Por Fabiano de Cristo
Em 01/08/2017

Editorial

A relação entre gestores e colaboradores é um dos principais problemas enfrentados pela maioria das empresas estabelecidas no mercado. O relacionamento e falta de motivação das pessoas dentro da empresa pode afetar a produtividade, e, em alguns casos, causar graves prejuízos na imagem da sua empresa junto aos seus clientes. Pois bem, tenho conversado nos últimos meses com vários colaboradores de algumas empresas e o que ouvi não foi nada animador.

Com algumas exceções, boa parte das empresas locais é gerida pelos próprios donos que criaram uma cultura própria de administrar ao longo dos anos. Acontece que hoje estamos vivendo uma nova realidade nas relações entre as pessoas dentro das empresas, e o que era certo no passado hoje não se aplica mais. Foi o tempo que salário era o suficiente para satisfazer os colaboradores.

A forma como você trata seus colaboradores faz toda a diferença no seu rendimento na hora de executar suas funções. A figura do chefe mandão, do tipo não discuta comigo e faça o que eu mando, já não serve mais para essa nova realidade. Uma pesquisa exclusiva revela que as empresas brasileiras são as mais centralizadoras do mundo. Por aqui, os gestores não ouvem nem dão satisfação. Mas o futuro é dos democráticos, e não dos mandões.


VOCÊ PRATICA ESCUTA EMPÁTICA?

“Os tempos mudaram. Não podemos mais impor uma decisão sem ouvir os funcionários” (Roberto Setubal – Presidente do Banco ITAÚ)

Os anos 60 e 70 foi uma época marcada pelo autoritarismo onde as decisões não se discutiam. Cumpriam-se. Era assim em casa. Era assim na política. E era assim no trabalho. As empresas nesse período eram caracterizadas pela total formalização e totalmente hierarquizadas. Cada diretor tinha sua sala, uma secretária e os crachás tinham cores diferentes para cada cargo. Dentro deste contexto para evoluir na carreira você dependia do bom relacionamento com o chefe. É bem provável que essa cultura tenha realizado grandes feitos ao longo desse período, porém nos últimos anos, os gestores tem se empenhado em criar um ambiente mais democrático.

Aumentar a democracia no ambiente de trabalho é um desafio comum a muitas empresas, sobretudo as nossas. Uma pesquisa exclusiva da consultora Betania Tanure mostrou que as companhias brasileiras estão entre as mais centralizadoras do mundo. Em 2011, Betania entrevistou 4.500 executivos em 13 países das Américas, da Europa e da Ásia para chegar a um índice batizado de “distância do poder”.

Quanto mais elevado, numa escala de zero a 100, mais distantes as pessoas estariam de definir os rumos da empresa. Aos entrevistados, a consultora fez perguntas como: “Com que frequência os funcionários têm medo de dizer que discordam de seus superiores?” ou “Quem detém o poder tem direito a privilégios especiais?” O resultado do estudo: no ranking dos mais centralizados, deu Brasil na cabeça.

É importante separar hierarquia de autoritarismo. Empresas são hierárquicas por natureza. Precisam de pessoas que mandem, e de outras que executem. E, sobretudo, precisam de líderes que inspirem e indiquem os caminhos. É assim tanto no Brasil quanto na Dinamarca — o país mais democrático do ranking. São vários os motivos que explicam a liderança do Brasil no ranking de centralização. Segundo Betania Tanure, é uma questão cultural. Os povos de origem latina, diz, questionam menos a autoridade de seus líderes na família, na política e, consequentemente, também nas empresas.

Mas as empresas brasileiras, aponta o estudo, dão importância excessiva ao cargo. Numa típica empresa centralizada, os chefes mandam e desmandam sem dar satisfações. Eles têm autonomia, por exemplo, para decidir quem será contratado ou demitido. Com alguma frequência, dão preferência aos amigos em detrimento daqueles que alcançam os melhores resultados. Também não passa pela cabeça de uma empresa autoritária consultar os funcionários antes de tomar decisões. Metas, bônus, orçamento — tudo é decidido a portas fechadas. Quem está abaixo sabe muito pouco sobre os rumos da empresa.

Concentrar as decisões tem lá suas vantagens. As empresas mais centralizadas conseguem decidir mais rapidamente e dar guinadas estratégicas da noite para o dia. Em momentos de crise, essa agilidade é fundamental, ou seja, quando o navio está afundando, é o comandante quem dá as ordens. Nessas horas, não é possível ouvir a todos. Mas, no que tem de pior, o centralismo atravanca a inovação e dificulta a atração de pessoas mais talentosas.

Democracia também costuma trazer mais eficiência. Se apenas um grupo de pessoas tem acesso às informações e toma todas as decisões, os funcionários não entendem qual é seu papel dentro da estratégia. E não se levantam da cadeira para ajudar. Mas, se sabem que a empresa precisa economizar energia, apagarão a luz ao sair da sala. Uma empresa não pode atender bem os clientes se não fizer um bom trabalho dentro de casa. E para isso precisa ouvir seus colaboradores.  Por isso, pense em como você está agindo e até a próxima semana.

RESENHANDO

Conheça as principais características das empresas altamente centralizadoras e faça uma avaliação de como está a sua postura. NÃO ENXERGAM OS MELHORES – O chefe decide sozinho quem é promovido ou demitido. Na hora de escolher um sucessor, ele prefere o boa-praça ou o funcionário mais antigo, e não quem tem o melhor desempenho. NÃO ESCUTAM OS FUNCIONÁRIOS – Chefes autoritários não permitem que os funcionários palpitem em temas como metas, bônus e orçamento. Eles decidem, informam e depois cobram. NÃO DIVULGAM INFORMAÇÕES – Nas empresas centralizadoras, só os chefes têm acesso a dados como vendas, lucro e prejuízo. Sem esse tipo de informação os funcionários não podem participar da tomada de decisões.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!