Por Fabiano de Cristo
Em 30/10/2017

Editorial

Abrir um negócio em família pode ser uma alternativa mais prática. Se por um lado a confiança, a liberdade e a intimidade podem ajudar na realização do projeto e na tomada de decisões, por outro são estes mesmos fatores que podem colocar tudo a perder em uma sociedade entre amigos ou familiares.

A confiança, a liberdade de dizer o que se pensa e o conhecimento dos pontos fortes e fracos do outro estão entre as grandes vantagens de trabalhar com quem é íntimo. Porém, é difícil as pessoas não misturarem amizade ou relacionamento afetivo com trabalho. É importante saber separar as coisas, pois a tendência é que quando aconteça uma ruptura nos negócios isso também afete seriamente a relação.

Sou sócio da minha esposa na empresa, e, com o passar do tempo fui aprendendo a conviver com a sócia em detrimento da esposa. É bem verdade que ao longo desses anos já tivemos vários atritos, todos sempre levando a empresa em primeiro lugar. Aliás, essa foi uma das primeiras lições que aprendemos e que eu considero fundamental para continuidade da sociedade, ou seja, saber separar muito claramente a relação marido e mulher de sócios. Portanto esta semana vamos tratar sobre uma perspectiva do comportamento sobre os desafios da sociedade em família.

Fabiano de Cristo
Consultor Empresarial
atuallisconsultoriarr@gmail.com


 FAMÍLIA, FAMÍLIA. NEGÓCIOS À PARTE                    

Montar um negócio em família, ou seja, instituir uma sociedade entre marido, mulher e filhos pode ser uma boa alternativa para colocar seu projeto de abrir uma empresa em prática, mas existem vários aspectos a observar. Embora a parceria é o que conta, a vantagem de ter o seu cônjuge como sócio é que você já o conhece, e muito bem, o que reduz as chances de uma incompatibilidade nos negócios. Outro ponto: os objetivos são basicamente os mesmos, não havendo discordância na gestão da empresa.

Porém, vale uma ressalva: deve haver uma relação de verdadeira parceria entre o casal. Se as coisas já não andam bem em casa, pode ser um grande erro "esticar" este convívio para os negócios. Isso significa que é preciso separar as coisas para que a sociedade dê certo e o casal consiga atingir seus objetivos, ambos devem fazer um exercício não muito fácil em relação à postura profissional: isolar os problemas, ou seja, resolver as pendências domésticas em casa e as questões da empresa, no local de trabalho. Isto é um importante desafio a ser superado durante a sociedade.

Se por um lado a confiança, a liberdade e a intimidade podem ajudar na realização de projetos e na tomada de decisões, por outro são estes mesmos fatores que podem colocar tudo a perder em uma sociedade entre marido e mulher. A confiança, a liberdade de dizer o que se pensa e o conhecimento dos pontos fortes e fracos do outro estão entre as grandes vantagens de trabalhar com quem é íntimo.

A intimidade também pode ajudar na realização de novos projetos e na tomada de decisões, no entanto, é necessário pensar não duas, “mas quatro vezes” antes de se arriscar num novo negócio “dentro de casa”. Quando o negócio dá errado, mas os sócios mal se conhecem, cada um vai para o seu lado. Com a esposa (o) não é assim. O maior risco é o negócio influenciar e tumultuar a relação. Além disso, os donos da empresa podem acabar colocando em funções-chave pessoas que nem sempre são as mais adequadas.

Agora, se já estão trabalhando juntos, e algo estiver causando desconforto é fundamental abrir o jogo o mais rápido possível e consertar antes que estrague de vez. Relevar o incômodo neste caso vai mais atrapalhar do que ajudar. O importante na relação é impor limites e horários. Não se deve falar de trabalho em determinados horários e situações combinados entre os sócios. Se os negócios estiverem indo mal ou estiverem causando conflitos sérios, é melhor cessar a relação profissional, antes que ela destrua a relação pessoal.

Por fim algumas lições que aprendi ao longo desses 5 anos de sociedade com a minha esposa:
Impor limites entre a relação pessoal e a empresarial. É importante saber separar as coisas, pois caso aconteça uma ruptura nos negócios, isso também pode afetar seriamente a relação. Antes de iniciar um com a (o) sua (seu) esposa (o), é preciso fazer uma lista dos prós e contras que esse negócio acarretará. Só valerá a pena começar, se houver muito mais “prós”, pois os riscos de tumultuar a relação são consideráveis.

Se algo no negócio estiver causando desconforto, é fundamental abrir o jogo o mais rápido possível e consertar antes que a relação estrague de vez. Imponha limites e horários. Não se deve falar de trabalho em determinados horários e situações combinadas entre os sócios. Se os negócios estiverem indo mal ou estiverem causando conflitos sérios, é melhor cessar a relação profissional antes que ela destrua a relação pessoal. Pois bem, espero que essas reflexões possam ajudá-los a melhorar a produtividade em você e na sua sócia na empresa, bem como, na sua casa. Pense nisso e até a próxima semana.

RESENHANDO

Outro ponto relevante na sociedade entre marido e mulher são os colaboradores que trabalham para o casal de sócios. Se existir colaboradores membros da família que atuam diretamente com os sócios-cônjuges, o segredo é encarar os fatos de um modo extremamente profissional. Isto significa não se envolver em suas particularidades, caso, por descuido, a deixem escapar durante uma reunião, por exemplo. Mesmo percebendo que existe, da parte deles, uma grande dificuldade de distinguir a vida pessoal e a profissional, você deve ter o máximo cuidado para não cair neste ritmo, que poderá lhe prejudicar bastante no futuro. E o que fazer quando a empresa está instalada na própria residência? Neste caso, a disciplina deve ser dobrada, para que a "ambientação" não prejudique o trabalho. Reserve um espaço específico para a atividade profissional, isolando-o do resto da casa.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!