Por Jessé Souza
Em 13/09/2017

Paisagem da ausência

Ir à Serra do Tepequém em busca das belezas naturais daquela região, ao norte do Estado, significa, antes de tudo, observar a ausência absoluta do poder público. A questão das estradas é uma delas, a começar pelo trecho norte da BR-174, onde imensas crateras representam uma grande ameaça para condutores de veículos.

Se há negligência por parte de muitos condutores, que não respeitam limite de velocidade e sinalizações, os buracos no asfalto só complicam essa situação. Nos 100 quilômetros de Boa Vista até a entrada para o Tepequém, a qualidade da pavimentação é péssima.

Entrando pela RR-203, que é a rodovia estadual que liga a BR-174 até a sede do município de Amajari, antes de se chegar à serra, a realidade não é muito diferente. A buraqueira ao longo do caminho também compromete a segurança dos condutores, isso sem contar com a falta de acostamento.

Nem mesmo o trecho urbano desta rodovia recebe um tratamento adequado por parte da Prefeitura de Amajari. Sai prefeito e entra prefeita, o asfalto dentro da sede daquela cidade é uma vergonha, principalmente porque ali é o “cartão de visita” do lugar e porque é a estrada que leva turistas, que por sua vez significam divisas para aquele município.

Também não custa lembrar, a RR-203 dá acesso a fazendas e sítios de autoridades, inclusive à propriedade rural da família da governadora, o que significa que a situação das estradas é de conhecimento daqueles que deveriam tomar providências a fim de garantir estrutura àquela região importante para o turismo roraimense.

Outra questão que aflige visitantes e moradores da região é a falta de um posto de gasolina no Km 100, na Vila Três Corações, o que impõe a todos um preço absurdo do combustível que só é vendido na sede do Amajari, já perto da Serra do Tepequém. Os moradores são abastecidos com gasolina clandestina, da Venezuela, o que significa desabastecimento quando não há combustível em Santa Elena de Uairén, no país vizinho.

Enfim, a região mais requisitada pelo turista que vem de fora, principalmente do Amazonas, e dos boa-vistenses em feriados prolongados é a imagem do descaso das autoridades com o turismo. Até o momento, o governo do Estado mandou fincar placas sinalizadoras nos pontos de visitação, alguns mal fincados no Platô, que estão sendo arrancados pela força do vento, e alardeia investimento em turismo. Enquanto isso, os empreendedores de Tepequém que se virem, pois estão lá largados, sem o apoio necessário.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com.br
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Últimas de
Jessé Souza
+ Ler mais artigos de Jessé Souza