Por Parabólica
Em 11/10/2017

Bom dia,

Vamos para fins de argumento dividir a bandidagem no Brasil entre os bandidos de colarinho sujo e os ladrões de colarinho branco. São bandidos de colarinho sujo, os integrantes do crime organizado representados pelos traficantes que dominam as áreas urbanas das cidades brasileiras, tendo como referência aquilo que está acontecendo no Rio de Janeiro, a face mais nítida do confronto entre o Estado e essa bandidagem de colarinho sujo.

Nem mesmo a utilização de um forte contingente das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) tem feito os conflitos diminuírem nalgumas favelas cariocas. Nas barbas do aparato civil/militar, esses bandidos continuam guerreando entre si para dominar pontos de venda de drogas e de armas; e quase sempre quem paga o preço é a parte sã das comunidades que mora nestas favelas. Ali, os brasileiros e as brasileiras estão perdendo a guerra para os bandidos de colarinho sujo.

Brasília é a arena de atuação dos bandidos do colarinho branco. Lá, eles compram votos num Parlamento recheado de malfeitores no uso do dinheiro público; com esses votos comprados eles impedem investigações que poderiam identificar os autores da roubalheira que continua instalada no interior do governo federal. Com o domínio da chave dos cofres públicos eles também conseguem parar a ação de alguns agentes públicos, tipo integrantes do Ministério Público, e até mesmo alguns magistrados sem rabo preso com esses bandidos de colarinho branco. Pobre este país tupiniquim, que é roubado e espezinhado por baixo pelos ladrões de colarinho sujo, e por cima, pelos canalhas de colarinho branco. Até quando?

CANALHA
Para atacar uma reportagem da Globo (exibida no programa Fantástico de domingo passado), o senador Romero Jucá (PMDB) utilizou um termo que temos utilizado com frequência aqui na Parabólica, para nos referir aos políticos envolvidos, e ainda impunes, em corrupção: CANALHAS. Pois bem, Jucá chamou de CANALHA a matéria que revelava a acusação de que seus filhos teriam participado de um esquema de desvio de dinheiro público, em valores aproximados de R$ 32 milhões, na construção do projeto residencial Vila Jardim, financiado pela Caixa Econômica Federal, dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.

MAIS
Segundo fontes ligadas à prefeita Teresa Surita (PMDB), o recém empossado vereador Marcelo Lopes resolveu fazer uma visita surpresa nalgumas unidades da Secretaria Municipal de Saúde. A ideia do edil seria verificar carências nessas unidades para utilizá-las em seus pronunciamentos na Câmara Municipal de Vereadores de Boa Vista. De acordo com essas fontes, Lopes, que já foi secretário municipal de Saúde, verificou que as unidades visitadas estão mais abastecidas, e com melhor funcionamento do que no tempo em que ele era chefe. A consequência foi contrária à esperada pelo vereador que se viu constrangido a elogiar a situação.

INAUGURAÇÃO
Aliás, as mesmas fontes, bem situadas no Palácio 9 de Julho, garantem que a prefeita Teresa Surita deve inaugurar o Teatro Municipal de Boa Vista até o final deste ano de 2017. A obra foi iniciada na administração do ex-prefeito Iradilson Sampaio, com financiamento do Ministério da Cultura, através de emendas ao Orçamento da União, de autoria da senadora Ângela Portela (PDT) e da deputada federal Maria Helena Veronese (PSB). Embora, vez por outra, sejam ouvidas críticas àquela obra é claro que ela vai trazer enorme desenvolvimento à cultura e à arte roraimense. O espaço era de muito tempo uma reivindicação da classe artística local.

SALÁRIOS
Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada quase na surdina na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) elevou o salário dos delegados da Polícia Civil de Roraima ao nível do que recebe um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que é de R$ 33.750,00 (trinta e três mil, setecentos e cinquenta reais). Alguns deputados estaduais questionados pela Folha disseram com inusitada sinceridade que não se lembravam de aprovação daquela PEC. É bom lembrar que essa medida faz com que um delegado ganhe bem mais que a governadora do estado, cujo salário fica em torno de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais).

RESIDÊNCIA
Por falar na Assembleia Legislativa do Estado, tramita no Parlamento estadual um inusitado Projeto de Lei, de autoria do Poder Executivo, exigindo que os procuradores jurídicos do estado devam residir obrigatoriamente em Roraima. À primeira vista, esse Projeto de Lei parece inusitado, afinal, afora a eventual participação de um desses profissionais em exercício noutro estado, parece óbvio que qualquer servidor público estadual, sem funções específicas deveria residir no estado. Será que tem gente fazendo pareceres noutras cidades, e enviando-os através da internet? Fontes da Parabólica na ALE não souberam dar uma explicação.

OLHOS
Nesta quarta-feira, com aparência de sexta-feira, as atenções do país estarão voltadas para Brasília, especialmente, para a sessão plenária que ocorrerá, à tarde, no Supremo Tribunal Federal, que vai julgar um processo definidor sobre a competência da Suprema Corte em julgar, em decisão cautelar, a punição de parlamentares federais acusados de práticas criminosas. O debate entre os ministros já torna a sessão interessante, e seu resultado pode gerar uma crise institucional entre STF e o Congresso Nacional.

Parabólica
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