Por Parabólica
Em 16/05/2018

Bom dia,

Leitor da Parabólica, Antônio Clemente, mandou e-mail para declarar-se surpreso diante da ideia lançada daqui do espaço de legalização da agiotagem como alternativa para tornar o setor bancário brasileiro mais competitivo. “Como imaginar tornar legal uma atividade que tanta infelicidade causa aos que, infelizmente, precisam desse tipo de empréstimos?”, indaga o leitor. De fato, não são dignificantes muitas histórias que se ouve sobre gente que perde patrimônio e compromete até as verbas alimentares quando são levadas a algum endividamento junto aos chamados agiotas. De qualquer forma, vamos explicar como a legalização dessa atividade pode até mesmo coibir esses excessos.

Vamos começar explicando que a criação de um banco comercial convencional, que capta depósitos e faz operações de créditos, se dá mediante a obtenção de uma patente junto ao Banco Central. Que faz severas exigências de cobertura patrimonial da empresa e de seus sócios para garantir os depósitos feitos pelo púbico. Além dessas rigorosas exigências são também imensas as trilhas burocráticas a serem percorridas. Tudo agravado pelo lobby dos bancos gigantes que pressionam o Banco Central para que não se criem mais concorrentes capazes de trazer perigo ao cartel que eles montaram ao longo das últimas décadas, e que propicia a cobrança de juros estratosféricos, como hoje se faz no Brasil.

O que estamos propondo daqui da Parabólica é a criação do que chamaremos de “Banco de Empréstimos”, que consistiria na formação de uma empresa com capital próprio, e sem captação de depósito, que simplesmente requereria registro no Banco Central e na Receita Federal, aos quais informaria todos os empréstimos concedidos para fins tributários, mediante contratos formais e públicos com juros cobrados livremente e garantias asseguradas pela lei. Evidentemente que a capitalização desses “Bancos de Empréstimos” seria feito com os recursos que giram no mercado clandestino e ilegal da agiotagem que graça no país.

Ah sim! Esses bancos não precisariam de cadastro positivo algum, afinal, seus proprietários sabem o chão que pisam e conhecem pessoalmente os tomadores de crédito na intimidade. Assim, como era feito antes da reforma promovida no governo Castelo Branco, que acabou com os bancos locais que haviam as centenas espalhados pelos principais estados brasileiros. Bons tempos de concorrência salutar, que derrubavam as taxas de juros para patamares mais civilizados.

CARNE SECA
E de outro leitor que não revelou o nome recebemos mais uma contribuição para mostrar a força destruidora de nossa identidade: “No tempo em que não havia energia elétrica no interior, e que as famílias ainda viviam por lá, com vindas à Boa Vista apenas para comprar o rancho, os produtores abatiam o gado, que era chamado matulutagem, e 'abriam' a carne deixando-a em mantas bem finas, para serem salgadas e secas ao sol. Era a chamada 'carne seca', da qual se fazia a paçoca, o cozido, ou simplesmente depois de assada ou frita era comida com chibé de água ou leite de vaca. Era uma delícia, e um dos pratos da culinária rio-branquense/roraimense mais apreciado”.

CARNE DE SOL
“Pois bem, abatida pela descaracterização de nossos costumes, hábitos e cultura, a velha 'Carne Seca' dos roraimenses foi gradativamente substituída pela tradicional 'Carne de Sol' do Nordeste, e já agora, poucos ainda lembram da nossa deliciosa 'Carne Seca'. Na verdade, a chamada 'Carne de Sol” era conhecida pelos roraimenses como carne frescal, carne cortada em manta bem mais grossa e exposta muito rapidamente ao Sol e ao vento. Isso ocorre porque os vendedores não querem perder o peso da água contida na carne, o que ocorre em muito menor quantidade na velha e tradicional 'Carne Seca'”, diz o leitor. E ele tem inteira razão.

RACHA
A polêmica tomou conta da comunidade universitária da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Insatisfeitos com a decisão do Conselho Universitário (CUNUNI), que eles dizem ser composto por uma maioria de membros ocupantes de cargos comissionados nomeados pelo reitor, Régys Odlare, de conceder títulos honoríficos, inclusive de “Doutor Honoris Causa”, a algumas autoridades estaduais, um grupo de professores daquela instituição fez publicar uma longa Nota de Repúdio, na qual faz críticas a tais decisões e pede que os agraciados se recusem a recebê-las. Os professores signatários também criticam o crescente empoderamento do reitor através de sucessivas alterações no estatuto e no regimento da UERR.

APOIO
É claro, quem lê ou presta atenção no que circula nas redes sociais, tem que ter o cuidado de separar o joio do trigo, especialmente nesses tempos de eleição e fake news. Mas, aqui ou acolá, é possível extrair alguma indicação útil dentro da imensidão de dados que circula nessas redes. Essa, por exemplo, é interessante: um pré-candidato ao governo postou em sua conta do Facebook a informação de que teria tido uma reunião muito proveitosa com taxistas quando se discutiu propostas para a categoria. Como taxistas estão quase sempre apoiando candidatos do agrado da Prefeitura, faz sentido revelar que o candidato em tela não foi o ex-governador Anchieta Júnior (PSDB), que a princípio deve ser o preferido da prefeita Teresa Surita e de seu PMDB.

CORRUPTOS
E o presidente Michel Temer (PMDB), hein? Falou de conquistas ontem, ao comemorar dois anos de governo, mas não explicou aos brasileiros e as brasileiras porque manteve na sua ilharga tantos corruptos. É por essa e outras que patina para menos na avaliação popular.

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
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