Por Parabólica
Em 10/08/2017

Bom dia,

Ética é uma das expressões mais mal entendidas do nosso vocabulário. Entre outras coisas, é comumente confundida com Moral, muito embora tenham significados bastante diferentes. Por exemplo, todos condenam os bandidos quando eles praticam assaltos e roubos, do ponto de vista moral, afinal até do ponto de vista dos cristãos, roubar é pecado capital. Mas, mesmos os bandidos praticam seus atos dentro de princípios éticos defendidos por eles. Assim, por exemplo, certos bandidos praticam assaltos, mas do ponto de vista da sua ética, não se permitem matar os assaltados.

Trazendo essas reflexões para o mundo da política, é quase generalizado o discurso de que roubar o dinheiro público é moralmente condenável. Gente do povo, empresários, acadêmicos, jornalistas e até mesmo alguns políticos criticam, por exemplo, os canalhas que roubaram bilhões de reais da Petrobras e das empresas do sistema elétrico federal, inclusive os parlamentares que ganharam milhões vendendo Leis e Medidas Provisórias para beneficiar grandes grupos econômicos. Isto já está sobejamente provado.

Mas, será que do ponto de vista ético, muitos não aceitem que o político canalha ganhe montanhas de dinheiro desviado dos cofres públicos? Claro, existe muita, mas muita gente que aceita do ponto de vista ético a conduta dos canalhas corruptos. Não é raro ouvir a tal expressão atribuída aos paulistas dos anos sessenta do Século XX à cerca de seu governador Adhemar de Barros: “Ele rouba, mas faz”.

A desenvoltura com que os canalhas circulam no meio político, na esfera administrativa destinando dinheiro púbico, nos meios empresariais e sociais, e até mesmo na imprensa é outra prova inconteste de que o ponto de vista ético, uma parte significativa do corpo social brasileiro, entende que no meio político “roubar” é válido. Desde que feito com competência. Pobre país.

ARTICULAÇÃO 1
Fontes da Parabólica garantem que o clima entre o Grupo, dos agora 16 parlamentares de oposição ao governo na Assembleia Legislativa do Estado e a governadora Suely Campos (PP) azedou de novo. Existiriam dois ingredientes que estariam alimentando esse clima de confronto: as declarações do vice-governador Paulo César Quartiero de que estaria disposto a renunciar ao mandato, caso a Assembleia aceitasse um eventual pedido de afastamento da governadora, e a insatisfação reinante entre alguns dos oito parlamentares da base de apoio da governadora.

ARTICULAÇÃO 2
As mesmas fontes informam à Coluna da existência de forte e bem organizada articulação para enfrentar um eventual afastamento da governadora Suely Campos. A presidente do Tribunal de Justiça do Estado poderia ser chamada para assumir o governo estadual, numa eventual e quase certa recusa do presidente da ALE de substituir a governadora, se for realmente afastada. Essa substituição seria por 90 dias, prazo necessário para a convocação de eleições indiretas, ou seja, seriam os deputados estaduais quem elegeria o substituto da governadora e do vice-governador, na hipótese de renúncia deste último.

ARTICULAÇÃO 3
As mesmas fontes da Parabólica garantem que essa articulação estaria tão avançada que o nome do eventual governador eleito pela ALE já estaria escolhido – a Coluna não o revela, por falta de confirmação oficial –, mas até o desenho de um novo secretariado já estaria sendo montado. No detalhamento do acórdão, estaria sendo negociado, inclusive, o acerto do governador eleito indiretamente tornar-se candidato à reeleição. Quanto ao vice-governador Paulo César Quartiero seria lhe destinada uma das superintendências adjuntas da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). O vice-governador disse à Parabólica que seu nome não foi cogitado para esse cargo.

RUSSOS
Nos detalhes parece que a articulação, se é que ela existe de fato, está bem estruturada. Mas, é bom lembrar o velho Garrincha que ao ouvir do técnico da seleção brasileira sobre a estratégia para vencer a seleção soviética perguntou: “Vocês combinaram isso com os russos?”. Pois é, afastar uma governadora por impeachment é, como já dissemos cá deste espaço, mais difícil e complicado, inclusive pela possibilidade de inúmeros recursos na esfera judicial. É claro, ela vai lutar com todas as armas para não cair.

INTERESSADA
Em toda essa articulação que poderia estar existindo entre os deputados estaduais, uma personagem e protagonista da cena política local, a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), não deve gostar nem um pouco da movimentação. Candidatíssima ao lugar da governadora Suely Campos em 2018, se a estratégia dos deputados estaduais desse certo ela estaria fora do jogo eleitoral no próximo ano. E nesse cenário, qual seria o papel do notório senador Romero Jucá (PMDB)?

AVANÇANDO
E por falar na prefeita Teresa Surita, as negociações entre a Prefeitura de Boa Vista e os proprietários de imóveis que serão atingidos pela obras de revitalização do Bairro Caetano Filho estão caminhando muito bem. Dos poucos mais de 300 imóveis, a PMBV já fechou acordo com os proprietários de 100 deles. Esses imóveis, inclusive, já foram demolidos.

Parabólica
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