Por Fabiano de Cristo
Em 24/07/2017

Editorial

Com o objetivo de compreender se os brasileiros caminham em direção ao consumo sustentável e equilibrado e também acompanhar as mudanças nos hábitos de compra e outras ações cotidianas, o SPC Brasil e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), calcularam pelo terceiro ano consecutivo o Indicador de Consumo Consciente (ICC), que atingiu 72,1%, permanecendo estável em relação a 2016, quando estava em 72,7%.

Em uma escala de 1 a 10, os entrevistados dão nota média de 8,7 para a importância do tema Consumo Consciente, mas apenas 28% dos brasileiros podem ser considerados consumidores conscientes de fato – sem diferença estatística em relação ao ano passado. É interessante notar que as opiniões dos entrevistados nem sempre corresponderam às atitudes tomadas por eles mesmos em relação ao consumo sustentável: a nota média atribuída à autopercepção de ser um consumidor consciente é 7,6.

O indicador segmenta os consumidores em três categorias, de acordo com a intensidade da prática dos comportamentos considerados adequados: ‘’consumidores conscientes’’, ‘’consumidores em transição’’ e ‘‘consumidores nada ou pouco conscientes’’. Na coluna desta semana vamos apresentar os principais resultados desta pesquisa.


VENDAS E O CONSUMO CONSCIENTE

Há diversas concepções sobre o que vem a ser Consumo Consciente. Na pesquisa realizada pelo SPC Brasil, foi adotada uma abordagem ampla, que engloba dimensões relacionados ao meio ambiente, às questões sociais e ao uso dos recursos financeiros no dia a dia. Por isso, se definiu como consumo consciente, o ato de considerar durante o processo de compra de um produto o equilíbrio entre a satisfação pessoal, as possibilidades ambientais, os impactos de longo prazo e os efeitos sociais e financeiros da decisão de compra do consumidor.

A pesquisa segmentou os consumidores em três categorias, de acordo com a intensidade da prática dos comportamentos considerados adequados: I- Consumidores Conscientes, que apresentam frequência de atitudes corretas acima de 80%; II - Consumidores em Transição, cuja frequência varia entre 60% e 80% de atitudes adequadas; III- Consumidores nada ou pouco conscientes, quando a incidência de comportamentos apropriados não atinge 60%.

Grande parte dos entrevistados são consumidores ainda em transição (56%) – com aumento de oito pontos percentuais em relação a 2016 – mas a maioria considera que a adoção de hábitos e práticas de consumo mais conscientes, como a economia de água e energia, redução do consumo e maior reaproveitamento das coisas, sejam importantes (92%).

O consumidor brasileiro ainda possui desempenho abaixo do que é considerado ideal. Porém, na comparação com o ano passado, os consumidores começaram a associar mais frequentemente o consumo consciente não apenas a aspectos financeiros, segundo a pesquisa. Em 2016, o principal benefício percebido pelos entrevistados era o de economizar e fazer o dinheiro render mais (37%), já em 2017, 25% consideram como a principal vantagem da prática do consumo consciente a satisfação por fazer algo positivo para o futuro das próximas gerações e 23% acreditam que é economizar e fazer o dinheiro render mais – 21% acreditam que é a sensação de estar fazendo o que é certo.

Para elaborar o indicador, foi realizada uma pesquisa com uma série de perguntas para investigar os hábitos, atitudes e comportamentos que fazem parte da rotina dos brasileiros. Estas questões permearam as três dimensões que compõem o conceito de consumo consciente, e todas elas obtiveram resultados abaixo do desempenho considerado ideal de 80%: práticas ambientais, práticas financeiras e práticas sociais.

O subindicador de práticas ambientais, relacionadas às preocupações e cuidados com o meio ambiente e consumo de água e luz, tem como objetivo investigar a disposição do consumidor para minimizar o impacto de suas ações e agir de modo a não causar danos ao meio ambiente, utilizando de forma racional os recursos que tem a seu dispor. Em 2017, o subindicador atingiu 74%, sem alteração estatística em relação a 2016 (72%).

O subindicador de práticas de engajamento social analisa a disposição do consumidor para pensar coletivamente, medindo as consequências de suas ações na sociedade, bem como a capacidade para incentivar os outros a também consumir de maneira responsável. Em 2017, o subindicador foi calculado em 72%, também sem alteração estatística em relação a 2016 (70%).

Entre os hábitos de engajamento e responsabilidade social mais praticados pelos consumidores destacam-se o incentivo às pessoas da casa a economizar água e luz (90%), a preferência por passar seu tempo livre com a família e os amigos do que ir a shoppings ou fazer compras (86%) e o apoio ao controle da propaganda (81%). Pense nisso na hora de montar sua próxima estratégia de vendas e até a próxima semana.

  RESENHADO 

Alguns fatores motivadores e impeditivos do consumo consciente são: 24,3% alegam que o principal motivo para utilizar recursos como água e energia elétrica de forma econômica é dar exemplo a filhos, família, amigos ou vizinhos de forma a influenciar a atitude dos mesmos, enquanto 22,6% não querem desperdiçar um bem finito e 19,1% mencionam a sensação de dever cumprido e de estar fazendo o que é correto. A mesma pergunta foi feita em relação ao desperdício e à compra desnecessária de alimentos e produtos. Neste caso, 39,0% garantem que a principal razão para evitar essa situação é ser contra o desperdício de alimentos por princípio, seguida daqueles que desejam dar exemplo aos filhos, família, amigos ou vizinhos de forma a influenciar a atitude dos mesmos (18,1%), e dos que pretendem economizar nas compras e com isso ter sobras de dinheiro no orçamento (15,1%).

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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