Por Opinião
Em 20/04/2017

Concurso público - Flamarion Portela*

Realizar o Concurso Público foi inquestionavelmente o momento mais difícil dos meus dias diante do Governo de Roraima. Não só pela dificuldade de quebrar paradigmas, mas também pelo número de forças contrárias à realização do mesmo.

Quantas e quantas vezes recebi em meu gabinete ou em casa, o comandante da Polícia Militar e o secretário de Segurança Pública, que avisavam: o senhor e sua família estão correndo risco de vida.

Ainda impactado e todas às vezes era assim, chamava imediatamente a Ângela para participar da conversa e discutir o que fazer, como agir, haja vista, que as ameaças eram extensivas às nossas filhas.

Feito esse desabafo, quero agradecer ao Ministério Público de Roraima por ter sido um grande parceiro e apoiador nessa empreitada difícil, inclusive, indicando o Cespe (ligado à Universidade de Brasília) para a realização do "Concursão", como era chamado. Essa instituição deu credibilidade ao certame. Não houve nenhum questionamento judicial e o concurso foi realizado com sucesso.

E por que o concurso? Porque é a forma legal, legítima e constitucional de se ingressar no serviço público. É através dele que são escolhidos os melhores para servir à população, que paga toda a conta.

Lamento que muitos não tenham compreendido esse momento da história do novel Estado de Roraima.

Vencida essa etapa, seguimos em frente e começamos a dar posse aos aprovados. Lembro com muita alegria que, só na Polícia Civil, demos posse a 1.251 policiais em um só ato. Ao todo, foram efetivados quase 9 mil servidores.

O sonho da estabilidade foi realizado em muitas famílias, que puderam, a partir desse momento, planejar suas vidas com a mais absoluta segurança. Uns tiveram condições de cursar uma faculdade ou de financiar a dos seus filhos. Outros financiaram a casa própria, vários compraram automóveis. A estabilidade abriu muitas portas e todos puderam planejar melhor suas vidas.

Não posso deixar de lembrar que o concurso, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mudou o perfil das pessoas que migravam para Roraima e que foi o indutor de Boa Vista se transformar numa cidade universitária. Todos despertaram para os estudos.

Nos últimos anos, houve uma verdadeira "caça" a concursos em todo o País, fazendo surgir publicações especializadas e até mesmo um novo termo: o “concurseiro”, para denominar aquela pessoa que virou "especialista" em estudar para concursos.

O aumento da concorrência tem reflexo na qualidade do profissional aprovado nos concursos públicos, haja vista que exige muito mais afinco nos estudos e, consequentemente, isso reflete no fortalecimento da capacidade do Estado, que ganha também na qualidade do atendimento à população.

*Deputado estadual e ex-governador de Roraima


Reforma é justiça social - Michel Temer*

A proposta de Reforma da Previdência que enviamos para o Congresso Nacional tem dois objetivos centrais. É imperioso adaptar a Previdência à nossa realidade demográfica. A cada ano, o número de idosos aumenta, enquanto diminui o número de jovens. A consequência disso é simples: estamos caminhando para ter mais beneficiários do que contribuintes na Previdência. A Reforma faz com que o Sistema Previdenciário se torne financeiramente sustentável.

O outro ponto é uma questão de justiça social. Não podemos deixar que os mais de 60% dos contribuintes da Previdência, justamente os que ganham menos, continuem financiando privilégios de uma minoria. É preciso acabar com os privilégios.

Estamos fazendo uma reforma que trará mais igualdade para todos. A Previdência será mais justa com os mais pobres, e mais rígida com os mais ricos.

Há críticos da Reforma, por discordância política ou por desconhecimento da realidade. A afirmação de que não há déficit é completamente falsa. Dizer que aposentados terão direitos suprimidos é igualmente falso.

Não tocaremos em direitos adquiridos: quem já se aposentou ou quem já tem direito a aposentar-se não verá nada mudar com a reforma proposta. O que muda é que, com a reforma, nossos aposentados terão assegurados direitos que, sem ela, seriam corroídos pela insolvência do sistema.

Cabe destacar a contribuição que os parlamentares estão dando para a reforma. O relator, o presidente da comissão e os líderes partidários estão ouvindo as bancadas e estamos acolhendo suas sugestões. O que vem do Congresso, da Câmara é para aprimorar e para estar em consonância com as aspirações populares.

O mais importante é que, com a sensibilidade adquirida no contato com suas bases, os parlamentares, em suas adequações, atendem como é a nossa intenção, precisamente aqueles mais vulneráveis. E também defendem o fim dos privilégios, fazendo com que todos os que recebem valores salariais ou vencimentos, ou subsídios, tenham o mesmo padrão para efeito de aposentadoria. Não haverá mais diferenciação entre as várias categorias. É uma demonstração de seriedade, de compromisso com o povo e com o País.

O que estamos fazendo é em favor do futuro, para garantir a higidez das contas públicas, para garantir que os aposentados atuais continuem a receber suas pensões e, especialmente, para a continuidade dos programas sociais que nós patrocinamos e para que aqueles mais jovens, no futuro, possam também desfrutar de uma adequada pensão previdenciária.

