta de ações emocionais que nos levam a reflexões severas. É quando nos conscientizamos de que o amor é único, porque ele é único. Não há amor verdadeiro nem falso. Porque se não for verdadeiro é falso e não é amor.

A mãe nos traz ao mundo, dando-nos à luz. E isso por si só já expressa a grandeza de ser mãe. E tudo fica por aqui. O Lincoln nos mostra que somos o que nossas mães fazem de nós, no que fazem conosco. E isso encerra tudo. Tudo o que somos ou pretendemos ser, devemos a ela. Ame sua mãe, mas não só no exibicionismo dos festejos. Você é fruto da junção entre dois dos do quarteto que compõem a vida durante a vida: o amor, o sexo, a paixão e o ciúme. Eles formam um grupo reunido, mas não unido. Não se separam, mas atuam diferentemente e de acordo com a nossa evolução racional.

Coloque sua mãe no topo da grandeza. É no amor com o qual ela construiu você, que você vai viver se souber viver a vida pela vida. E você só construirá seu futuro com o amor calcado no amor que sua mãe lhe deu enquanto mãe. Minha mãe foi uma construtora. A sua também. Desfrutar o valor da construção depende só de cada um de nós. Mas não devemos, em momento nenhum, esquecer a grandeza daquela que nos deu à luz, trazendo-nos ao mundo que devemos construir com o ensinamento que ela nos deu.

O dia passou, a festa acabou, mas a vida continua. E não deixemos esfriar o calor do amor que sentimos e demonstramos do dia dedicado a ela. Mesmo porque, por maior e mais festejado que ele tenha sido não foi, nem é, maior do que o amor que devemos e vamos dedicar ao anjo que nos deu à luz. O que faz de cada um de nós, elemento da luz. O que nos leva a iluminar o caminho para o qual fomos criados. E temos toda a força necessária para mantermos nosso caminho iluminado, com a luz do amor à qual o anjo nos deu.

Tenha uma boa e iluminada semana. Aproveite cada momento do seu dia, hoje, porque ele é o início do seu futuro. Caminhe sem medos nem receios. Você é a única pessoa sobre a Terra com capacidade para construir sua felicidade ou infelicidade. Faça a escolha, iluminado pela luz da racionalidade. O universo é seu e está à sua espera. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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