Por Jessé Souza
Em 16/03/2017

A lista de Janot e o bordel

Bem que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já havia dito: trata-se de uma formação de quadrilha. Na verdade, o Brasil é uma formação de quadrilha. A política brasileira é uma formação de quadrilha. Nas atuais circunstâncias, uma reunião de políticos tem tudo para ser uma formação de quadrilha.

Bem que o senador Romero Jucá (PMDB) falou em “suruba”, a qual deveria ser ampla e restrita, conforme ele disse. Porque a política funciona assim mesmo, como se fosse uma zona meretrícia, a casa da luz vermelha, onde a fornicação com o dinheiro público é semelhante a um bacanal.

Os 83 pedidos de abertura de inquérito enviado por Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte da Justiça brasileira, confirmam que a bandalheira na política é, mesmo, uma formação de quadrilha e uma verdadeira suruba, ampla e irrestrita. Na verdade, a Operação Jato já vinha mostrando isso há muito tempo.

A lista de Janot foi a constatação definitiva da bandalheira, para quem ainda se fazia de cego e surdo, que inclui a mais alta cúpula do governo Temer, do Congresso e dos três maiores partidos brasileiros, o PMDB, PT e PSDB. Conforme vem sendo divulgado pela imprensa, nessa lista constam inclusive dez governadores.

Todos esses nomes apareceram na mega delação, dentro da Operação Lava Jato, da maior empreiteira do país, a Odebrecht, que pode ser considerada uma espécie de dona do bordel chamado Brasil. Era ela quem administrava os políticos teúdos e manteúdos do bordel Brasil administrado pela quadrilha.

Bem que Cazuza já dizia em sua música “O tempo não para”: que a piscina estava cheia de ratos, que o futuro iria repetir o passado, que não havia nada para comemorar, que nessas noites de frios era melhor nem nascer, já que transformaram o país inteiro num puteiro.

E o pior é ver os acusados se defendendo nas entrevistas televisivas, dizendo que estão “tranquilos”, que tudo será esclarecido, que irão provar suas inocências. Mas é bem provável que isso ocorra mesmo, pois, como já escrevi aqui mesmo neste espaço, quando perceberem que todo mundo é culpado, então logo chegarão à conclusão de que todos são inocentes.

E lembrar que, por menos que isso, uma multidão vestiu a camisa verde-amarela da Seleção e foi às ruas pedir impeachment. Mas todos estão caladinhos, pois estão envergonhados com o fato de terem sido usados pela quadrilha, com apoio irrestrito da TV Globo. E, agora, corremos sérios riscos de nem mais termos aposentadoria em vida. É o Brasil da música do Cazuza, das palavras de Janot e da verborreia de Jucá.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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