Por Opinião
Em 15/05/2018

Crer é também pensar - Walber Aguiar*

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” Raul Seixas

Valha-me Deus! Foi o grito que se ouviu diante do perigo iminente. Um grito comum em casos incomuns, em momentos de dor e desespero. Naqueles dias em que o sinistro se apresenta de repente, desagendando o amanhã.

Quando alguém disse que não havia nenhum ateu nas trincheiras, o fez com a mais absoluta convicção. Até porque a limitação humana está sempre presente, na hora da fome, da morte ou da guerra. E é justamente aí que Deus é invocado, ainda que por aqueles que dizem descrer.

Ora, ninguém pode afirmar crença ou descrença sem recorrer à boa e velha inteligência. Isso porque quando cremos ou descremos, não podemos segurar qualquer tábua de salvação que passe a nossa frente. Temos que saber argumentar motivo, causa e razão, sem recorrer a burrice ou ao fanatismo religioso.

Não adianta imitar Laplace, na tentativa de usar Deus para tapar os buracos do universo, para remendar o tecido científico esgarçado por argumentos pífios. Nem procurar Deus num tubo de ensaio, tirando coelhos da cartola mágica de um ateísmo sem vida e sem graça.

Se os que se dizem ateus criticam abertamente aqueles que dizem crer, há necessidade de que eles saibam discernir entre ~evangélicos~ e discípulos de Jesus. Até porque, há um abismo que diferencia os dois grupos, principalmente se levarmos em consideração a falência do cristianismo enquanto sistema carcomido pela tradição religiosa, pelo legalismo de usos e costumes, pelos projetos megalomaníacos feitos em nome de Deus, pela teologia da prosperidade, onde Deus é transformado em mercadoria e prateleira de supermercado.

Se for para crer de maneira hipertrofiada, onde os mais espertos, com apenas um olho, comandam os cegos de guia, os ingênuos de Jesus, é melhor que se abrace o ateísmo como forma de não crer em absolutamente nada. Pelo menos não se tem que dar satisfação a quem quer que seja. Nem a Deus, pois o mesmo existiria apenas como referência de negação.

Crer é também pensar. Até mesmo descrer. Só que, diante do encurralamento existencial e do vazio causado pela ausência de Deus, o melhor a fazer é abraçar com força o mais fascinante projeto de vida: conhecer a Jesus e segui-lo. O que passar disso é aridez, ignorância e escuridão...

*Poeta, professor de filosofia, historiador e membro da Academia Roraimense de Letras. wd.aguiar@gmail.com


O Brasil que eu quero é igual ao da Suíça - Marlene de Andrade*

O que oprime o pobre insulta àquele que o criou. (Provérbios 14:31)

Alguns teólogos católicos perceberam que a sociedade precisava ser justa sem oprimir os pobres e por isso organizaram uma política denominada de teologia da libertação que à primeira vista apresenta uma doutrina coerente. Assim sendo, eles começaram a ter um discurso, o qual mostrava uma preocupação da Igreja Católica com as desigualdades. Esses teólogos, principalmente, Leonardo Boff, chegaram a essa conclusão se fundamentando no marxismo.

Até aqui tudo bem em relação à teologia da libertação, pois Deus não se agrada daqueles que roubam e oprimem os humildes e quer que os mais afortunados, economicamente, retirem o povo da escravidão, subserviência e exploração.

Ocorre que onde o socialismo/comunismo foi implantado se tornou um regime opressor e aqui bem perto de Roraima está a Venezuela que se transformou numa nação ditatorial e autoritária, por excelência, levando o povo desse país se afundar num mar profundo de pobreza e humilhação de forma inconcebível. E não adianta dizer que o verdadeiro comunismo ainda não existiu, visto que cem anos de existência já tinha dado tempo desse regime ser um sucesso e infelizmente, não deu certo na Alemanha nazista, Itália fascista e na Rússia de Stalin. Evidentemente, também não podemos pensar que o capitalismo global e desenfreado tem sido bom para os povos em geral.

