VILA VINTÉM
Cheia do Rio Branco deixa residências submersas e moradores ficam desalojados
Pelo menos sete famílias tiveram que sair de suas casas e foram realocadas em um abrigo pela Prefeitura de Boa Vista
Por Luan Guilherme Correia
Em 10/07/2017 às 00:34
A maioria das casas na Vila Vintém, no Cantá, foi tomada pela água (Foto: Diane Sampaio)

Pelo menos sete famílias que moravam na Vila Vintém, na área conhecida como “Olaria”, depois da Ponte dos Macuxi, no município do Cantá, região centro-leste de Roraima, ficaram desalojadas com a cheia do Rio Branco. O nível do rio, já próximo das margens da BR-401, deixou as casas submersas.

O oleiro Esmeraldino Pereira dos Santos, de 61 anos, que morava na localidade desde 2008, não esperava passar pelo mesmo drama de 2011, quando o nível do Rio Branco atingiu a histórica marca de 10,21 metros. Assim como naquele ano, o idoso não conseguiu salvar quase nada da pequena casa de madeira onde morava com uma amiga e os filhos. “Perdi foi quase tudo, 99% do que eu tinha. Eu perdi colchão, cama, fogão, quase tudo ficou tudo debaixo d’água”, relatou.

Sem parentes, o oleiro foi alojado pela Defesa Civil Municipal de Boa Vista no pequeno abrigo, que fica localizado no Ginásio da Escola Tancredo Neves, na zona oeste, que atualmente comporta 61 desabrigados, entre adultos e crianças. “Quando a água baixar, vou ter que voltar para lá, porque não tenho para onde ir. Trabalhava como oleiro e agora que não temos mais condições de trabalhar. Estamos sem poder fazer nada”, lamentou.

A reportagem da Folha foi até a Vila Vintém, na manhã de sábado, 08. No local, apenas os telhados das residências eram visíveis. Tudo ficou inundado pela cheia do rio. Um pouco a frente, na Vicinal Serra Grande I, muitos populares aproveitavam a aproximação da água na margem do asfalto para tentar a sorte com a pesca.

Uma dessas pessoas era o oleiro José Ribamar que, sem emprego, decidiu sobreviver apenas da pesca. “Não fui para o abrigo, porque decidi ficar aqui e aproveitar para viver da pesca. A minha casa foi levada pela cheia, assim como em 2011. Não imaginava ter que passar por isso de novo, mas já que passei estou me virando como posso”, disse. (L.G.C)

Para evitar epidemia de chikungunya, Beiral é limpo
 
O Governo do Estado intensificou ações de limpeza para evitar o risco de epidemia de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti em pontos críticos de alagamento em Boa Vista. No final de semana, a governadora Suely Campos  visitou alguns locais alagados, como a área de interesse social Caetano Filho, o Beiral.

Para atuar diretamente na prevenção e combate às doenças epidemiológicas no período chuvoso, a governadora está dando um apoio extra no enfrentamento às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti em Boa Vista.

“Nós, enquanto Estado, não podemos ficar alheios e por isso estamos dando todo apoio possível. A Capital hoje está vivendo uma epidemia, são mais de mil casos de chikungunya no município todo. Então a nossa preocupação hoje é realmente agir para que diminua esse impacto,” disse.

Como Boa Vista enfrenta um surto da doença, a preocupação da Vigilância em Saúde Epidemiológica é em diminuir esse dado. Conforme a coordenadora estadual de Vigilância em Saúde Epidemiológica, Daniele Souza, a equipe de Vigilância está organizando uma ação conjunta de enfrentamento ao mosquito. “Estamos montando uma ação conjunta com o Exército, para atuar diretamente nos locais mais críticos. Precisamos do apoio da população, para que a gente consiga diminuir o número de casos”, explicou.

No Caetano Filho, região conhecida como Beiral, uma das maiores preocupações da governadora Suely Campos foi à questão sanitária. “Muitas famílias já foram afetadas. No Beiral, existe uma grande quantidade de lixo trazido pelo rio, que acaba afetando o comércio de peixes. Nós já determinamos que o Corpo de Bombeiros e a Caerr [Companhia de Águas e Esgotos de Roraima] façam a limpeza geral no entorno do bairro”, disse Suely Campos.

LIMPEZA – No sábado, foi feito um mutirão de limpeza nas ruas e casas próximas a margem do rio Branco. Duas canoas, duas retroescavadeiras e uma caçamba foram empregadas no recolhimento de lixo no Caetano Filho, que somou uma tonelada, entre garrafas, sacolas plásticas, geladeiras, peças de carro e pneus.

A ação contou com cerca de 100 voluntários, incluindo parceiros como a Caerr, Eletrobras, Polícias Militar e Civil, Vigilância Sanitária do Estado, Corpo de Bombeiros Militar, Associação dos Barqueiros, Fundação Nacional de Saúde e Associação de Catadores de Resíduos de Boa Vista “Terra Vida”.

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