Por Opinião
Em 15/07/2017

Alagamentos, especulação imobiliária, drogas e você. - Luiz Maito Júnior*

Mais uma vez nos chegam notícias sobre alagamentos no Caetano Filho, popularmente conhecido como Beiral. Os alagamentos realmente são periódicos ali, mas acho que todo mundo lembra muito mais dali como um lugar de traficantes, usuários de drogas e de crimes. A prefeitura anuncia depois de quase 6 anos deste dois mandatos que agirá de forma firme para acabar com estes problemas, inclusive retirando seus moradores de lá.

O problema é o seguinte: tirar pra mandar pra onde? Vamos revitalizar o Beiral? Isso lembra exatamente o que aconteceu no Rio de Janeiro, no início do século passado, onde os negros e pobres foram varridos de seus lugares em nome de uma revitalização urbana, os cortiços da zona portuária foram demolidos e as beiradas dos morros começaram a ser escaladas, o nascimento das favelas. Aqui não acontecerá nada parecido? Boa Vista linda de se ver (até a Avenida Venezuela?)

A propriedade privada tão decantada pelos governos, garantida pela nossa Constituição liberal, não vale para todos? É claro que estes moradores serão empurrados para muito além da Avenida Venezuela, porque lá Boa Vista é cega, não dá pra ver beleza. Já imaginou quanto valerá uma casa à beira do Rio Branco no Centro da cidade? E quanto se ganhará com isso?

Mais uma vez a tática de dizer que as drogas estão acabando com o local servindo de desculpas para o capital se apropriar do espaço que pode vir a ser privilegiado. Ou alguém acha que depois da revitalização haverá ainda alagamentos? Ou então que a polícia, a Guarda Municipal ou seguranças privadas estarão povoando o local? É necessário acreditar que somos realmente incapazes de resolver os problemas dos desvalidos para que eles possam ser resolvidos para a bela e polida elite.

*Estudante de História da UFRR


Qual sua cor? - Vera Sábio*

De vez enquanto, fico sabendo que pessoas que enxergam tentam informar, através de outros sentidos, como são as cores para pessoas que nasceram sem o sentido da visão. Algo teórico, mas que é impossível comprovar na prática.

Dizem que o verde é a esperança, por exemplo. Outra possibilidade é que o vermelho é o amor, mas pode ser a dor, o sangue, agora tão reconhecido sendo o comunismo. Tem também o método que foi desenvolvido por alguns estudantes da moda, em que colocaram cheiros de frutas em roupas de cores diferentes. Dizendo que o cheiro de limão correspondia ao verde, de laranja ao laranja etc. Será que assim dá certo?

Tudo bem que eu não nasci cega e tenho a noção de várias cores que cheguei a enxergar, trazendo elas em minha memória visual, por isso, para mim, isto foge um tanto da realidade, aliás, nunca teremos como aproximar a visão dos outros sentidos e nem substituí-la, mas podemos conquistar boa liberdade, boa autonomia e conseguir fazer bem o que podemos fazer com os sentidos que temos.

Quis começar o texto desta forma para entrar em um assunto bem mais delicado que é o racismo e propor, sem preconceito, de olhos fechados, que as pessoas reflitam sobre a importância de cotas para negros em concursos públicos ou mesmo em cursos universitários como já existe.

O assunto ficará muito extenso se neste texto eu também citar que não sou favorável a cotas para pessoas com deficiência. Afinal, isto não traz nada de inclusão quando uma pessoa que enxerga perfeitamente de um olho e pode até mesmo guiar uma moto, dirigir um carro, ler e andar sozinha sem auxilio de bengala ou outro guia compete com uma pessoa cega total ou tetraplégica.

É fato notório que, desde tantos anos existindo  cotas, já deveriam ter realizado bons cursos escolares e profissionalizantes realmente adaptados e dando boas condições de aprendizagem, independente da necessidade de cada um. Para os cegos, por exemplo, deveriam os livros didáticos ser em braile no ensino básico e, depois, todos com acessibilidade digital, tendo computadores adequados para atender com eficiência esta população.

