Por Fabiano de Cristo
Em 28/05/2018

Editorial

Falta de tempo, rotina, instabilidade financeira, pressão no trabalho. Ter uma carreira ascendente e gratificante, presença com qualidade na vida familiar, envolvimento comunitário significativo e satisfação pessoal parece cada vez mais inatingível. Mas o que norteia todas essas variáveis? O que de fato buscamos? Como ter energia para tudo isso, que acontece ao mesmo tempo para a mesma pessoa?

A resposta: propósito. No dicionário, propósito aparece como tomada de decisão, aquilo que se pretende alcançar ou realizar. De acordo com Peter Senge, autor do livro “A Quinta Disciplina”, enquanto visão é um destino específico, propósito é similar à direção que tomamos. A noção de propósito captura a intenção e o esforço que indivíduos fazem para alcançar seus objetivos. Propósito é a sua marca pessoal, aquilo que faz brilhar os olhos. Não é o que você faz, mas sim como e por quê.

Nossas percepções e motivações estão mudando em uma nova forma de ver qualidade de vida e satisfação. Não é mais apenas como administramos o trabalho versus o resto de nossas vidas. É um quebra-cabeça com vários aspectos relevantes e que mudam ao longo da vida – família, amigos, vida pessoal, comunidade, trabalho, lazer e espiritualidade. Esta semana vamos falar sobre propósito.

Fabiano de Cristo
Consultor Empresarial
atuallisconsultoriarr@gmail.com


PROPÓSITO: PORQUE ISSO IMPACTA NA SUA VIDA.

A maioria das empresas apresenta missão e visão bem estabelecidas e divulgadas, mas poucas têm ou propriamente comunicam seu propósito ou razão de existir. No entanto, os consumidores, mais empoderados e informados no processo decisório por uma marca, buscam organizações com valores alinhados.

Isto desafia as empresas a repensarem sua identidade e modus operandi para se manterem competitivas no mercado e atraentes para seus funcionários. Operar baseado em valores e propósito autênticos e compartilhados claramente reflete no desempenho da empresa.

Propósito é simplesmente a razão pela qual sua empresa faz o que faz. Ele deve nortear os processos decisórios, desde contratações, ações de responsabilidade social, até decisões de investimento. Seja desenvolver uma comunidade local, revolucionar o modo que consumidores compram produtos ou adquirem serviços, propósito é, ou deveria ser.

Na vida profissional, ter um propósito é também essencial para caminhar na complexidade, volatilidade e ambiguidade em que vivemos hoje; um contexto em que estratégias mudam rapidamente e nem sempre há respostas certas ou erradas. Uma pesquisa com 474 executivos mostrou que 90% deles reconheceu a importância de ter objetivos e motivações bem definidas para inspirar e gerar resultados. No entanto, menos de 20% de líderes corporativos têm um propósito individual claro e poucos deles conseguem defini-lo concretamente em uma frase.

E de que forma vemos o trabalho? De acordo com Dan Pontefract, há três formas. A primeira é a orientação por retorno financeiro, em que você trabalha para receber um salário e nada mais. Já a segunda é a mentalidade de carreira, orientada pelo crescimento na posição, responsabilidades, influência ou salário.

Finalmente, a terceira é a mentalidade norteada pelo propósito de se sentir motivado, realizado e fazendo algo que contribua para a organização da qual faz parte. Aqui, a energia se renova e é onde encontramos o flow, estado em que nos concentramos ativamente numa tarefa e alcançamos estados de satisfação profunda.

O aspecto financeiro é inevitavelmente relevante, porém trabalho deve ir além disso. Passamos a maior parte do nosso dia – e de nossas vidas trabalhando e precisamos encontrar satisfação, inspiração e sentido no que fazemos. Pare um pouco para analisar como você encara o trabalho no dia a dia. Se a mentalidade financeira e de crescimento ocupam mais de 50% do seu tempo, é hora de (re) definir o seu propósito pessoal e profissional.

A busca por propósito é inevitavelmente um processo natural e complexo. É o que traz sentido às nossas vidas; é o que nos faz levantar todos os dias animados para correr atrás de nossos objetivos e para deixar nossa marca no mundo. No livro “Como avaliar sua vida?”, o autor Clayton Christensen afirma que ter um senso claro de propósito está diretamente relacionado com nossa felicidade pessoal.

Sem motivações bem definidas, desperdiçamos nossa energia e recursos naquilo que talvez satisfaça objetivos de curto prazo, mas que não comunica com o que de fato nos importa e agrega valor. Um forte senso de propósito deve permear nossas decisões consistentemente para conseguirmos gerar valor e impacto. É interessante também notar que propósito não é um artigo de luxo restrito a poucas pessoas. É uma habilidade psicológica que pode ser cultivada independentemente do grau de escolaridade ou outras condições. E aí, qual é o seu propósito? Pense nisso e até a próxima semana?

RESENHANDO

Propósito não é algo imposto, com que você simplesmente se depara ou uma visão que cruza sua mente. Também não é uma fonte única de inspiração ou algo imutável. Propósito se constrói e muda ao longo do tempo. É algo específico, pessoal e que comunica com você e apenas você. Fácil? Com certeza não! Definir um propósito requer autoconhecimento e tempo. Abaixo, seis questionamentos para o processo de reflexão.

O que torna você único? O que você faz que te diferencia de outros? Qual é a sua marca? O que é importante para você? O que te faz levantar animado no dia a dia? Qual é a sua visão de carreira e de vida? Que histórias quer contar para seus netos? Qual marca você quer deixar no mundo? O rascunho das respostas dessas perguntas – rascunho porque elas nunca são respondidas finalmente, já que estamos sempre evoluindo e esclarecendo nossa relação com nossos valores e identidades – oferece um bom panorama sobre quem você é de verdade, longe dos padrões mais convencionais de sucesso.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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