Por Parabólica
Em 07/09/2017

Bom dia,

Existem certos políticos que são cirúrgicos quando abordam algum assunto. Ontem, o deputado carioca Chico Alencar (PSOL) disse que a divulgação de parte dos áudios, recuperados pela Polícia Federal, envolvendo conversas entre Joesley Batista e Ricardo Audi, ambos da J&F, onde são feitas revelações sobre crimes que ainda não haviam sido revelados pela dupla, fez a “alegria dos corruptos brasileiros”.  Acertou na mosca: de um tom agressivo que vinham adotando nas últimas semanas, os canalhas passaram a ter uma euforia que há muito não se via. Eles estão alegres e dizem que tudo agora virou “céu de brigadeiro” para o atual governo, chegando mesmo a vaticinar que todas as provas colhidas até agora pela delação da JBS vão ser anuladas e jogadas na lata do lixo.

Admitir essa possibilidade de anulação de provas é como admitir que os brasileiros e as brasileiras, aos milhões, tivessem uma profunda amnésia coletiva e esquecessem aquela conversa gravada na calada da noite nos porões do Palácio Jaburu, e a imagem do assessor presidencial, Rocha Loures, correndo com uma mala contendo R$ 500 mil, saindo de um restaurante. É como se esses mesmos brasileiros e brasileiras, aos milhões, não tivessem visto aquelas malas abarrotadas de dinheiro (mais de R$ 50 milhões) num apartamento utilizado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, todo poderoso e amigo íntimo do presidente da República.

Estamos, de fato, vivendo um pesadelo moral, às vésperas do Dia da Independência do Brasil, e o cidadão comum vê quase impotente um grupo de bandidos engravatados tomar conta da República, nascida com o Grito do Ipiranga e proclamada em 1889 por Deodoro da Fonseca. E o que mais incomoda é ver as instituições republicanas incapazes de mandar esses canalhas para a cadeia. Ao contrário, eles continuam distribuindo dinheiro público, aumentando o déficit do governo, enchendo as burras dos aliados para comprar votos em 2018, garantindo-lhes a permanência, para fazer o que eles têm de pior: roubar o dinheiro público.

IMPUNIDADE 1
A ministra Cármem Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), é sem dúvida uma das mais acreditadas integrantes daquela Corte Suprema, por isso é natural que tenha reagido com indignação às insinuações de Joesley Batista de que tem gente naquela instituição que pode fazer parte dessa canalha de ladrões que tomaram de assalto o Executivo e o Legislativo tupiniquim. Ela sabe que a esperança dos brasileiros está depositada na possibilidade do Judiciário não ser tomado de assalto pela quadrilha de políticos que já “moeram” os dois outros poderes da República.

IMPUNIDADE 2
Acontece que a ministra Cármem Lúcia, além de se mostrar indignada perante a nação brasileira, tem de chamar seus companheiros e sua companheira Rosa Weber, da Suprema Corte, para lembrar-lhes que recentes pesquisas de opinião pública mostram impressionante queda na credibilidade do Judiciário junto aos brasileiros. E o motivo todos já sabem: enquanto Sérgio Moro continua condenando ex-parlamentares, ex-dirigentes de estatais e empresários – já condenou mais de 200 –, os ministros do STF não foram capazes, até hoje, de julgar qualquer um dos canalhas que têm foro privilegiado. Essa lerdeza gera um sentimento de revolta e desesperança tão grande que até as insinuações de um reconhecido bandido passam a ter credibilidade.

MAL FALADOS
Na verdade, quem faz circular na opinião pública nacional a suspeita de que um grupo de ministros do Supremo Tribunal Federal, minoritário, felizmente, é passível de uma “boa conversa” são os próprios políticos envolvidos em denúncias de corrupção. Aqui mesmo, em Roraima, fala-se nos bastidores da influência de um deles capaz de “arranjar votos”, manter liminares por anos a fio, “segurar” processos de aliados e mandar “apressar o andamento” de processos envolvendo adversários. E faz muito tempo que esses boatos circulam nos bastidores políticos locais.

SALÁRIOS
O corregedor nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha, propôs ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma norma para automatizar e centralizar os mecanismos de controle sobre a remuneração dos magistrados do país. A proposta foi encaminhada para a presidente do CNJ, ministra Cármen Lúcia, e aos demais conselheiros. Atualmente, diz o ministro, é impossível identificar valores pagos acima do teto salarial definido pela Constituição Federal. “As folhas salariais são publicadas com rubricas confusas. A simples divulgação delas não nos revela coisa alguma”, disse.

NEUROCIRURGIÕES
A promotora de justiça Jeanne Sampaio, titular da Promotoria da Saúde da Comarca de Boa Vista, decidiu instaurar Procedimento Preparatório para apurar a falta de neurocirurgiões no Hospital da Criança Santo Antônio, da Prefeitura Municipal de Boa Vista. Este tipo de procedimento processual levanta elementos que posteriormente possam ensejar a abertura de inquérito civil. No caso, é pouco provável que chegue a tanto, afinal, em Roraima, ainda faltam muitos especialistas, especialmente quando se trata de medicina.

ABERTAS
Observador atento ao que se passa nos bastidores da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) disse à Parabólica que, apesar de o deputado estadual Jalser Renier (SD) ter declarado à Folha que as portas do entendimento estariam fechadas aos ex-integrantes do G16, que migraram para a base do governo, as palavras não devem ser tomadas a termo. “Eles são parceiros antigos e o presidente não deve seguir aceitando a pressão de novos aliados, com um passado recheado de infidelidades políticas”, afirmou.

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
SANTOS disse: Em 07/09/2017 às 12:23:50

"- IMPUNIDADE ? A senhora Ministra Presidente do STF, CARMÉN LÚCIA, até pode estar indignada com a crítica dura, pesada e cabível feita pela PGR à Suprema Corte de Justiça da República, mas não pode alegar ignorância de que muitos dos seus membros estão de há muito sob suspeita de duvidoso comportamento. Ressalte-se que ela já integra o Colegiado há bastante tempo e sabe que alguns dos que foram indicados após ela não reúnem mérito para lá estarem. Portanto, menos palavras e mais ações."

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