Calvino, fundador da Igreja Reformada Presbiteriana tremendamente conservadora da Palavra de Deus, há vários séculos atrás, não se contrapunha ao mundo dos negócios, contudo ele sempre alertava que ganhar dinheiro não é pecado e sim deixar de ajudar os seus semelhantes em todas as suas necessidades.

Em Genebra, onde o Pastor Calvino residia e foi prefeito há 500 anos, não foi implantado o comunismo e sim uma política que deu dignidade para todos. Lá ficou literalmente proibido, por lei, deixar mendigos nas ruas largados à própria sorte, sendo assim, eles eram obrigados a aprender uma profissão e começar a trabalhar para se sustentar com exceção, é claro, dos doentes. Nesse caso, o Estado instituía cursos profissionalizantes e se os mendigos não quisessem aprender uma profissão e trabalhar, eram presos. Portanto, na Suíça não tinha bolsa família uma maneira degradante de enganar o povo.

Devido à seriedade das Políticas Públicas da Suíça, lá as prisões estão sendo fechadas por falta de bandidos e juiz vai trabalhar, se preciso for, até de bicicleta, sabe por quê? Lá não tem ladrão e tem mais, deputados na Suíça não tem salário. Sendo assim, esse é o Brasil que devemos querer para todos nós e não um país onde a corrupção chegou a um patamar tamanho, que se essa história não mudar, literalmente, vamos nos tornar pior do que a Venezuela.

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT


 “Laranja madura, semente amarela”. - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Os homens sempre envelhecem, mas raramente amadurecem”. (Alphonse Daudet)

Ainda confundimos amadurecimento com idade avançada. O ser humano raramente amadurece. Ainda não somos educados para amadurecer. E se se prestar bem atenção ver-se-á que continuamos na contramão. Ainda não aprendemos, porque não nos ensinam, que na medida em que vamos evoluindo tecnologicamente e não amadurecemos, vamos ficando reféns das doenças. Estas estão cada vez mais agressivas, até mesmo quando nascem nas nossas emoções. A medicina evoluída nos diz que mais de setenta por cento das doenças apresentadas nos consultórios e postos de saúde, são doenças induzidas pelasemoções. E o pior é que cada vez mais estamos ficando esclarecidos, e convencidos disso não damos importância ao fato. E vamos, cada vez mais, caindo no poço doentio. Já imaginou como somos voláteis e frágeis diante dos produtores de emoções?

Na verdade somos muito frágeis. Até mesmo quando pensamos que somos o dono da verdade, nem mesmo conhecemos a verdade. Ainda não descobrimos, porque não nos ensinaram a descobrir, que somos os donos de nós mesmos. Ainda necessitamos que os outros nos digam quem somos, e o que devemos fazer para ser o que eles querem que sejamos. A família, a igreja e a escola não nos ensinam a amadurecer. É uma lição que temos de aprender em nós e por nós mesmos. E nunca vamos amadurecer enquanto não aprendermos a dirigir nossas vidas. A realidade é o momento. E a cada momento devemos criar nova realidade. E não a criamos enquanto estivermos ligados e presos à realidade de ontem. Não vamos amadurecer enquanto continuarmos a querer resolver assuntos maduros com atitudes infantis.

Já imaginou quantos vivem a ilusão da fantasia, pensando que estão vivendo a realidade do amadurecimento? Quantos de nós somos capazes de controlar nossas emoções? E ainda não aprendemos que enquanto não as controlarmos não controlaremos nossa saúde. E enquanto não tivermos saúde não viveremos sadiamente. Simples pra dedéu. A doença é um problema. E nenhum de nós está livre de problemas. O que não devemos é nos prender a eles. Deixar-nos dominar por eles. E fazemos isso a todo instante. Até mesmo quando estamos diante do televisor assistindo a uma novela. Não a assistimos para nos divertir, mas para viver as emoções trazidas pela vilania que é a moda da moda. E nem mesmo imaginamos nem acreditamos o quanto elas nos fazem mal. O Nuno Cobra certa vez falou para um seu cliente: “Você não tem doença nenhuma; o grande problema é que você não tem saúde”. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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