PRIMEIRO SEMESTRE
Casos de malária aumentam de forma preocupante na Capital e no interior
De janeiro a junho deste ano, o número de casos de malária já alcançou a metade do total registrado durante 2016
Por Folha Web
Em 19/06/2017 às 01:20
Mosquito Anopheles é o transmissor da malária, que já fez 4,6 mil vítimas este ano (Foto: Divulgação)

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), de 1º de janeiro a 10 de junho deste ano, foram registrados 4.645 casos de malária em Roraima. O número corresponde a 51% das ocorrências de 2016, quando 8.969 pessoas foram infectadas. Os municípios com maior foco são Rorainópolis, ao Sul do Estado, com 1481 casos, seguido de Boa Vista, com 1.288, e Pacaraima, Norte do Estado, com 383.

Os dados confirmam ainda que 2.811 registros são autóctones, ou seja, malária adquirida no próprio município. No entanto, existem registros de 984 casos importados da Venezuela e da República Cooperativista da Guiana, além de mais 850 de outros municípios e de áreas indígenas dentro do próprio Estado. Somados, os casos importados correspondem a 39% do total. “A pessoa que não adquiriu a doença no local de atendimento será registrada como caso importado”, explicou a gerente do núcleo de controle da malária, Symone Monteiro.

Rorainópolis, na divisa com o Amazonas, é o município com mais casos autóctones, com 1.349 registros. Na região, apenas 79 casos são importados, sendo 21 de outros países. Na segunda posição está o município de Alto Alegre, a Centro-Oeste do Estado, com 263 pessoas infectadas na própria localidade, além de 20 casos importados de outros municípios e 4 de outros países.

Boa Vista é um dos municípios com menos casos autóctones. Na região foram registrados apenas 13, todos relacionados com a proximidade do Rio Cauamé, zona Norte do Estado. Os demais casos da Capital foram classificados como importados, sendo 606 de outros municípios e 669 de outros países. “As principais unidades de saúde do Estado estão localizadas em Boa Vista, o que leva muitas pessoas a procurarem atendimentos na Capital, por isso o número de casos importados é alto comparado com outros municípios”, disse Symone.
Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, é a segunda localidade com mais casos importados, sendo 11 de outros municípios e 241 de outros países. O fato ocorre devido ao município ser região de fronteira e porta de entrada para o Brasil. Na cidade, é grande o número de venezuelanos que tentam escapar da crise econômica no país vizinho.

Ela frisou ainda que a transmissão da malária não tenha muito a ver com a questão do saneamento básico, como muitos pensam. “Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada por Plasmodium. Esse mosquito está presente nas proximidades de rios e igarapés”, disse.

Outro fator que colabora para a propagação da doença são pessoas infectadas que não procuram tratamento. “O mosquito pica a pessoa doente e leva o vírus para outra, por isso o tratamento da doença é de suma importância, para evitar o registro de novos casos”, acrescentou.

COMBATE – Quanto ao combate à malária, Symone esclareceu que é de responsabilidade dos municípios. Ela afirmou que os mesmos têm suas equipes que fazem atividades permanentes, porém alguns municípios estão com suas equipes e logísticas desestruturadas, trazendo com isso uma não efetivação de vigilância epidemiológica no que preconiza o Programa Nacional de Controle da Malária. “O Núcleo Estadual de Controle da Malária por sua vez vem mantendo os insumos em dias como: medicamentos e inseticidas, que são de nossa responsabilidade para que as ações sejam realizadas pelos municípios”, esclareceu.

Campanha é divulgada nos bairros

Para alertar a população de Boa Vista sobre os riscos da malária, o Ministério da Saúde (MS) iniciou a divulgação de uma campanha de prevenção à doença chamada de Outdoor Social. Os bairros escolhidos foram Senador Hélio Campos, São Bento, Professor Araceli Souto Maior e Bela Vista, na zona Oeste, Monte das Oliveiras, localizado no bairro Aeroporto, zona Norte, e na área de interesse social Caetano Filho, o Beiral, no Centro.

O projeto social instala placas/outdoors em casas de moradores de comunidades. As placas das campanhas trazem a seguinte mensagem: “Faça o tratamento até o fim. Sem a doença você vive muito melhor. Procure uma unidade de saúde para realizar o exame. Caso seja Malária, faça o tratamento completo”.

A campanha foi lançada no dia 25 de abril, conhecido como dia Mundial de Combate a Malária e segue até o dia 15 de julho. O foco da ação são os Estados e cidades localizados na região Amazônica, que concentra 99% dos casos em todo o País.

O objetivo principal da campanha é erradicação da malária na região Norte, incentivando a população a procurar uma unidade de saúde mais próxima para realizar o exame. Como forma de incentivar a adesão dos moradores à campanha, cada morador que recebe a placa em sua residência recebe a quantia de R$100, com isso o Outdoor Social gera um complemento de renda, além de levar forte impacto social às comunidades.

REDUÇÃO – Ainda segundo o Ministério da Saúde, em 2016, foram notificados 129,1 mil casos de malária a nível nacional, uma redução de 9,7% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 143,1 mil casos. Em 2006, foram cerca de 550 mil casos da doença, isto é, uma redução de 76,5% nos últimos dez anos. Em relação ao número de óbitos, também houve queda de 67,6%, passando de 105, em 2006, para 34, em 2015.

Já a região Amazônica apresentou uma redução de, aproximadamente, 10% do número de casos em 2016, com 128,6 mil casos, comparado com o ano de 2015, quando foram registrados 142,6 mil. Em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde repassou R$ 11,9 milhões para ações de combate e controle de malária na Região Amazônica, onde há predominância de casos. Das 129 mil notificações registradas em 2016, apenas 501 ocorreram fora da região.

Comentários
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!