Voltando a cor de cada um... O que isto faz diferença em seu potencial?     Concordo que, por décadas, os negros tiveram menos possibilidade de estudar e se profissionalizar em relação aos brancos, mas isto de ter cotas não está de forma sucinta dizendo que eles não têm a mesma capacidade de fazer e concorrer aos concursos como os demais?

Só para utilizar a palavra inclusão já é claro que existe por trás uma situação ou várias situações excludentes. Então, onde estão o respeito e condições de aprendizado destinado a diferença de cada um?

Se tiver que haver as cotas, como há para pessoas com deficiência, que, por favor, haja prazo para que o déficit educacional tanto para os negros como para os deficientes seja corrigido e em tanto tempo todos possam mostrar suas potencialidades no mesmo nível. Pois ser diferente é normal.

*Psicóloga, palestrante, servidora pública, esposa, mãe e cega
 CRP: 20/04509
vera.sabio@tjrr.jus.br


O que eles falaram - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Quanto mais corrompida a República, mais leis.” (Rui Barbosa)

Fico pensando em como se sentiria o Rui Barbosa, se estivesse por aqui, hoje, assistindo a este espetáculo político. Como ele estaria conversando com os grandes políticos brasileiros. Mas me acalmo, pensando que o Rui não falou o que falou sem motivos, na sua época. O que indica que nada mudou. Nem vai mudar enquanto não mudarmos, nós mesmos. Mas deixemos os pensadores do passado e vejamos o que dizem os pensadores políticos atuais.

“Os partidos nacionais são arapucas eleitorais e balcões de vendas.” (Afonso Arinos)

Será que o Afonso Arinos estava pensando no futuro com as trocas de deputados na votação da bagunça atual? Legal pra dedéu. Nos dias do Afonso Arinos não era diferente. O que significa que nada mudou de lá pra cá. E quando será que vai mudar? E só há um caminho. E com certeza, você sabe qual é. Só não sei é se vai segui-lo.

“Na Câmara não há bobos. O menos esperto ficou na suplência.” (Ulisses Guimarães)

O menos esperto, acho que foram precisamente esses que o Temer escolheu para substituir os considerados mais espertos que votariam contra ele. Ulisses tinha razão. Afinal de contas ele sabia o que dizia. E como sabia. Era o mais esperto. Mas o mais importante é que não vilipendiemos os que nos ensinaram e ensinam com o que dizem.

“Somos o único caso de democracia que condenados por corrupção legislam contra os juízes que os condenaram.” (Joaquim Barbosa)

Será que temos algum exemplo por aqui, entre nós? O Joaquim Barbosa tem razão. Acredito que ele saiba realmente que somos o único caso de democracia que pratica esse absurdo. Mas até agora ainda não ouvi nenhum protesto contra a fala do Ministro. O que significa que ele está com razão.

“Com o Congresso podemos até não ter alguma liberdade, mas sem o Congresso não teremos liberdade nenhuma.”. (Jarbas Passarinho)

Disse tudo. Sem o Congresso não teremos liberdade. Então vamos cuidar da formação do nosso Congresso. O que significa que a responsabilidade pela desordem atual é toda nossa. E se somos responsáveis pelo nosso futuro, vamos cuidar do nosso presente como preparativo para o futuro. Vamos nos preparar para que nossos filhos e netos não venham a viver os vexames que vivemos atualmente, porque ainda não sabemos eleger políticos merecedores do nosso voto. E não nos esqueçamos que ainda temos bons políticos no Brasil. O pior é que enquanto continuarmos elegendo maus políticos não permitiremos que os bons políticos trabalhem. E certamente não é esse o futuro que devemos construir para nossos descendentes. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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jesse@folhabv.com.br
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