Por Parabólica
Em 11/09/2017

Bom dia,

As dificuldades enfrentadas desde a madrugada de ontem, domingo, pelos moradores do estado da Flórida, especialmente nas cidades litorâneas, Miami entre elas, revelaram uma amostra significativa da realidade brasileira. Lá moram, em mansões milionárias e suntuosas, alguns dos mais ricos homens e mulheres do Brasil. Muitos deles amealharam imensas fortunas a partir de falcatruas envolvendo dinheiro público e de lá movimentam contas bancárias milionárias, vindo ao Brasil apenas para renovar os contatos e as negociatas com políticos e administradores públicos corruptos. E são centenas deles, proprietários de casas nababescas localizadas em condomínios, luxuosos até mesmo para os padrões de ricaços norte-americanos.

Pois bem, vivem igualmente em Miami e arredores, cerca de 300 mil brasileiros e brasileiras, quase sempre pobres ou de classe média baixa, trabalhando em ocupações que vão de babá, serventes e até serviços de zeladoria e jardinagem. Foram para lá, desencantados com esse Brasil de roubalheira endêmica de dinheiro público, que envergonha e desencoraja os que optam por uma vida de decência e dignidade. A ironia fica por conta de terem escolhido uma terra para viver com mais cidadania e lá são obrigados a conviver, ou pelo menos passar nos portões dos condomínios onde moram também os canalhas, que contribuíram decisivamente para que se envergonhassem da terra onde nasceram.


Quem acompanha o noticiário internacional sabe, com certeza, que o vice-presidente do Uruguai, Raúl Sendic, renunciou ao cargo depois de ter sido denunciado por uso indevido do cartão corporativo, que é aquele cartão de crédito concedido a autoridades para o pagamento de pequenas despesas que exigem pagamentos imediatos. O vice-presidente fez compras pessoais, inclusive de joias de pequeno valor, o que é proibido, tanto lá como aqui. A imprensa denunciou o malfeito e, antes mesmo que o Ministério Público uruguaio ou a Justiça daquele país tomassem qualquer iniciativa, o conselho de ética do partido de Sendic exigiu que ele renunciasse ao cargo. O que foi feito.

AQUI
Aqui nossos partidos são incapazes de punir seus filiados malfeitores. Ao contrário, quatro dos maiores partidos brasileiros – PMDB (Romero Jucá), PT (Gleisi Hoffman), PSDB (Aécio Neves) e PP (Ciro Nogueira) – são presididos por políticos denunciados como receptadores de propinas que chegam à casa de bilhões de reais. O crime cometido pelo vice-presidente do Uruguai, que o obrigou a renunciar ao cargo, é fichinha diante daqueles cometidos pelos políticos do Brasil. Um pequeno país dá um exemplo de como devem ser tratados os canalhas que roubam dinheiro público.

COMO ENTENDER?
Desde que o PT e o PSDB passaram a polarizar as eleições presidenciais do Brasil, os tucanos venceram com maioria esmagadora os petistas em Roraima, mesmo quando Lula da Silva despontava como a grande esperança de mudanças sociais e combate à corrupção. As derrotas dos petistas entre os eleitores roraimenses foram humilhantes nas eleições Lula versus Fernando Henrique, Lula versus José Serra, Lula versus Geraldo Alckmin e Dilma Rousseff versus Aécio Neves. Recente pesquisa de intenção de votos publicada semana passada pela Folha aponta que, hoje, Lula da Silva – que agora responde a vários processos e já foi condenado a quase dez anos por corrupção –, voltaria a Presidência se dependesse da vontade dos eleitores e eleitoras roraimenses. Dá para entender?

TORNOZELEIRA
O Brasil tem, segundo dados revelados pela revista Veja, 28.000 presos em regime domiciliar utilizando as famosas tornozeleiras eletrônicas. O custo mensal de cada tornozeleira é de 280 reais, que pode ser pago, como no estado do Paraná, pelos próprios condenados que dispõe de renda para tal. Quando mantidos em regime fechado ou semiaberto, cada preso na Região Norte, não sai aos cofres públicos por menos de três mil reais mensais. Quer dizer; se fossem feitos mutirões nos presídios brasileiros para fazer uma triagem séria dos presos que poderiam cumprir prisão domiciliar, a população carcerária brasileira poderia ser grandemente reduzida, e o custo com o sistema carcerário reduzido. Sobraria mais recursos para saúde e educação públicas.

SEM RESPOSTA
Quando iniciou o segundo mandato, em janeiro de 2017, a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (PMDB), anunciou a criação da Agência Reguladora Municipal, que seria implantada apenas no segundo semestre do ano, quando a condição financeira do município melhorasse. Como a agência aparece no Diário Oficial do Município, mas sem ninguém nomeado, a Folha tentou contato com a Prefeitura de Boa Vista para saber se existe previsão de implantá-la. Não recebemos resposta.

PROCEDIMENTO
Parece que a Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima) não consegue retirar os invasores da área pública na BR-174, vizinha ao Matadouro Industrial e Frigorífico de Roraima (Mafirr). Parte deles continua lá, o que levou o promotor de Justiça, 2º Titular da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, da Comarca de Boa Vista, Zedequias de Oliveira Júnior, a mandar instaurar um Procedimento Preparatório, tendo como fundamento o parcelamento irregular de solo naquele local, constatado pela equipe de fiscalização da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur).

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