Por Fabiano de Cristo
Em 14/05/2018

Editorial

Preços baixos, qualidade dos produtos perecíveis e variedade estão entre os atributos mais valorizados pelos brasileiros em suas visitas aos supermercados, que são bastante frequentes. Os consumidores também preferem fazer suas compras em lojas do formato supermercado e acompanhados por familiares.

Esses são alguns dos resultados da pesquisa exclusiva realizada pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com o IBOPE Inteligência, apresentada na abertura da APAS Show 2018, maior evento mundial voltado para o setor supermercadista. Preço, qualidade e variedade são os atributos mais procurados pelos consumidores. Ao serem questionados sobre o que é mais importante para um supermercado oferecer, em ordem de prioridade os entrevistados indicaram o preço como principal item.

Diante da importância do preço, a pesquisa desse item também ganha destaque como uma etapa importante do processo de compras. Declararam que pesquisam preços regularmente 69% dos consumidores, chegando a 74% entre as mulheres. Para 59%, o melhor local de busca por ofertas são os próprios supermercados e, para 50%, jornais e folhetos. O hábito de fazer a compra do mês também predomina, abrangendo 53% dos consumidores. Na coluna desta semana vamos apresentar os principais pontos desta pesquisa.

Fabiano de Cristo
Consultor Empresarial
atuallisconsultoriarr@gmail.com


É HORA DE REPENSAR O PEQUENO VAREJO

Os supermercados de porte médio, que costumam ter entre 1 mil e 2,5 mil metros quadrados, são os preferidos dos consumidores, com 53% de menções. A escolha justifica-se pela praticidade, pois são locais em que eles podem encontrar os produtos com mais facilidade e se locomover com maior rapidez.

Hipermercados são visitados com menos frequência: 13%. Segundo a pesquisa, os supermercados brasileiros são frequentados por 89% da população, abrangendo todas as faixas etárias a partir de 16 anos e todas as classes sociais. O varejo de autosserviço, que inclui supermercados, hipermercados e minimercados, é o principal canal de compra para alimentação, bebidas e material de limpeza.

Apenas no caso de frutas, legumes e verduras, fica atrás de hortifrútis e feiras livres.
Em média, cada consumidor vai ao supermercado quatro vezes por mês. Para 33%, as visitas são regulares, uma ou mais vezes por semana. Isso faz com que o cliente observe de forma mais crítica o atendimento, que esteja atento às promoções e à média de preços, e seja impactado por todas as ações realizadas na loja.

Entre as famílias com maior poder aquisitivo, 44% costumam ir ao supermercado toda semana, enquanto nas classes D/E, a frequência semanal é de 23%, já que as compras são mais planejadas. Atividade em família, a visita ao supermercado destaca-se ainda por ser uma atividade compartilhada com a família. A maior parte dos consumidores (59%) vai às compras acompanhada.

Desta, 57% têm como companhia mais frequente o cônjuge e, 28%, os filhos. Apenas 3% costumam ir com os amigos. Na faixa de 16 a 24 anos, 69% vão acompanhados: são filhos que seguem junto com as mães (46%) ou jovens casais que vão juntos (36%). Em geral, não há fidelidade a um único supermercado. A maioria dos consumidores (64%) divide suas compras entre dois ou mais estabelecimentos.

Já o dia prioritário para as visitas é sábado, com 27% das indicações, enquanto 22% disseram que não têm nenhuma preferência. Com a prevalência da presença dos consumidores nos supermercados, as compras pela internet, nesse setor, ainda não são relevantes no Brasil. Apenas 2% dos consumidores costumam utilizá-las, concentrando-se na classe A/B, entre homens e jovens, público que busca a praticidade e tem menor resistência à tecnologia.

Demanda por produtos prontos, a pesquisa também revela que 88% dos consumidores costumam comprar produtos prontos industrializados, com destaque para a participação da classe A/B, de homens e jovens. Por outro lado, 46% declararam ter reduzido o consumo desta categoria, nos últimos meses, indicando a necessidade de conter gastos, o aumento da preocupação com a ingestão de alimentos mais saudáveis e a “gourmetização” do processo de cozinhar, popularizado pelos realities shows. Enquanto isso, 25% disseram ter intensificado a compra desses produtos e 29% a mantiveram.

A maior parte dos consumidores (59%) costuma ir ao supermercado acompanhada. Ou seja, a compra em supermercado é uma atividade compartilhada. A companhia mais frequente é do cônjuge (57%) ou dos filhos (28%). Os mais jovens (16 a 24 anos) representam o grupo que mais compartilha a visita ao supermercado com outra pessoa. E a ligação nesse caso é clara: são filhos acompanhando suas mães (46%) ou jovens casais fazendo compras juntos (36%). De um modo ou de outro, a atividade de ir ao supermercado é algo que se compartilha com a família. Um percentual muito pequeno (apenas 3%) costuma ir ao supermercado com amigos. Pense nisso e até a próxima semana.

RESENHANDO

O que faria um cliente abandonar um supermercado? A pior coisa que um supermercado pode fazer, segundo os consumidores, é ter um açougue com mau aspecto: deve estar sempre limpo. Este é o principal fator que faria um cliente abandonar um supermercado. Tradicionalmente, os produtos perecíveis (em especial as carnes) têm um peso muito grande na formação de imagem de qualidade de um supermercado. Um açougue com aparência suja não tem impacto apenas na categoria “carnes”, mas sobre o supermercado como um todo. Outro ponto muito sensível para o consumidor é encontrar produtos vencidos nas prateleiras. Neste caso, além da preocupação com a saúde, o consumidor tem a sensação de que o supermercado está tentando enganá-lo, e isto rompe a ligação de confiança que é necessária entre cliente e varejo. O mesmo vale para a “propaganda enganosa”, que é o terceiro atributo negativo na opinião dos respondentes.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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