Por Fabiano de Cristo
Em 06/11/2017

Editorial

“Os dias estão cada vez mais corridos”, “Eu preciso de um dia com mais de 24 horas” e “Meu Deus! Essa semana passou muito rápido”. Eu sou capaz de apostar que você tem dito algumas dessas frases nos últimos anos. Eu também faço muito isso. Bem menos que há alguns anos, mas ainda faço. Não importa se você é funcionário de uma empresa, trabalha como autônomo ou é um empresário. Você enfrenta os mesmos problemas de produtividade.

Hoje, a grande dificuldade da maioria dos empresários e profissionais consiste na missão de organizar suas atividades diárias. Existem centenas e centenas de livros que ensinam algumas receitas sobre como ser produtivo, como ser uma pessoa organizada. Porém, a meu ver, e por experiência própria, produtividade está relacionada aos nossos hábitos.

Hábitos nascem de paradigmas, ou seja, de crenças de como você acredita que as coisas funcionam e como você deve viver. Alguns hábitos, porém, são “herdados” socialmente ou são cristalizados a partir de paradigmas já superados – como, por exemplo, quando você faz algo porque sempre fez daquele jeito, mesmo que hoje já não pense mais que essa forma é a mais eficiente ou correta. Na coluna desta semana, vamos falar sobre hábitos versus produtividade.

Fabiano de Cristo
Consultor Empresarial
atuallisconsultoriarr@gmail.com


PRODUTIVIDADE EM CHECK

Um dos piores hábitos do cidadão moderno é “multitarefar”, ou seja, o hábito de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Tem-se a artificial sensação de que se está sendo produtivo, numa ilusão de que estar ocupado é estar produzindo. Esse hábito é, em sua maior parte, herdado socialmente. Parece que todo mundo faz assim, então deve ser assim que é pra fazer!
A grande ilusão é associar o estado de estar ocupado com importância e produtividade eficaz. O fato de estar ocupado o tempo todo não significa que você esteja produzindo algo com eficácia, muito menos que o que você está fazendo seja realmente importante.

A urgência geralmente “empresta” um falso senso de importância e muitas pessoas tendem a acreditar que a tarefa é importante só pelo fato de que ela é urgente. A produtividade burra é quando a pessoa está sempre ocupada, mas, no final das contas, nada do que ela faz rende frutos concretos, duradouros.

Do ponto de vista da vida bem vivida – a filosofia Carpe Diem –, desperdiçar seu precioso tempo correndo como um ratinho de laboratório em sua rodinha – ocupado, ocupado, ocupado – mas sem produzir nada concreto de fato é uma das primeiras coisas que você deve aprender a eliminar.

É fundamental aumentar o seu nível de discernimento para com as tarefas que você realiza. Reflita seriamente sobre a real importância de tudo em que você investe seu tempo. É claro que há sempre o tempo certo para descontração, descanso, lazer, mas no período em que você “deve” ser produtivo, é essencial se questionar sobre a real importância de cada tarefa. A partir daí, comece a priorizar só o que tem sentido de um ponto de vista mais amplo.

Depois tente dar um basta no impulso de querer fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. A falta de foco acaba fazendo com que você não faça nem uma coisa, nem outra bem feita. Com o passar do tempo você se dará conta que ao fazer uma coisa de cada vez, é possível dar o máximo de si para fazer tudo bem feito e rapidamente, ao passo que, ao tentar balancear um monte de atividades, nenhuma delas recebe 100% de atenção e todas demoram mais tempo para serem completadas – resultando, ainda, em qualidade mais baixa.

A percepção geral é de que fazer uma coisa de cada vez é impossível, mas essa é uma percepção falsa. Se você tem cinco coisas para fazer amanhã, fazer uma de cada vez ou todas ao mesmo tempo é apenas uma questão de organização, não? Essas cinco atividades precisarão estar completadas no final do dia, ponto final, como você se organiza é problema seu.
A tendência para multitarefar vem do desespero emprestado da urgência embutida em certas atividades – algumas das quais, se você pensar bem, você nem precisaria fazer. Em ambientes profissionais, tal mudança é mais difícil do que para pessoas que trabalham por conta, mas mesmo assim é possível.

Na maioria dos casos, o profissional recebe um conjunto de responsabilidades e atividade que devem ser completadas, a forma como o profissional organiza a execução dessas atividades geralmente não é algo que costuma ser observado. Com relação à irrelevância de certas responsabilidades, mostrar serviço sugerindo melhorias e eliminação de desperdício nunca é uma má idéia, se feito da forma correta – chegar para um superior e dizer: “Ei, eu acho que isso aqui é inútil, não vou mais fazer”, não dá bons resultados, evidentemente!

A ciência diz que o cérebro leva 30 dias para internalizar um novo hábito, ou seja, para que a nova forma de fazer algo se torne automática, inconsciente. Isso exige disciplina, foco e força de vontade, mas passado esse período de internalização, o novo hábito se torna parte de sua natureza. O desenvolvimento de uma personalidade excelente, extraordinária e produtiva passa justamente por esse caminho: aprender e internalizar novos hábitos para que você se torne naturalmente eficaz. Pense nisso e até a próxima semana.

RESENHANDO

A postura ideal, tanto na vida pessoal quanto profissional, é trazer os hábitos para a mente consciente e refletir sobre eles, pensar sobre sua importância, lógica, necessidade e efeito em sua produtividade. Se você conclui que o hábito é irrelevante, não faz sentido, não é necessário para você e prejudica sua produtividade, procure desenvolver outro que o substitua. Tentar eliminar hábitos muitas vezes não funciona. Como o processo é inconsciente, precisamos, de alguma forma, preencher aquele “vazio” que fica quando se para de fazer algo de uma forma específica. É mais fácil e mais produtivo substituir o hábito negativo por um positivo.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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