SOS PACARAIMA
Campanha incentiva doações a imigrantes indígenas
Por Folha Web
Em 07/12/2017 às 01:37
Coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos, Irmã Telma: “Eles estão passando fome. Isso não é uma estatística, são histórias de vida” (Foto: Nilzete Franco)

Com o intuito de arrecadar alimentos não perecíveis, roupas e utensílios de artesanato para os imigrantes residentes em Pacaraima, município que faz fronteira com a Venezuela, na região norte de Roraima, a Diocese de Roraima, em parceria com a Fraternidade Humanitária Internacional e o Grupo Interdisciplinar de Fronteiras da Universidade Federal de Roraima (UFRR), convoca a população do Estado a participar da Campanha SOS Pacaraima.

Assim como é possível constatar em Boa Vista, a maioria dos imigrantes busca autonomia financeira para um novo começo de vida. No caso dos warao, que têm a cultura baseada na produção de artesanato, a campanha incentiva a doação de itens como miçangas de várias cores e tamanhos, linhas, fibras de buriti, madeiras e até mesmo dinheiro, a fim de que os indígenas possam construir sua independência na área urbana.

Os itens serão destinados ao Centro Pastoral do Migrante e aos cerca de 260 indígenas que residem no novo abrigo em Pacaraima, inaugurado no início do mês passado. Do total de indígenas, a maioria é formada por crianças e adolescentes de até 14 anos. A coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH) da Diocese de Roraima, Irmã Telma Lage, frisou que a situação no abrigo do município fronteiriço é pior do que a da capital.

Irmã Telma explicou que, no início, o trabalho realizado tinha foco nos indígenas warao, que já estavam na localidade há mais de um ano. Contudo, a realidade se mostrou diferente. Com a chegada descontrolada de imigrantes em um curto espaço de tempo, o trabalho precisou ser reforçado. Na capital, as iniciativas de arrecadação da paróquia também têm foco nos imigrantes abrigados no município fronteiriço.

Atualmente, quem está assumindo o dia a dia da alimentação e do atendimento aos imigrantes em geral é a Diocese, que conta com o apoio de diversos parceiros. Segundo a coordenadora, já foram recebidas doações de Campinas (SP). “As pessoas estão se mobilizando em outras partes do país e a gente vai buscando alternativas, principalmente com a proximidade do Natal”, disse.

Segundo Irmã Telma, a convivência que tem com os venezuelanos e os desafios que eles precisam vencer a convertem diariamente. Um dos pontos destacados foi em relação à comida que deixam no prato na hora das refeições. “Muitas vezes eu passo e vejo um venezuelano pegando comida que outras pessoas deixaram no prato. Eles estão passando fome. Isso não é uma estatística, são histórias de vida. E sozinhos não damos conta”, destacou.

DOAÇÕES – Em Pacaraima, as doações podem ser feitas no Centro Pastoral do Migrante, na Igreja Católica São Francisco de Assis, localizada na rua Brasil, s/n. No caso de doação em espécie, os interessados podem depositar a quantia na conta da Diocese de Roraima do Banco do Brasil, agência: 4129-7, CTA: 7746-1. Para mais informações, basta acessar o site: https://www.somosmigrantesrr.org/sospacaraima.

O QUE DOAR – Roupas, alimentos não perecíveis, fibras de buriti, miçangas variadas, linhas, tecidos claros, branco ou bege, tintas de base transparente para pintura de tecido, corantes para tecido, pincéis e madeiras para fabricação de artesanato. (A.G.G)

Conheça os pontos de arrecadação de doações em Boa Vista

- Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH) - Endereço: Rua Floriano Peixoto, 302, Centro. Telefone: 3224-3741
- Prelazia Diocese de Roraima - Rua: Bento Brasil, 613, Centro. Telefone: 3224-1555
- Fraternidade Federação Humanitária Internacional - Endereço: Rua Coronel Mota, 1436, Centro. Telefone: 3623-1937

SANTOS disse: Em 07/12/2017 às 09:44:10

"- Gostaria de indagar à Irmã Telma o que a Igreja tem doado a esses necessitados? Não vale a falação, o discurso bonito. Como se já não bastassem os privilégios aos indígenas patrícios, ainda teremos que estendê-los aos imigrantes? Se assim deve ser feito, vou começar a exigir que o Estado brasileiro trate-me com as mesmas condições que cidadãos de outros países, como Noruega, Dinamarca, Korea do Sul, Suiça, etc. Afinal, nossa Carta Magna diz que todos somos iguais perante a lei."

Manuel disse: Em 07/12/2017 às 08:50:05

"Quando surgir a campanha para ajudar o pessoal do lixão vou participar ativamente."