Por Fabiano de Cristo
Em 28/08/2017

EDITORIAL

Com a alta de juros e inflação e a economia desaquecida, boa parte dos consumidores já começou a mudar os hábitos de compra. Supérfluos são os que saem primeiro da lista. Depois, a tendência é aumentar o intervalo entre as compras e, claro, pensar cada vez melhor antes de colocar a mão no bolso.

Segundo o IBGE, de janeiro a junho deste ano, as vendas caíram 2,2%, fazendo deste o pior semestre dos últimos 12 anos. Para as pequenas empresas, todo o esforço em marketing e vendas pode fazer diferença no resultado neste segundo semestre de 2017. A primeira coisa é vender confiança. As pessoas não estão comprando porque estão desconfiadas.

Uma estratégia que pode ter um custo menor é usar o potencial do cliente que já existe no mailing da sua empresa. Uma saída é pegar o cliente que já compra. Ele fica mais exigente e talvez esteja comparando seu produto com outros. É preciso habilidade para manter relacionamento e gerar valor com seus diferenciais. Na coluna desta semana vamos mostrar situações que podem lhe ajudar a vender neste momento recessivo.


NÃO VENDA O PRODUTO, VENDA O PRAZER DE UTILIZÁ-LO

Um dia desses, numa turma de treinamento, um participante me ofereceu uns perfumes e cremes de uma franquia brasileira famosa. Aquilo me surpreendeu e eu perguntei: “Você é uma cara no mínimo diferente… É homem e vende cremes e perfumes”. E ele me respondeu: “não vendo perfumes, eu vendo FELICIDADE”.

Achei interessante sua abordagem, e realmente me surpreendi: ele conseguiu vender seus produtos a alguns colegas, principalmente mulheres, com um discurso sobre como o uso daqueles cosméticos as tornariam felizes. Esse comportamento pode ser um bom exemplo para o marketing das empresas. Qual negócio não gostaria de associar seus produtos e serviços à FELICIDADE de seus clientes?

Segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o brasileiro é considerado o povo mais feliz do mundo. O desafio é, portanto, descobrir o que tornam as pessoas felizes e associar os seus negócios a esses elementos.

A seguir apresentaremos algumas recomendações de estudos recentes sobre felicidades de crianças, adolescentes e adultos:

Crianças - A pedido da Sociedade Brasileira de Pediatria, o instituto de pesquisas Datafolha ouviu 1.525 crianças, de 04 a 10 anos, de 131 municípios com a finalidade de entender o que as tornam felizes. Não há notícias no Brasil sobre estudos anteriores que investigassem esses sentimentos. O estudo divulgado em junho de 2012 obteve cinco importantes conclusões:

1 - O que faz a criança feliz não é o brinquedo, é brincar, é conviver com a família e amigos; 2 - 87% dos entrevistados se definem como “alegres” ou muito alegres” quando estão com os avós, na mesa com a família e quando pensam na mãe ou no pai; 3 - 47% dos entrevistados informaram que ficam “tristes” ou “muito tristes” quando brincam sozinhos. A convivência deve ser incentivada; 4 - Há forte presença da TV e dos eletrônicos em geral nas brincadeiras; 5 - A maioria fica alegre quando vê uma fotografia sua (86% alegria) e quando se imagina adulta: 87% das crianças de 06  a 10 anos ficam “alegres” ou “muito alegres” quando pensam em si mesmos como pessoas grandes.

Adolescentes - Levantamento recente de uma doutora em psicologia, que entrevistou 416 adolescentes, obteve os seguintes itens relacionados à felicidade: 1 - Saúde, paz e harmonia interior; 2 - Deus; 3 - Família; 4 - Bem-estar no meio em que se vive; 5 - Namorar; 6 - Ter amizades; 7 - Desenvolver seu objetivo profissional; 8 - Cantar; 9 - Praticar esportes; 10 - Ter animais de estimação; 11 - Humor e Música.

Adultos - Pesquisa realizada nos Estados Unidos identifica o que gera felicidade em adultos. Para levantar os dados, entrevistadores pediram que as pessoas relatassem a frequência com que se sentiram felizes ou sorridentes recentemente. Perguntaram o mesmo com relação ao estresse. Pediram também que, em uma escala de zero a dez, dissessem o quanto estavam satisfeitas com as suas vidas, e a “nota” média dada pelos entrevistados foi de 6,76.

Há uma relação forte com o aumento de consumo, pois os entrevistados desejam ganhar mais para gastarem mais. Por outro lado, os adultos norte-americanos demostram ter preocupação com a solidão, o ambiente familiar, casamento e filhos e a sua saúde.

Dentre as crianças, adolescentes e adultos, é possível perceber tendências de comportamentos comuns que afetam a felicidade, como a experiência em família e amigos e a preocupação com a saúde e o espiritual. A atividade de se divertir é também percebida como felicidade entre os mais novos. Pense nisso e até aproxima semana.

  RESENHANDO 

Possibilitar experiências familiares e de amizades nas compras é um caminho para o seu marketing. Entre as possibilidades, uma empresa poderia sortear conjuntos de ingressos para promover diversão entre familiares, namorados ou amigos; ou uma loja poderia fazer um arranjo que permitisse adultos, adolescentes e crianças a terem, simultaneamente, experiências de compra prazerosa – pode ser com inserções de ambientes de música ou jogos para adolescentes e parquinhos para crianças. Em cada faixa etária há um comportamento específico, e saber aliar esses fatores a seus produtos e serviços é uma vantagem competitiva, pois potencializará a satisfação e a fidelização de seus clientes.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
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