Opinião

Opiniao 21 04 2018 6054

Nanocertificados: claramente, o futuro!

Ronaldo Mota*

Houve um tempo, próximo passado, em que nas formaturas os concluintes do ensino superior celebravam a despedida da vida de estudante. Mais do que isso, era razoável supor que lograssem algum sucesso nas empreitadas seguintes, sem que fosse imprescindível continuar estudando. Afinal, era esperado que, ao final de um curso de graduação, com duração da ordem de 4 a 6 anos, os principais conteúdos, os procedimentos básicos e as técnicas associadas tivessem sido plenamente adquiridos. Mesmo que fosse ingenuidade, o passado, por vezes, foi permissivo quanto à possibilidade dessa leitura.

Os tempos contemporâneos se caracterizam pela radicalidade e rapidez nas transformações. O mercado de trabalho já não é o mesmo, tampouco as características principais que são demandadas daqueles que pretendem aproveitar oportunidades de novos negócios são as mesmas. Adentramos, progressivamente, uma era em que a informação passa estar plenamente disponível, instantânea e gratuita. Caminhamos em direção a um cenário de educação permanente ao longo de toda a vida. Neste contexto, tão ou mais relevante do que o conteúdo aprendido em um curso de graduação é ampliar a percepção acerca de como se aprende. Ou seja, o saber aprender passa a ser a chave principal para enfrentar o desconhecido, que caracteriza o período que vivenciamos.

Se o mundo não é mais o mesmo, se as demandas da sociedade se alteraram e se os educandos e seus propósitos são diferentes, não há motivos para imaginarmos que os cursos, em seus formatos e em seus conteúdos, devam permanecer inalterados. Eles se adaptarão ao novo contexto, alguns mais rapidamente, outros com algum atraso, mas, nada permanecerá imune às inevitáveis e aceleradas transformações. Neste cenário, observaremos os cursos de graduação e de MBA (“Master of Business Administration”), gradativamente, sendo complementados ou migrando em direção àquilo que se adotou chamar de nanocursos, emissores de nanocertificados.

O prefixo “nano” começou a ser utilizado ao final da década de 1940 e é derivado da palavra que em grego significa “anão”. No contexto estritamente científico, representa uma unidade de medida associada à bilionésima parte de algo, tal como nanosegundo ou nanometro. Popularmente, passou a significar algo muito pequeno.

Educacionalmente, em torno de 2014, surgiram os primeiros nanocertificados (em inglês, “nanodegrees”), os quais buscavam atender, em curto espaço de tempo e sendo extremamente focados, as demandas por aprendizagem de habilidades específicas, particularmente aquelas voltadas para as necessidades do mercado de trabalho, na maioria dos casos na área de tecnologias da informação. Em geral, são projetos práticos que avaliam e certificam os educandos após um período de cerca de seis meses de estudo. Os nanocursos tendem a representar uma alternativa relativamente mais prática, ágil e de menor custo para quem quer alavancar sua carreira e comprovar capacitação para missões bem definidas. Para as empresas, significa a oportunidade de customizar as formações demandadas de seus profissionais de maneira mais objetiva, direta e eficiente. Os pioneiros nesses cursos eram ligados à empresa americana de cursos online, Udacity. Hoje, tais iniciativas estão bastante disseminadas, com diferentes origens, formatos e propósitos.

Vivenciaremos realidades inéditas, sendo a maior parte delas mediadas pela chegada das ferramentas da inteligência artificial, da onipresença da internet das coisas e dos inevitáveis robôs. As tarefas que permitem ser automatizadas, certamente, o serão. Várias profissões como nós as conhecemos atualmente terão, em geral, duas opções: desaparecer ou mudar radicalmente. Nada será de imediato, nem por isso quer dizer que será demorado ou prorrogável. Quanto antes nos adaptarmos, maior a possibilidade de sobrevivência e de sucesso, seja enquanto indivíduo, grupo ou organização. Os nanocursos estão longe de serem as causas das mudanças; são somente claros sintomas de processos que alterarão de forma substantiva os caminhos segundo os quais aprendemos e ensinamos. Afinal, estamos falando de um futuro que começou a acontecer ontem.

*Chanceler da Estácio

 

Dependendo do que você pensa

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Lembre-se de que você é na vida aquilo que se recusa a ser”.

Vamos para uma reflexão de fim de semana? Sei que isso lhe parece chato e enfadonho. Mas é aí que você começa a dançar. Quando as coisas não estão dando certo você começa a se preocupar com elas. É aí que a jiripoca pia. Quando nos preocupamos com os erros continuamos errando. Quando aprendemos a ver e usar os erros como lição, aprendemos a acertar. Thomas Edson já nos ensinou isso. Sempre ele não acertava numa experiência e alguém comentava sobre o erro, ele dizia: “Eu não errei. Apenas aprendi como não se deve fazer”. Faça isso sempre que cometer um erro. Mas isso não quer dizer que o erro não deva ser levado em consideração. Se se deixar pra lá, comete-se novo erro. É muito comum você falar de como você não quer ser, de como não deseja isso ou aquilo, quando deveria dizer o que você quer, no que deseja. Está parecendo complicado? É muito simples. Simples pra dedéu. É só uma questão de hábito. Ou mais precisamente, de mau-hábito.

Nada muda para nós enquanto não mudamos nós mesmos. Você já sabe disso. Talvez não esteja observando isso nem lhe dando atenção. Então mude. Mude seu jeito de pensar, de falar e de agir. Mesmo porque é na mudança dos pensamentos que mudamos a vida. Faça uma reflexão; agora, mesmo sem concentração nem meditação. Apenas reflita sobre seu jeito de falar e sua maneira de rejeitar os pensamentos mais positivos. Todos nós temos uma tendência muito forte a rejeitar pensamentos positivos. Eles nos parecem sonhos e divagações. E é aí que embarcamos na piroga furada. Nunca fale, nem pra você nem pra alguém, sobre coisas que você não quer e que lhe desagradam. Sempre que você entra em pensamentos, inicia um papo com seu subconsciente. Mesmo sem você perceber o que está fazendo, está fazendo.

Sempre que estiver conversando com alguém e sentir vontade de falar sobre o que você não deseja na vida, cale-se. Aguarde o momento exato pa
ra lhe dizer o que você realmente quer. O Mestre Manuel Jacinto Coelho costumava nos dizer, nas reuniões semanais, no Retiro Racional: “Antes de se casar, observe sua sogra. É nela que você vai ver como sua esposa vai ficar”. O que entendíamos nas palavras do Mestre era que toda garota filha de uma mãe obesa tem verdadeiro pavor de ficar como a mãe. E é esse pensamento que ela transmite para o seu subconsciente e é isso que ele vai providenciar independentemente de ela querer ou não. E isso é muito mais sério e real do que você imagina. Pense nisso e bom fim de semana.

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