FROTA DE VEÍCULOS
14 municípios têm mais motos que carros
Pesquisa da Confederação Nacional de Municípios revela que Estado tem 99.662 motos contra 71.137 carros, contabilizados até abril deste ano
Por Paola Carvalho
Em 13/07/2018 às 00:55
O aumento do número de motos se dá por conta das facilidades de aquisição, agilidade e baixo consumo de gasolina, aponta levantamento (Foto: Nilzete Franco)

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) sobre a frota de veículos nas cidades brasileiras. Os dados revelam que Roraima concentra um número muito maior de motocicletas do que carros em 14 das 15 cidades, com exceção de Boa Vista.

A pesquisa apontou 99.662 motos até abril deste ano, um percentual de 0,4% para cada habitante, levando em conta o número de pessoas no Estado pela estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017. Vale lembrar que o estudo também considerou ciclomotores, motocicletas e motonetas na categoria de motos.

O levantamento do CNM aponta que a aquisição de motos está relacionada à facilidade no crédito, ao baixo preço das prestações e aos incentivos e isenções do Governo Federal ao mercado, além da deficiência dos serviços de transporte público nas cidades em geral. “Diante disso, em vários municípios do Norte e Nordeste do país há claros sinais de substituição dos animais de tração, como o cavalo, jumento e burro”, diz a pesquisa.

Além disso, outro fator que influenciou nos índices foi o crescimento expressivo de veículos nos últimos anos, o que ocasionou congestionamentos e complicações do trânsito. “Isso incentivou a população a investir mais em motos para se locomoverem em menor tempo e com o custo reduzido em relação ao consumo de combustível por quilômetro”, revelou o CNM.

CARROS - Roraima também é a unidade da federação com o menor percentual de automóveis do país, com uma frota de 71.137 carros, o que equivale a um percentual de 0,13% para cada habitante.  O Município de Uiramutã também aparece na lista como uma das dez cidades com menores números de automóveis, com o registro de apenas sete veículos até abril de 2018.

Considerando o transporte coletivo, Roraima aparece junto com o Acre e o Amapá com o menor índice de oferta de ônibus no país, com 0,2% para cada habitante. A informação é que tinham 1.125 ônibus no Estado, até abril de 2018.

Roraima também está entre os menores índices na frota de veículos de carga (caminhões, caminhonetes e camionetas) junto com o Acre com 0,3%. O Estado perde somente do Amapá, com 0,2%.

DADOS NACIONAIS - O balanço do Denatran aponta que o Brasil possui, em abril de 2018, 53.459.374 carros registrados, de forma que há um automóvel para cada 3,89 habitantes. Com relação às motos, o país tem uma para cada 7,86 habitantes e em 2.487 municípios há mais motos que carros.
Considerando a frota de transporte coletivo, que permite a utilização eficiente do espaço, as maiores taxas de ônibus a cada mil pessoas encontram-se nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. 

A maior frota de transporte de carga encontra-se na região Sudeste, seguida da região Sul. Comparando com a frota de automóveis, observa-se que os caminhões superam a frota de automóveis em 171 cidades, localizadas, principalmente, no Norte e no Nordeste do país.

Menor preço e baixo consumo justificam escolha pela moto

O bancário Daniel Fernandes utiliza uma motocicleta tanto para se locomover ao trabalho, quanto nos momentos de lazer. Ele elencou algumas vantagens da moto como o custo mais barato do veículo, de manutenção e de consumo de gasolina e também, a sua preferência pessoal. “É um veículo muito mais ágil e ajuda muito quando o trânsito aperta. Nesse período de chuva é um pouco ruim para quem só tem moto, mas eu sempre gostei. A questão de ser um veículo mais barato é o fator secundário”, completou.

Fernandes afirma que os perigos mais recorrentes para quem anda de moto em Roraima são os outros veículos, principalmente os carros. “Os motoristas em Boa Vista não sabem respeitar a faixa, estão sempre mudando, cortando e dobrando sem dar a seta”, reclamou.

Ele explica que já trabalhou em agências em Alto Alegre e em Boa Vista e que, nos dois municípios, o trajeto de moto era mais fácil. “O caminho que eu utilizava era asfaltado no interior, então, era mais fácil para mim. A questão da diferença de consumo era importante também, já que para ir trabalhar no Alto Alegre eu gastava muito menos do que se fosse de carro”, comentou.

O motociclista Ray Mendes, explica que também escolheu andar de moto por conta do preço mais acessível e melhor mobilidade, mas que há algumas desvantagens, como a falta de respeito dos motoristas de carros. “Outro problema são as ruas esburacadas ou alagadas. No caso de acidente, qualquer pancada pode ser fatal, então o cuidado tem que ser redobrado”, frisou. (P.C.)

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