Por Fabiano de Cristo
Em 17/07/2017

Editorial

Tenho observado uma mudança significativa no comportamento de algumas empresas em Boa Vista, nos mais variados segmentos, no que tange o ambiente interno dos estabelecimentos. Algumas lojas não deixam a desejar, sob todos os aspectos, a nenhum outro mercado. Porém, muitos ainda não perceberam a importância que o espaço físico interno tem para o desempenho da empresa.   

Nunca é de mais lembrar que, o lugar físico define a maioria dos comportamentos de compra. O toque, os sons, os cheiros e o ambiente social das compras feitas em locais de tijolo e cimento são tremendamente importantes. Mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, as pessoas necessitam vivenciar a marca. Isto pode acontecer virtualmente, mas, mais do que nunca, é necessária a existência de um varejo físico para conquistar o coração das pessoas.
 
A loja física torna-se um espaço para formar a imagem do produto e da marca. Uma loja mal localizada, feia, desorganizada e com um mau atendimento fatalmente transmitirá uma imagem negativa na percepção do consumidor, que além de falar mal, deixará de comprar. Na coluna desta semana, vamos abordar um tema de extrema relevância para o desempenho do seu negócio.

Boa Leitura!


AMBIENTE COMO ESTRATÉGIA DE MARKETING

Numa sociedade onde a experiência de consumo é cada vez mais valorizada, a aparência da loja ganha uma importância significativa, não só no universo do comércio lojista, mas também no segmento de prestação de serviço. É claro que o produto continua sendo o protagonista da história, mas o cenário passou a ser um requisito fundamental para valorizar e aumentar a atratividade das mercadorias expostas na loja. É difícil medir em números, mas a renovação do projeto arquitetônico, integrado ao visual merchandising e à comunicação visual, é capaz de aumentar em média 30% os lucros do comerciante.

A explicação é simples: o cliente passa mais tempo na loja se ela for bonita e agradável. A compra já deixou de ser uma simples necessidade para se tornar um prazer na vida dos consumidores. As pessoas já não escolhem apenas o produto em si, mas a experiência de comprá-lo. Há um milhão de alternativas para comprar um jeans, por exemplo, mas o consumidor decide pela marca que lhe ofereça uma proposta de identidade e que o faça viver uma história.

Para criar um envolvimento maior com os clientes sua loja precisa definir essa proposta de identidade em um processo que passa obrigatoriamente pela ambientação, ou seja, o cliente decifra o posicionamento da loja pela imagem projetada na fachada e na vitrine, e dá preferência àquelas onde ele seja capaz de se reconhecer. É como se fosse um processo de eleição e só será o candidato vencedor se o cliente enxergar na sua loja características que ele valoriza.

Muitos empresários costumam cometer erros básicos na apresentação da loja. Nada melhor para inibir as vendas do que empilhar os produtos e deixá-los inacessíveis em prateleiras muito altas ou muito baixas. Fachadas nada atrativas, iluminação excessiva ou deficitária e ambientes desorganizados também afugentam consumidores.

A divisão da loja em departamentos é uma recomendação básica para que o comprador não se sinta perdido entre as prateleiras, araras ou gôndolas. Isso significa dividir a loja por comportamentos e dentro deles coordenar os produtos. Numa loja de roupas masculinas, por exemplo, é preciso separar os produtos em moda para praia, trabalho e fim de semana. Não dá para misturar camisetas regatas com camisas sociais.

Então, o que precisa para uma loja ser visualmente atrativa? Pelo que percebemos, ela precisa integrar quatro itens básicos: arquitetura, visual merchandising, design de equipamentos e comunicação visual. Porém, é muito comum alguns empresários negligenciarem uma dessas áreas, principalmente a comunicação visual – “vendedor silencioso” – e o visual merchandising, que trata da forma mais adequada de exposição dos produtos. Em consequência disso, é uma loja sem harmonia, que não consegue fazer com que os clientes enxerguem os produtos de forma atraente.

Mais cuidado com a seguinte armadilha: construir uma casa é diferente de construir um prédio comercial. O capital exigido tem que ser compatível com o planejamento estratégico comercial do negócio e com a expectativa de retorno do investimento. Não estou dizendo com isso que você não deve fazer uma loja linda, muito pelo contrário, mas uma loja bonita, e que seja rentável.

Por fim, um projeto de sucesso vai depender em grande parte do que você quer. Tenha muito claro o que você deseja e precisa, conheça bem o seu produto e seus fornecedores, seu público-alvo, seu posicionamento em relação à concorrência, tipo de instalação que necessita e o volume de recursos disponível para o projeto. A partir da análise desses dados se chega à imagem que deve ser transmitida em todo negócio, do cartão de visitas ao layout, da iluminação à fachada. Pense nisso e até a próxima semana.

  RESENHANDO  

É importante sempre lembrar: aparência não é tudo, diz a sabedoria popular. Mas que ajuda a faturar mais, isso ajuda. Estudo do Sebrae-SP mostra que a loja organizada e com visual bem cuidado aumenta as vendas entre 12% e 40%. Para quem pensa que dar uma repaginada no estabelecimento requer grandes gastos, aí vai a boa notícia: com menos de R$ 1 mil é possível fazer mudanças; em alguns casos, nem há custo, basta rearrumar o local. A necessidade do que deve ser alterado ou reformado varia conforme o grau de organização da loja. A fachada é o primeiro contato do consumidor com o estabelecimento. É ela que envia a mensagem inicial para o público, convidando-o a se aproximar (ou não). Por isso, deve ser pintada periodicamente e a escolha de cores, luminosos e letreiros precisa ser feita com critério, sem excessos. Também deve informar claramente a natureza e estilo do negócio.

Fabiano de Cristo
jornalista@teste.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Últimas de
Visão de negócios
+ Ler mais artigos de Visão de negócios