*Presidente da República


Lulismo e chavismo aqui ponto chegaram - Ranior Almeida Viana*
    
Em 2005, participei do 16° Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes. Além da concentração do evento ser na Capital Venezuelana, Caracas, ocorria em outros estados e cidades da Venezuela. Estive acompanhado de parte da delegação do Brasil no Estado de Aragua, mais precisamente em sua capital Maracay e em Victória, pernoitamos na Base Aérea El Libertador (Maracay) marcada historicamente por ter tido o Batalhão de Paraquedista comandado pelo Tenente Coronel Hugo Rafael Chávez Frias, que em 1992 seguiram para Caracas rumo ao Palácio Miraflores, para tomar o poder do então presidente Carlos Andrés Pérez.

Golpe de Estado esse que não obteve sucesso por dissidência de muitos aliados, fazendo com que a revolta não tivesse êxito, porém deu início a ascensão a Hugo Chávez como líder da Revolução Bolivariana que buscava promover mudanças politicas, econômicas e sociais na Venezuela.

No ano de 1998, Chávez ganhou as eleições para presidente da República Bolivariana da Venezuela. Voltando aos meados de 2005, este evento que menciono no início do texto é um evento de viés esquerdista realizado a cada quatro anos como o mais significativo evento político, cultural e antiimperialista organizado por forças juvenis e estudantis progressistas e democráticas do mundo com participação de delegados de 144 países. Era o auge do Chavismo.            

Era de admirar a idolatria por ele nas ruas, claro que de, a cada dez pessoas com que se falassem na rua, duas pelo menos seria antichavista, e essas chavistas perguntava-nos bastante sobre o presidente Lula, da época na qual havia um bom relacionamento entre esses chefes de estado e também com o de Cuba, que era Fidel Castro. Outra ligação entre estes é a Construtora Odebrecht (presente na Venezuela desde 1992) realizando construção de porto, metrô e outras obras nestes países evidenciadas em sua delação na operação Lava-Jato que fez metrô, porto e outras obras com financiamentos do BNDES.

Portanto, passados quase doze anos, é perceptível que o sucesso que tanto o Lulismo no Brasil e o Chavismo na Venezuela chegaram ao ápice naquela época. Hoje mostram que a política populista adotada para agradar e manobrar as massas populares junto a falta de eficiência de seus escolhidos sucessores contribuíram para a crise e a alta inflação (principalmente a Venezuela) que estes dois países enfrentam hoje.
    
*Licenciado em Sociologia – UERR, Bacharelando em Ciências Sociais – UFRR
raniorameida@outlook.com 


Quem se ama vive - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Quando me amei de verdade descobri que em qualquer circunstância eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato”. (Charles Chaplin)

Sempre que ouço discussões, pela televisão, sobre o sentimento de revolta, ou coisa assim, fico preocupado com o despreparo dos que discutem. Você não precisa ser um intelectual para entender a vida. A cultura nem sempre está na intelectualidade. Já aprendi tanta coisa boa e sábia, de pessoas sem qualquer instrução escolar. Talvez venha daí meu encanto pelos Pontos de Cultura que me deram muitos momentos felizes nos interiores do Brasil. Uma pena que os governos não tenham dado tanta importância a importância do movimento cultural.

Mas, não era esse o assunto que me trouxe até aqui ao computador. Há duas pessoas que sempre me levam ao além, quando penso na vida: Charles Chaplin e Lya Luft. A Lya, por exemplo, nos diz: “A gente sempre pode melhorar, desde que não seja apenas para ser como os outros querem que sejamos”. E só nos libertamos e não somos o que querem que sejamos, quando nos amamos de verdade. Porque quando nos amamos sabemos o que somos. E quando sabemos o que somos, somos o melhor a cada momento. Porque nossa capacidade de amar depende do nosso desenvolvimento mental.

Mas não confunda o amor com derramamento de sentimentos. O amor é puro e, portanto, indefinível. E por isso não deve ser confundido com vulgaridade. E é a vulgaridade que é sempre discutida nos programas televisivos. Quando amamos não perdemos o rumo nem a prosa. É quando doamos o amor, dando amor, amando. E quando amamos damos e não cobramos retorno. Então porque nos aborrecermos quando não somos correspondidos no amor? Pura e mera tolice. Porque quando exigimos retorno estamos trocando, e não dando. Proust também disse que: “O objeto amado não existe senão na imaginação do amante”. Então ame, mas sem exigir retorno. E é nesse barco furado que ainda continuamos misturando amor com paixão, ciúme e sexo. São coisas distintas e que não devem ser misturadas, senão dá angu.

Quando nos amamos, amamos nosso próximo. E quando amamos perdoamos, e o perdão não significa respeitar a inferioridade, mas entender o comportamento dentro da racionalidade. Por que se sentir ofendido quando se sente traído? A traição é um golpe de inferioridade, e se você se aborrecer com ele estará se igualando a ele. Está naquela que nem sempre é entendida: “Dize-me com quem andas e te direi quem és”. Aí você mergulha na do Emerson: “Você é tão pobre ou tão rico quanto o seu vizinho, senão não seria vizinho dele”. Valorize seu amor, amando-se. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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