Por Jessé Souza
Em 10/08/2017

Para sair do ar-condicionado

Pelas últimas decisões que o Governo do Estado tomou, de segunda-feira para cá, transpareceu que foi somente o crime organizado ameaçar a casa da governadora para que a vontade política surgisse. De repente, não mais que de repente, o governo tomou algumas decisões que já deveriam ter sido colocadas em prática há um certo tempo.

Então, sob ameaça dos criminosos, o governo apressou-se em pedir reforço do Exército e da Polícia Federal na fronteira com a Venezuela, prorrogação da permanência da Força Nacional de Segurança e o reinício das obras do presídio no município de Rorainópolis, no sul do Estado.

Pelos sinais que vêm sendo dado, a guerra foi mesmo declarada pelos bandidos e agora as autoridades estão sendo obrigadas, sob o risco de serem as próximas vítimas, a saírem de suas zonas de conforto para tomarem decisões ainda que com anos de atraso.

Até então, o governo havia deixado essa obrigação de agir somente para as polícias, que ficaram no meio do fogo cruzado, com algumas vidas de policiais ceifadas. Era como se o problema fosse apenas um problema policial, e não da falta de ações governamentais para enfrentar o crime que começou a se organizar dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc).

Inclusive, o comando da Polícia Militar foi mudado recentemente com esse discurso de enfrentamento a facções criminosas, deixando a entender que a solução seria a força da bala, e não o planejamento, a inteligência e a investigação por meio de recursos modernos, como é o combate a qualquer tipo de crime organizado, a exemplo da corrupção.

Como cidadão, o roraimense já vinha se sentido ameaçado há muito tempo pela criminalidade, desde quando os bandidos começaram a queimar ônibus e a atacar agências bancárias. Ou pela onda de assalto que não poupa ninguém, seja em via pública ou dentro de casa.

O cerne dessa questão, o sistema prisional, foi um assunto empurrado com a barriga, inclusive a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) conduzida pela Assembleia Legislativa apontou suposta irregularidade milionária com recursos aplicados nos presídios.

O que a sociedade espera é que, desta vez, quando as autoridades se sentiram atingidas pelas ameaças dos bandidos, as decisões sejam para valer e não se resumam a pedido de forças federais e policiais. O Estado necessita que as autoridades saiam de seus gabinetes, e de trás de seus seguranças bancados pelo contribuinte, para a ação. Afinal, o recado vem sendo dado pelas facções criminosas.

 *Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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